Presença da Ausência
Que o passado passe e o presente se ausente, pois quero ser vidente do meu próprio destino e reinventar o caminho que me faz só, somente.
A fé não é ausência de perguntas, é presença de confiança.
Mesmo sem entender, você se entrega.
Mesmo sem ver, você acredita.
E, no tempo certo, o que parecia silêncio vira resposta clara como o sol ao meio-dia.
Solitude
Um espaço inteiro se abre dentro de mim
não é ausência, é presença silenciosa
um abrigo onde o eco respira devagar
e cada pensamento se deita como sombra
Caminho por corredores sem janelas
as paredes não pesam, apenas acolhem
o vazio não me fere, apenas sustenta
como se o nada fosse uma forma de colo
Há um mar profundo sem ondas
sua superfície é espelho imóvel
e nele me encontro sem pedir companhia
somente eu e a transparência do tempo
Solitude é a árvore sem folhas no inverno
que mesmo nua guarda a seiva escondida
não busca olhar, não implora estação
ela simplesmente é, inteira na espera
O vento passa sem pressa pela memória
levando consigo fragmentos esquecidos
e o que resta é uma quietude intacta
onde até a dor aprende a descansar
No escuro há uma claridade discreta
como vela que não brilha para ninguém
iluminando apenas o íntimo do ser
onde habita um segredo impossível de calar
A ausência de vozes não é castigo
mas convite para escutar o indizível
o som de um coração que pulsa sozinho
em ritmo diferente da multidão
E nessa vastidão que parece deserta
descubro raízes invisíveis sob meus pés
elas me prendem, mas também me libertam
pois só na solidão percebo o infinito
Então, aprendo a caminhar sem medo
com a sombra como única companheira
a cada passo o mundo perde contorno
mas dentro de mim nasce um horizonte novo
Solitude é jardim sem visitantes
florescem nele cores que ninguém vê
mas eu as recolho como oferenda
ao silêncio que me guarda e me molda
É também um templo sem portas abertas
onde o altar é feito de silêncio puro
ali não se fazem preces, apenas respirações
e cada suspiro é aceito como oração
Quando o dia se alonga e tudo cansa
a solitude me veste como túnica invisível
e mesmo no meio da cidade ruidosa
sou capaz de escutar apenas meu dentro
Ela é o livro que ninguém folheia
mas que guarda histórias intermináveis
linhas escritas pela mão da espera
e capítulos feitos de pausas infinitas
Entre seus muros, o tempo se dilui
não há relógios que interrompam sua maré
o instante se prolonga até o infinito
como se o universo parasse para ouvir
Solitude é uma estrada sem destino
mas não é vazia, está repleta de ecos
cada passo gravado no chão invisível
se transforma em testemunha silenciosa
E quando penso estar perdido demais
descubro nela um mapa secreto
feito de cicatrizes, lembranças e gestos
que me guia de volta ao meu próprio ser
Assim, aceito sua presença como guia
não como cárcere, mas como vastidão
um lugar onde aprendo a ser inteiro
mesmo quando nada ao redor me acompanha.
A verdadeira saudade transforma a partida em presença e a ausência em aprendizagem.
É por isso que asaudade de quem partiu não é a pior; é a que nos mantém vivos na memória, nos ensina a valorizar o que tivemos e transforma a ausência em presença no coração.
O Silêncio que Fala
Há um silêncio que não é ausência, mas presença.
Ele não grita, não exige, não se impõe.
Apenas está — como o vento que passa e deixa o cheiro da terra molhada.
Nesse silêncio mora Deus.
Não o Deus das fórmulas, dos dogmas, das vestes pesadas.
Mas o Deus que sussurra no coração inquieto,
que se revela na lágrima que cai sem explicação,
e na esperança que insiste em nascer mesmo em solo árido.
A vida não é feita de respostas prontas.
Ela é feita de perguntas que nos moldam,
de encontros que nos desconstroem,
de fé que não cabe em palavras,
mas pulsa em gestos, em olhares, em escolhas silenciosas.
Não é preciso entender tudo.
É preciso sentir — e permitir que o sentir nos transforme.
Porque às vezes, o maior milagre não é a cura,
mas a coragem de continuar mesmo sem ela.
Celebre a Vida: Não Espere Pela Ausência
A vida é um presente precioso e, muitas vezes, nos perdemos na correria do dia a dia, adiando o que realmente importa. Temos o costume de guardar as palavras bonitas, os abraços demorados e os momentos de pura alegria, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Mas a verdade inegável é que o único tempo que realmente temos é o agora.
Não espere que a ausência de alguém que você ama chegue para só então você se dar conta do quanto essa pessoa era especial. A dor da perda é inevitável, mas o arrependimento por não ter feito mais, dito mais ou simplesmente vivido mais com quem está perto pode ser muito mais pesado. Não troque o peso de um "eu devia ter feito" pela leveza de um "que bom que eu fiz".
Comemore a vida com quem você ama enquanto ela está pulsando.
Então, quem você vai procurar para celebrar um momento hoje?
Amar dói porque importa
Amar dói,
não pela ausência,
mas pela presença que se esconde.
Dói quando o outro silencia,
e o coração faz barulho demais.
É olhar uma mensagem e pensar
será que eu disse algo errado?
É sentir o tempo passar devagar,
medindo segundos no som da notificação que não vem.
Amar é reparar no que mudou,
no jeito, no tom, no “oi” mais curto.
É ver nas entrelinhas o que talvez nem exista,
e ainda assim, sentir como se fosse real.
Dói, porque você quer ser leve,
mas o amor te prende nas asas do medo.
Dói, porque você se importa demais
num mundo que às vezes sente de menos.
Mas amar, ah, amar,
é continuar tentando,
mesmo com o coração trêmulo,
na esperança de que o outro,
um dia,
olhe pra você com o mesmo cuidado
com que você o observa em silêncio.
A ausência dela tornou-se a presença mais marcante na vida dele.
— F.Fidelis - Psicanalista, Filósofo entusiasta e observador das relações humanas
Quando estou só, sinto um vazio pela tua ausência; mas, ao mesmo tempo, percebo tua presença tão perto e sei que não estou só. A tua graça é luz suave que habita em mim — a luz de Jesus que ilumina toda escuridão.
Uma ausência pode ser mais presente que muita gente.
Não sai da cabeça, ainda enche o coração e invadiu a alma inteira.
Um silêncio barulhento.
Uma espera totalmente neurótica, absurda e eterna.
Você se foi, eu esperei...eu esperei.
"Que a ausência se faça presença, abundância, riso e felicidade ...porque afinal tudo depende do sonho. Quem sonha tem um dia a mais no horizonte - e no horizonte que for sonhado sucedem-se os dias todos cheios de azáfamas de prazer ...porque viver sempre foi uma aventura umas vezes prazerosa outras não. Tudo depende como se sonha. Tudo depende do sonhador!"
Minha solidão não tem nada haver com presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão sem, em troca, oferecer verdadeira companhia.
Texto de Friedrich Nietzsche
A solidão, no pensamento que atravessa essa frase, não é carência, mas território interior. Ela não nasce da ausência de pessoas, e sim da ausência de sentido. Estar só, nesse horizonte, é estar em contato consigo mesmo; estar acompanhado, sem verdadeira presença, pode ser uma forma mais profunda de abandono. Nietzsche aponta para uma solidão qualitativa, não quantitativa.
Quando ele afirma que detesta quem lhe rouba a solidão, revela que a solidão é um bem precioso, quase sagrado. Trata-se do espaço onde o indivíduo pensa sem concessões, cria sem aplausos e se confronta com suas próprias alturas e abismos. Roubar a solidão é invadir esse espaço com superficialidade, ruído e expectativas vazias. É ocupar o tempo e o corpo sem tocar a alma.
A “verdadeira companhia” não se mede pela proximidade física nem pela frequência da convivência, mas pela capacidade de presença real. É aquela que não distrai do essencial, mas aprofunda; que não exige máscaras, mas permite silêncio; que não dilui a individualidade, mas a respeita. Poucos são capazes dessa companhia, porque ela exige maturidade interior e coragem de permanecer diante do outro sem se esconder.
Nesse sentido, a solidão nietzschiana não é isolamento social, mas fidelidade a si mesmo. É a condição necessária para o surgimento do pensamento autêntico e da vida criadora. O espírito que busca elevar-se precisa, em certos momentos, afastar-se da multidão não por desprezo, mas por necessidade de escuta interior. Quem não suporta a própria solidão dificilmente suportará a profundidade do outro.
A crítica de Nietzsche, portanto, não é contra as pessoas, mas contra as relações vazias. Ele denuncia a convivência que preenche o espaço, mas esvazia o sentido; que fala muito, mas não comunica; que ocupa, mas não acompanha. Essas presenças são mais solitárias do que o silêncio.
Por fim, o texto nos convida a rever nossa relação com o estar só e com o estar junto. Talvez a verdadeira questão não seja evitar a solidão, mas aprender a habitá-la. E, a partir dela, escolher companhias que não nos afastem de nós mesmos, mas que caminhem ao nosso lado sem nos roubar o que temos de mais íntimo: a integridade do nosso ser.
A tranquilidade não nasce da ausência de problemas, mas da presença da razão. Onde a razão governa, o caos se cala.
"Ter intimidade com Deus é entender que o silêncio d'Ele não é ausência de sua presença...
É apenas um convite para nos aproximarmos o suficiente e ouvir-mos a sua voz calmamente em nosso coração.. ."
