Poesias de amor
Gratidão e amor divino na criação…
Em um gesto de reverente reconhecimento à Entidade Primordial, elevo meu espírito em gratidão perene, não só pelo fulgor benéfico que emana da miríade de seres que presentemente adornam minha existência, mas também pelas sombras de outrora, cujas lições, porventura ásperas, cinzelaram em minha alma valiosos aprendizados.
Suplico, outrossim, que a lucidez divina me imbuia da capacidade de contemplar cada indivíduo com a mesma benevolente aceitação que dimana da Fonte Criadora, consciente de nossa intrínseca falibilidade humana, embora sejamos, em essência, primorosas expressões da Arte Cósmica, incessantemente amadas pelo Senhor de toda a Criação.
O problema não está no amor e sim na forma de amar;
A decepção não está no amor e sim em quem escolhemos amar;
A desilusão não está no amor e sim na falsa promessa de amar;
A frustração não está no amor e sim na grande expectativa de amar;
A consumação não está no amor e sim na falta de reciprocidade de amar.
Mulher combina com flor, pelo seu cheiro e seu amor;
Combina com luz, pelo brilho que produz;
Cheia de talentos e qualidades, dotada de força e vitalidade;
Transforma tudo com sua mão, conquista a todos com seu coração;
Sentimentos mais puros que transmite, não há nada que a limite.
É a sua parceria que me faz ser seu parceiro;
É o seu amor que me leva a te amar;
É a sua amizade que me torna seu amigo;
É o seu respeito que me motiva a te respeitar;
É o seu carinho que me deixa carinhoso com você;
É o seu companheirismo que me impulsiona a ser seu companheiro;
É a sua reciprocidade que me move a minha!
Todo dia é seu!
Todo amor é seu!
Toda gratidão é sua!
Todo respeito é seu!
Todo prazer é meu, por ser filho seu!
A nossa fraqueza não muda a escolha de Deus;
O nosso erro não anula o amor do Pai;
A nossa prepotência não altera o cuidado do Rei;
A nossa negligência não modifica a atenção do Consolador;
O nosso egoísmo não interfere no perdão do Salvador.
A paixão intensa de antes, vem acompanhada da insegurança;
O amor sólido de agora, vem acompanhado da confiança;
A paixão traz consigo as loucuras da emoção;
O amor traz consigo as decisões da razão;
A paixão enfatiza os momentos do hoje;
O amor planeja os momentos do amanhã;
A paixão preza pelas surpresas materiais;
O amor prioriza as demonstrações sentimentais;
A paixão busca sempre impressionar;
O amor quer sempre conquistar;
A paixão se preocupa em encher os olhos;
O amor pretende ocupar o coração.
A Amizade é a alma gémea do Amor.
Seguem caminhos diferentes, mas com objectivos idênticos: encontrar a humanidade.
— O que é o Amor?
— Amor é: a minha mortalidade humana unificada à imortalidade do que sinto por ti.
Amor Sem Ordem Alfabética.
Gosto quando observas a minha invisibilidade.
Gosto quando me respiras debaixo de água.
Gosto quando fazes barulho com o teu silêncio.
Gosto quando iluminas o escuro do meu poema.
Gosto quando as nossas feridas escorrem Amor.
Sinto este apocalíptico amor
cerzido em carne viva
no tecido transparente do osso
submetido a formas anatómicas
irremediavelmente inviolável.
É assim que
eu quero estar contigo
a contemplar o nada
e atordoados pelo amor,
do nada, construímos
o nosso interno mundo.
Caminho do Amor
No sabor salgado da pele
molhada de coral e algas
transparece a colorida emoção
salpicada de búzios que abraçam o vento.
Nos areais e enseadas luarentas
deposito a minha alma no teu colo
refresco-me na tua boca
bebo o teu sentir de mim.
Mãos percorrem gemidos arfantes
navios naufragados adormecem
nos teus olhos em ecos de sal
o ar respira as entranhas do sossego.
Abismo opaco pula segredos
escondidos no vazio causticante do medo
onde os mais humanos não sucumbem
e fielmente seguem o caminho do Amor.
Fomos Todas as Partes do Amor.
A manhã fugiu da minha boca
para a tua boca.
A tarde pulou das minhas pupilas
para as tuas pupilas.
A noite voluptuou-se do meu corpo
para o teu corpo.
Nesta constante dupla infusão
fomos todas as partes do Amor.
E no peito das nossas almas
existe uma certeza: em todas as vidas.
Guitarra à Luz de Velas
O amor é uma nua canção
dividida em curtos fados
pela súmula pulsante do coração
que se ouve nos mares cansados.
No estreito silêncio das flores
murmura o pólen das pétalas
desfolhadas pelos acordes indolores
no rosto duma guitarra à luz de velas.
As arcadas cegam os claustros
que sustêm as paredes calcinadas
das celestes melodias dos astros
cantadas no sangue da madrugada .
Move-se pelo esquecido poema
a voz calada do poeta
propaga a luz verbal do fonema
na elíptica cauda do cometa.
Mar Ferido de Amor
O refluxo de correntes e marés
em vagas esbatidas pelos ventos.
Nas amplitudes frágeis dos horizontes
cega-se o corpo em espuma de sal
na entrega absoluta do mar ao luar
onde naufragam as almas aos céus.
Remos que remam a distância
em louvor às entranhas do silêncio.
Navegam as sentinelas dos astros
no nevoeiro insípido e rouco:
chora este mar ferido de amor.
Depositando o seu pranto nos areais
e regressa ao mergulho profundo
das suas lágrimas.
Geologia do Amor
Na tua pele arde a minha boca
no meu palato arde a tua sede
e nos nossos corações
corre a confluência
de duas placas tectónicas
situadas na geologia do amor.
