Praia

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Tenho uma profunda sintonia
com a praia assim:
nublada, deserta,
serena e silenciosa.


Há algo nela de sublime
que toca as veias
da minha inspiração.


Sinto uma simbiose visceral
com a paisagem
cinérea, solitária,
entregue ao próprio silêncio
e à própria paz.


Há uma serenidade antiga
que não pede sol
nem testemunhas.
Algo nela é sagrado:
o céu contido,
as pedras em vigília,
o mar que sussurra versos.


É ali, nesse quase-nada,
que minha inspiração
encontra o tudo,
nas veias abertas,
e pulsa
sem pressa
sem expectadores.
✍©️@MiriamDaCosta

A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira.
✍©️@MiriamDaCosta

Na Praia de Itaipu,
o mar não grita,
ele conversa baixo
com quem sabe escutar.


Aqui,
na Região Oceânica de Niterói
o horizonte verde
não é promessa turística,
é confidência.


Eles correm
como se o mundo
não tivesse muros e portão
como se a areia
fosse extensão do peito
e a liberdade
não precisasse de plateia.


O vento penteia o pelo,
a onda beija as patas,
e o tempo,
(Ah, o Tempo!)
desaprende a pressa.


Entre a restinga e a espuma
há um pacto silencioso:
coabitar é respeitar
o ritmo das marés.


Eles,
como eu,
amam a praia deserta.


E eu,
amo vê-los livres,
longe do ruído humano,
longe do excesso,
longe da invasão dos sem noção.


Na Praia de Itaipu,
até o silêncio tem corpo.
E a liberdade
anda de quatro patas
ao lado da minha alma. 🐾🌊
✍©️@MiriamDaCosta

O oásis silencioso


A praia completamente desnudada
da caótica presença humana
é um dos meus oásis.


Ali,
o vento não disputa espaço com vozes,
nem o mar precisa gritar
para ser ouvido.


A areia repousa em sua própria epiderme,
sem marcas de exibicionismo e vaidade,
sem rastros de pressa, gritaria e estresse.


E eu,
descalça de rumores do mundo,
finalmente me reconheço
na vastidão simples
de existir em simbiose com Ele,
o mar.


✍©️@MiriamDaCosta

Hoje acordei com vontade
de pegar o meu barco
e navegar...


Chegando na praia
lembrei que eu só tenho
um barquinho de papel...


Peguei a minha caneta
e começei a remar
no meu batel...


E fui singrando as águas
do que mora em mim
marés de memórias
ventos de saudades
maresia de inspiração
sem fim...


Cada verso
uma onda
cada pausa
um farol
e o sol
se fez verso
no meu
papel batel...


Remando com a caneta
furei as veias do papel
meu barquinho
sangrava versos
mas seguia
( teimoso)
no vendaval
das entranhas...


Não era mar
era voragem
não era água
era o meu
lirismo aflorado...


E mesmo assim
fiz da luta
o leme
das cicatrizes
o casco
e avancei
porque naufragar
também é escrever...


E quando enfim
meu barquinho
afundou
no silêncio
mais profundo
de mim
descobri
não era o fim
era o começo
do poema
que eu suei
para existir...


@MiriamDaCosta

Ode à Mariazinha da Praia das Conchinhas
(Erê/Entidade da Umbanda)



Erêzinha minha, tão queridinha,
com sua meiguice e carinho,
nunca me deixa só no meu caminhar,
sorri como a brisa fresquinha
que beija a maré baixinha...


pequena guardiã da areia dourada,
dança e trabalha entre conchas
estrelas do mar e brincadeiras
sua voz é brisa, sua presença é estrada,
que conduz a alma cansada...


nos olhos pequeninos
traz a profundidade do Oceano,
na pele o sol desenha um manto,
e em cada gesto tão puro e singelo
há um refúgio doce e belo...


Mariazinha, criança do mar,
és poesia que insiste em ficar,
como concha que guarda segredo antigo,
como onda que sempre retorna ao abrigo...


Erêzinha da praia e da espuma,
nascida do primeiro sussuro da maré,
com tua doçura me atravessas
como raio de sol nos dias cinérios...


Nunca me deixas só!
és faísquinha de luz e és clarão,
és concha que ressoa o meu silêncio,
és mar sereno dentro do meu coração...


Mariazinha, tua meiguice alenta e cura,
teu carinho é sol que ilumina a noite
para que o dia seja tenro
sobre a areia escaldante da vida...


Trazes nos olhos o mistério do Oceano,
e nos pés a dança inquieta das marés
tu não caminhas;
tu adoças os caminhos,
e me obrigas a seguir,
mesmo quando o meu coração
quer naufragar...


És a guardiã das conchinhas,
mas em cada uma delas
há um pedaço meu
que o Mar te confiou...


Mariazinha, menina doce do mar,
com teu sorriso miúdo,
acolhes meu passo cansado
como quem sabe o peso do silêncio...


És conchinha guardada na palma,
tesouro pequeno, mas infinito,
presença que o Oceano me dôou
para que eu nunca esquecesse
a ternura escondida
nas marés da vida...


Teu carinho é brisa leve,
que me envolve sem nada pedir
e tua presença é farol discreto,
luzinha que não deixa a solidão
se tornar escuridão em mim...


Mariazinha, tão queridinha,
és infância que retorna em onda mansa,
és a poesia que se escreve sozinha
na areia úmida da minha lembrança...


Mariazinha da Praia das Conchinhas
a te dedico essa ode cheia de riminhas
para agradecer do fundo do coração
todo o teu carinho e proteção ...


Salve a tua Praia e as tuas conchinhas!
✍©️@MiriamDaCosta

Lamento por Orelha


Na areia da praia ficou o silêncio,
onde antes corria teu riso canino.
Orelha, amigo de olhar sincero,
te tiraram a vida num ato tão vil, tão mesquinho.


Não foi a natureza, nem o tempo,
foi a mão cruel que não soube amar.
Covardia não vence lealdade,
nem apaga o bem que soubeste deixar.


Teu latido ainda ecoa no vento,
teu afeto mora em quem soube te ver.
Descansa em paz, pequeno guerreiro,
há uma justiça maior a te acolher.


Quem ama jamais esquece,
quem sente, jamais se cala.
Orelha vive na memória
e no clamor de toda alma que não se conforma.

O Templo do Silêncio


​O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
​Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
​Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
​Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.

A Vontade e a Raiz


​O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.


​Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.


​E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.


​Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.


​Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
​E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.


​Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.

Dente de Leite

Eu fui na praia passear com minha vó
Veio uma concha na onda bateu no dente da frente

Que era de leite tão molinho meu xodó
E eu já tinha prometido pra minha vó de presente

Mas eu engoli o dente
Engoli o dente
Que eu já tinha prometido
Pra minha vó de presente

Eu engoli o dente
Engoli o dente
Que eu já tinha prometido
Pra minha vó de presente

ESPELHOS PARTIDOS À BEIRA DO MAR.
A cena ocorre à beira da praia, numa noite em que a lua se desfaz sobre a água, refletida em pequenos fragmentos de mar como se o próprio céu tivesse quebrado um espelho. O narrador, dilacerado pela ausência, conversa com a amada que já não está entre os vivos e com o filho que o oceano tomou. O vento arrasta vozes indistintas, confundindo-se com o soluço incessante das ondas.
NARRADOR:
Meu filho me amava... Sim, ele verdadeiramente me amava. Agora, diante de nossos espelhos partidos, sorrimos como quem ainda tenta recompor os fragmentos de um impossível. E eu sei... sei que, nesta hora, ele me procura, lá em alto-mar, onde repousam segredos que nenhum de nós ousou desvendar.
AMADA (voz etérea, surgindo entre as rajadas da brisa):
Não chores tanto, meu bem. O mar apenas devolve aquilo que nunca nos pertenceu inteiramente.
NARRADOR:
E que me resta, senão ir buscá-lo? Ele me encantava com aqueles olhos de esmeralda viva... Ah, não partas, meu amor! Se fores, talvez nunca mais me encontres. Foi aqui, nesta praia, que nosso filho te esperou durante quatro noites, sustentado apenas pela fé — essa última lâmpada dos desesperados — de que regressarias.
Mas tu jamais voltaste ao nosso casebre, tão singelo, tão pequeno, e ainda assim aceso pelas chamas de um amor que parecia capaz de desafiar o próprio destino.
AMADA:
A esperança que nele ardeu também me sustentou. Mas o tempo é breve para aqueles que se amam demasiadamente e parece infinito para aqueles que permanecem esperando em silêncio.
NARRADOR (ajoelhando-se na areia):
Por isso te suplico: não vás!
Mas aqueles olhos... Ah, aqueles olhos! Deus os quis para Si antes mesmo que tivéssemos aprendido a compreendê-los. Foram uma dádiva breve, como as flores que desabrocham somente para adornar um instante e, depois, entregam ao vento a sua última fragrância.
AMADA (a voz se afastando, quase confundida com o rumor das ondas):
Então espera...
Espera-me como esperaste o retorno impossível. Espera-me até que as ondas levem a última chama que ainda te arde no peito.
Porque, quando a brisa cessar e a noite recolher seus últimos murmúrios, nós três seremos apenas um só sopro — indivisível, silencioso — respirando eternamente no coração de Deus.
NARRADOR (em lágrimas, contemplando o mar):
Eu esperarei.
Pelo filho que partiu.
Por ti, meu eterno amor.
Esperarei enquanto houver mar, enquanto houver lua, enquanto alguma estrela se atrever a permanecer acesa sobre estas águas.
E, quando a última brisa me levar...
quando a areia apagar meus passos...
quando já não houver voz capaz de chamar por ninguém...
restará apenas o mistério.
E talvez, no centro desse mistério, eu finalmente encontre vocês dois.

Onde a tua toalha de praia repousa,
é onde o meu verão começa.

A praia é o lugar onde o coração aceita, por instantes, que não controla nada.

O tempo passa diferente
quando o sonho perde a vez.
Passeios, risos, violões,
danças na praia ao fim do mês.
Não foi uma história perdida,
nem lembrança de algum lugar.
Foram sonhos sem começo
que o tempo levou sem esperar.

Quando vou para praia
eu sinto dor —umador estranhamente estranha—.
Talvez seja nada demais,
mas quando entro no mar,
me sinto no fundo dele.
Parece até que estou me afogando...
E toda vez que escrevo
eu entro no mar profundo
eo mar entra em mim.
E talvez seja bom
me afogar as vezes,
porque respirar parece doer mais.

Mariazinha da Praia das Conchinhas 🐚
é a doce menininha,
Erê protetora da linha das águas de Iemanjá,
que traz na pureza do sorriso
o encanto do mar
e a leveza de brincar na areia.


Ode a Mariazinha da Praia das Conchinhas🐚


Óh, pequena dona da praia
e da espuma,
menina-flor
que brinca na beira da maré!


Seus pezinhos descalços
desenham na bruma
o rastro de estrelinhas
que ilumina o meu viver.


Na Praia das Conchinhas,
teu manto é azul
e o teu colar é de nácar
e de pérolas raras.


O vento te embala
num doce lençol,
enquanto as gaivotas
te acenam num ritual de paz.


O tempo suspende a pressa
e o choro,
quando ouve o teu canto
de brisa e mar,
se desfaz.


O que o quebra-mar traz
é o tesouro no teu amor de criança
que vem me acalentar e alegrar.


Guardiã das conchinhas,
estrela pequenina,
doçura que alivia qualquer dor
ou pesar, faz dengo manhoso
e tira o penar
trazendo a benção de Iemanjá.


Salve a tua meiguice,
salve a tua pureza,
que enche de encanto
a minha caminhada!


Mariazinha, doçura e beleza,
eterna companheira
da minha caminhada.


Gratidão por ser a minha menina Guardiã! ❤
✍@MiriamDaCosta

Pensamentos ao Mar


Hoje ao sair do culto fui a praia ver o mar procurar um lugar tranquilo um lugar para meditar
Ao olhar as ondas me fez lembra do brilho dos teus olhos a beleza do teu sorriso o que me fez imaginar
Tão linda tão meiga tão doce uma obra tão linda que só o criador foi capaz de desenhar
Com traços tão lindos e tão perfeitos criou ela perfeita ao seu jeito que meus olhos vieram a se encantar
Terminei minha noite orando e pedindo ao nosso bom Deus que aquele coração vinhece a guardar e sua vida abençoar.
Abençoar meus Deus está menina, tua obra mais linda que sua voz por muitas vezes veio a me acalmar e com um simples sorriso veio a me encantar.

Ela é Ela


Ela é linda e intensa como a praia, mas calma como o som da chuva.
Ela não é minha, não é de ninguém.
É um pássaro livre, que não pode ser pego. Ela é aventura
E, ao mesmo tempo, é o sono que vem de noite.
Ela é simpática, mas, quando quer, sabe ser grossa.
Ela é animada, mas algo pequeno estraga seu dia.
Ela é linda como o luar.
É apaixonada como o coelho que habita a Lua.
E se agarra à ideia de que existem cores neon, mas também há as neutras.
Ela é feliz e radiante como o sol,
Mas intensa como o rock.
Ela é tudo e nada.

A praia pode
estar deserta,
Você nunca
estará sozinho,
No coração
sou presença
que não
se ausenta
nem quando
o olhar
se distancia.

Eia a indecência
que te aquece
como o sol,
aos teus lábios
é sal e oceano
que te intensa!...

O silêncio é
a proposital
forma de
trazer a tona
o que arrepia,
e para você:
sou o sublime,
o apelo,
o que levita
e a tua fantasia.

Fé sem questionamento é fanatismo cego e frágil. Um castelo de areia na beira da praia. O questionamento traz os tijolos para construir um castelo de verdade, ainda que, ao longo do processo, decida modificar alguns pontos, pintar de outra maneira, ou retirar algumas áreas já projetadas.
- Marcela Lobato