Professor Mestre
Você é Mestre-Sala
do meu peito,
Eu a Porta-Bandeira
do meu jeito,
O Samba é o
mestre de nós dois,
A Bandeira é o amor
que não se deixa
nenhum pouco para depois.
Meus professores não tinham nomes gentis, foram a tristeza, o sofrimento e a incerteza. Nunca fui um bom aluno, por isso ainda tento decifrar suas lições.
Na dúvida, aceitei o engano como professor, reajustei velas e segui adiante, o vento já conhece meu nome.
Cada perda foi lição que adotei, ensinar-me tornou-se tarefa de respeito, sou aluno e mestre do mesmo tempo.
Já abracei o medo e chamei de aprendizado. Abraçar o medo é transformá-lo em professor, com ele aprendemos onde pisar com cuidado.
Aprendi que o tempo não é inimigo, é mestre,
paciência é a escola onde o fruto amadurece,
o tempo ensina a esperar com propósito, aprendi a colher quando o fruto estiver pronto.
O Silêncio de Deus é a resposta sutil de que o Mestre está, nos bastidores do impossível, movendo peças que não cabem à nossa visão.
Quando o coração, ferido pela distância, mal pode sussurrar um clamor, é a doce voz do Mestre que encontra a alma exausta, transformando o choro do deserto na festa indescritível do Seu redil.
A dor é uma professora que não aceita faltas, e suas lições, embora amargas, são as únicas que se fixam na alma, e o processo de cicatrização não é linear, nem bonito, mas uma batalha suada e invisível contra a memória do trauma, e é preciso honrar cada passo lento, cada recuo que precede um avanço maior e mais significativo. Não se cobre a perfeição na arte de se reerguer, a beleza reside na coragem de ser imperfeito, de abraçar o processo caótico da cura e de entender que o seu valor não está na ausência de feridas, mas na audácia de continuar lutando mesmo com a alma marcada pelas batalhas passadas.
A noite é mestre em revelar a verdadeira face do desejo. Ela não julga, apenas mostra o que pulsa. Algumas verdades aparecem em roupas simples. E eu as recebo com humildade de aprendiz. Porque cada desejo é também mapa para a cura.
A vida é um mestre severo: ensinou-me que amar não retém ninguém e que promessas são apenas palavras ao vento.
A dor é o único mestre que nunca mente, ela nos despe de todas as vaidades até que sobre apenas o osso da nossa fragilidade radical.
A dor é um mestre severo que não aceita desculpas e exige que cada lição seja escrita com o sangue das nossas certezas mais profundas. Aprendi mais no escuro do quarto do que em todas as salas de aula que frequentei, pois ali a matéria era a minha própria vida.
O discurso é brilhante, mas a prática é opaca; são mestres em decorar textos, mas analfabetos na hora de estender a mão.
