Poemas sobre o Mar

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A tristeza é um mar calmo onde a gente pode afundar sem fazer barulho, deixando que a pressão da água nos abrace até que não sintamos mais o frio da superfície. É um refúgio perigoso, um abraço de ferro que nos protege do mundo ao custo de nos tirar o ar.

Como uma panela de pressão enterrada sob o mar — mestra em enganar pelo silêncio —, o magma acumula seus gases — até que o eco de Krakatoa faça a terra gritar a fúria do seu poder.
Reno Fioraso

O mar não está morto; a morte é um paradigma de vida que contempla aquilo que não foi esquecido.
Reno Fioraso

Era como se o mar, com seus infinitos, lhe desse um alívio de sair daquele mundo.

Mia Couto
Terra sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

Orixá é dentro, Não é fora... Orixá sou eu, é você, é a folha, é o rio, é o mar... Orixá é o planeta. O planeta é um Orixá, ...O planeta é um ser vivo! Orixá é a nossa cabeça tranquila, Orixá são as nossas mãos limpas! (Orixá é o pensamento-vontade do Criador que fica vivo pra sempre!)

Gabiróba, o sapinho mochileiro acreditava que a amizade era uma rocha que se projetava no mar de magias do antigo reino sapo. Ele ria dessa ideia e dizia que se tivesse o poder de impedir as ondas desse mar de partir para o oceano de dúvidas impediria. Pois com elas o medo avançava ano a ano sobre a terra fértil da sua limitada mente sapo desde que chegara nessa estrada sem fim que é a vida de quem é ansioso como um noivo espera que encontre o sentido, e que ele seja bom e generoso.
Gabiroba via a terra, a boa terra da esperança se desmanchar no atrito das ondas do mar de dúvidas, via os longos braços de areia áspera e alcalina que segurava na praia a fúria do oceano de raivas. Quando o brilho do sol partia na tarde vermelhada ele contemplava a paisagem brilhante dourada do futuro e se animava a fazer uma caminhada para alcança-lo. O céu iluminado pela lua brilhava nas águas salgadas e refletia toda sua história de pérolas e jóias de uma vida predestinada a ser um simples sapo mochileiro nesse universo de sapaiadas, desde o dia em que sua mãe sapa anunciou: "Estou grávida". Assim nascia Gabiroba, o sapinho mochileiro trazendo em seus pensamentos um universo mágico de valiosas jóias que jamais seriam usada, seus olhos eram como pedras estreladas refletidas pelo brilho do céu escurecido da noite calma, mas acordou na chuva e eles pareciam opacos sem brilho, desde que as dúvidas começaram a percorrer o seu caminho.

Toda areia da praia já foi rochedo altivo, que ousou enfrentar o mar.
Hoje, desfeito em grãos, é pisado por todos. E o mar permanece — MAR.

O coração é um navio que insiste em navegar para além do horizonte, mesmo sabendo que o mar termina em abismo; mas é na vertigem dessa travessia impossível que a vida se torna poema.

O mar pune o homem que busca voltar ao lar, pois o coração sabe que o verdadeiro exílio não é a distância da pátria, mas o despertar da ilusão de que pertencemos a algum lugar.
Reno Fioraso

Banho de mar, sal na pele, alma lavada, energia renovada. Não sei quantas vezes já me emocionei ao falar do mar e nem quantas vezes já escrevi versos para ele ao longo da minha jornada. Eu olho para ele em toda a sua imensidão, me pergunto como pode ocorrer tantas mudanças, um processo contínuo de ciclos intermináveis naquele mesmo local, e ainda assim, continuar tão belo.
Sempre tivemos uma conexão profunda desde criança, era olhar para ele e correr para um abraço. Hoje adulta morro de saudade, me emociono em nossos reencontros e despedidas, me conecto com ele sabendo a hora certa de entrar, de apreciar, mas sempre me despeço ao sair e refaço a promessa de que nós não viveremos longe um do outro para sempre!

O teu coração tem sabor a mar, a tua alma tem o perfume da floresta e o teu corpo é poesia naufragada no meu corpo.

O mar para mim dissolve a ilusão de fronteira entre o que sou e o que contemplo.

O mar e o céu são dois silêncios diferentes: um que nos chama, outro que nos observa.

No impossível mais azul do nada, onde o abstrato se desfaz em si mesmo sem eco ou sombra, o mar engole o tempo como um pássaro que não voa, mas devora horizontes inteiros. Ondas de eternidade se entrelaçam em penas de relógio derretido, e o agora se afoga em plumas salgadas, levando embora os venenos da alma humana; invejas que se evaporam em espuma quântica, ódios que viram conchas vazias girando no vórtice do nunca. Pássaros sem corpo, feitos de minutos partidos, alçam os males do mundo em asas de esquecimento: guerras que pesam como nuvens de sal, tristezas que caem como gotas de ontem, tudo arrastado para o abismo onde o mar e o tempo se beijam em silêncio impossível. Ali, no núcleo do intangível, o mal se desfaz em nada, e o mundo renasce leve, como um voo que nunca pousa.

Deus removeu o mar para você passar, mas manteve os gigantes para você crescer. O milagre te tira da servidão, mas a batalha te tira da mediocridade.⁠

A vida é como o mar: as vezes calma, as vezes agitada, mas sempre profunda e cheia de mistérios .⁠

⁠Insistir em algo que lhe destrói é o mesmo que entrar num mar bravio, tempestuoso, sem saber nadar ou colete para, quem sabe, evitar sua morte.

O Novo Mundo não passa de um mar de promessas onde cada alma busca sua própria ilha, sem notar que o silêncio de Roanoke é o eco do nosso eterno desejo de desaparecer, apenas para recomeçar no instante em que nasce uma nova Virgínia.
Reno Fioraso

⁠Em meio ao mar de inseguranças, eu continuo navegando; por isso o barco que eu navego se chama Resiliência.

E se viver muito não for viver que nem o profundo do mar? De que vale sorrir todos os dias, se o teu sorriso jamais encontrou a verdade? Há vidas longas que nunca despertam, e momentos breves que desafiam a eternidade. Talvez o tempo não peça pressa, mas sim sentido; não na quantidade de dias, mas na coragem de encarar as próprias sombras