Porque hoje e Sabado Vinicius de Moraes
Até hoje, ainda não consegui descobrir o mistério do silêncio, do olhar e da fala dos humanos. Só sei dizer, que os únicos seres de sangue quente que conheci ao longo do meu atribulado viver e souberam ler e entender as palavras não ditas pela boca dos meus olhos, foram os cães que tive e amei.
A estabilidade da paz no mundo de hoje, é quase como um bolsa de valores.
Agora, em alta; passados milésimos, em baixa profunda.
ERA
Como se fosse hoje, minha mãe partiu
Num treze de maio que o Maio sentiu
Como se fosse a mãe dele a fugir
Para outro maio de sentir
Como ele sentiu.
Era Fátima no altar do mundo
Era esse o mundo de minha mãe
Deixando os que amava em horror profundo
E a Fatinha dela, pequenina, também.
Era o desabar de vidas coloridas
Entre flores vivas, vividas
E num relâmpago destruídas
Por um raio de vidas partidas.
Era, como se fosse hoje, treze de um maio
De há quarenta e cinco idos, falidos
Nos gemidos de minha moribunda mãe
Ao ir-se sem o primogénito ver...
Meu Deus, que razão de sofrer !?
Que castigos!
Só depois de tu ires, ó Cristo é que foi a tua mãe!
Eu que tanto queria partir em vez da minha
Choro agora e sempre, pela manhãzinha
A dor que só sente quem a não tem...
Se eu amanhã não tiver a esperança noutro depois, é sinal que o meu hoje anda de mal comigo e não me dá futuro.
CHORO CONVULSO
Velhinha casinha, meu ninho
E chão do meu pão,
Hoje, somente uma visão.
Ai, aquela chorosa ramada
Fresquinha
E também velhinha,
Onde à sombra minha avó catava
Os meus piolhos da miséria
Nos verões de canícula séria
E depois, adormecíamos os dois
De barriga tão vazia
Como quem cava nas hortas
O silêncio das horas mortas.
Hoje, nem telhados e paredes
Ou janelas, nem sequer portas...
A vida, é um circo de redes
E trapézios tão fatais
Onde há luzes e sons e ais,
Mas quando morrem os mortais
Morre tudo como vedes,
Levados num remoinho
Como a velhinha casinha, meu ninho.
(Carlos De Castro, In Poesia Do Meu Chorar, em 21-07-2022)
TRISTEZA INFINITA
Que triste este sol
Hoje, neste outono.
Vede como chora
Agora,
O vento cerol
Colado a mim como dono.
Que triste é ser tão tristonho,
Como árvore que dá flor
Sem amor,
No outono,
Fadada a não medrar.
Que angústia vai neste olhar
Nesta sempre tristeza minha,
Infinita,
Que mesmo amordaçada grita
Pela liberdade de amar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-10-2022)
Durante anos, a minha boca e o meu coração foram amantes inseparáveis.
Hoje, sinto que os dois estão numa fase adiantada de divórcio.
IN-FIDELIDADES
Hoje, está sol.
Mas era para estar chuva,
Miudinha,
Chatinha,
De enregelar os ossos.
Mas, também a parra
Nem sempre traz uva,
Por vezes a coragem,
Apesar da aragem,
Não é garra.
Quase sempre, paixão
Traz desilusão,
Riso, dá choro convulsivo
Até em ambiente festivo,
E não há bela sem senão.
Fiel, mesmo é este gato,
O meu Giló,
Gilberto Gil,
Vindo nas águas de um abril,
Que quando sente que estou só,
Sem aparato,
Enrosca-se em mim,
Como que a dizer sim.
Nobre animal,
Adorado pelos egípcios,
Hoje, só considerado em respícios,
Amaldiçoado e tão só.
Adoro, cães.
Como animais que gostam das mães,
Mas sem ele, o meu Giló,
Eu meteria mais dó.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 07-03-2023)
TRISTEZA
Hoje, não estou triste.
De que vale a tristeza
Se ela já existe
Na correnteza
Da vida em riste?
Vá, gostariam,
Preferiam,
Que eu fosse
Homem de ardileza?
De que vale a tristeza
Se a vida é certeza
De uma incerteza
Atroz?
Por nós
E por mim,
Ainda assim
E pelo meu fadário
Eu viro a tristeza ao contrário,
E antecipo-lhe o fim.
E se ela me perseguir
No cimo do meu calvário:
Vou-me rir
Tanto, tanto,
Como se fosse um pranto
Tornado falsário.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 19-03-2023)
SEM BOLEIA
Até hoje.
Desde que me traçaram o fado
Malfadado,
Nunca pedi boleia a ninguém...
Nem quando na estrada de espinhos
Com os pés descalços sangrando,
Os olhos mártires chorando
Em lágrimas de azevinhos,
Percorri três quartos de uma vida
Com tropa e tudo incluída
Na bagagem vazia, despida
De paz e de pão
No vento suão,
Dorido.
Algozes vieram, torturadores;
Para me meterem mordaça,
Sem contar que a minha raça,
Prefere morrer na praça
Que bajular traidores,
Horrorosos anunciadores
Da desgraça.
E não é que eu, por pirraça,
Fiel sempre à minha ideia,
Já velho, ao ferrugento,
Mas em jeito de chalaça,
Disse ao meu amigo vento:
Sou um homem sem boleia!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 15-07-2024)
“No Reiki, o que estamos fazendo hoje é somente resgatar algo que anda um tanto esquecido: o dom e a habilidade inata da humanidade de ajudar o próximo e a si mesmo.”
"Tudo o que você tem de fato é o dia de hoje, e talvez a próxima semana. Mas o dia de hoje, com certeza."
"Coisas impossíveis de se fazer hoje, amanhã poderão ser tornar comuns e depois de amanhã obsoletas."
