Poemas sobre a Temporalidade da Vida

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Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
eu me inclino,
e ali,
sem ruído algum,
tua palavra me atravessa
como raio de luz.


E me descubro,
não como quem observa,
mas como quem pertence
à mesma língua muda
que o vento sussurra
e as folhas compreendem.


Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
reflito-me na tua palavra.


E, nesse instante suspenso,
sou menos voz
e mais escuta,
menos forma
e mais essência.


Como se, em ti,
eu me lembrasse
daquilo que sempre fui
antes de me dizer.
✍©️@MiriamDaCosta

Há diálogos que não florescem,
porque uma das partes
já plantou certeza em solo raso.


Como falar de horizontes
a quem se prende
a um único ponto de vista
e nele finca, irrevogável,
o seu veredito?
✍©️@MiriamDaCosta

Sei por onde ir.
As folhas coloridas
do meu outono
enveredam,
ímãs perfumados
de poesia,
na bússola
do meu caminhar.
✍©️@MiriamDaCosta

Vivemos em um tempo
onde o fator determinante
é a banalização de tudo e de todos,
o próprio ser humano se propõe,
se exibe e se divulga como um ser banal.

🖋 @MiriamDaCosta

Oh, Itaipu!
reconheço as raízes profundas
dos meus pés
entre o vosso mar, vossa lagoa,
vossas dunas, ilhas e igarapés.


Os meus passos eu sei de cor
nesse sereno andejar a compor
o meu singrar o tempo,
o vento e o sol
mansamente a se pôr...


Oh, Itaipu!
Em vós reconheço
que o movimento dos meus pés
não são passos,
são raízes que caminham.


Entre o vosso mar salgado
de eternidades,
a lagoa que espelha silêncios,
as dunas que guardam
segredos do vento,
as ilhas que flutuam
como pensamentos antigos
e os igarapés que sussurram histórias
que só a poesia da terra entende...
eu me reconheço.


Os meus passos, eu sei de cor,
não porque os decorei,
mas porque fui escrita por eles.


Nesse sereno andejar
que me atravessa,
vou compondo o que sou
com o que me antecede.


E singro,
não apenas o tempo,
mas o sopro invisível das horas,
o vento que me desarruma e arruma
inteira por dentro,
e esse sol que, ao se pôr,
não morre,
me dissolve em serena luz.


Oh, Itaipu!
Há raízes nos meus pés
que só em ti reconhecem
o seu lugar.


Entre o mar, a lagoa,
as dunas que respiram
e os caminhos de água
que murmuram,
eu caminho lentamente,
como quem se escuta.


Sei de cor os meus passos
(versos tatuados de brisa e areia),
porque eles já me conheciam
antes mesmo de eu existir.


E nesse manso caminhar,
vou singrando o tempo,
o vento
e o sol que se despede,
como quem aprende,
em silêncio, a pertencer
mais do que já pertence.


Óh! Itaipu!
Posso até distanciar-me de vós,
mas nunca serás distante de mim.
✍©️ @MiriamDaCosta

A herança da humanidade
é a loucura.


O deus da humanidade
é a ignorância.


A religião da humanidade
é a hipocrisia.


A política da humanidade
é a indiferença.


A essência da humanidade
é a solidão.
✍©️@MiriamDaCosta

Oh! Oceano Atlântico!
Que feitiço é esse
que me invade por dentro
quando fecho os olhos
e respiro as Vossas ondas
como se fossem pulmões antigos
que já foram meus?


Há uma saudade líquida
escorrendo nas minhas veias,
um eflúvio salgado
de tudo o que fui
antes de ser corpo.


Oh! Oceano Atlântico!
E quando abro os olhos,
não sou eu quem vê,
é o mar que transborda
em mim.


Minha boca verte maresia,
meus versos nascem úmidos,
e há uma serenidade funda, abissal,
que me acalma como quem reconhece
o próprio berço.


Eu sei,
Vós sabeis,
não há distância entre nós,


a minha alma
não apenas é bordada,
ela é tecida, encharcada,
entalhada
com o Vosso sal.
✍©️@MiriamDaCosta

Os brasileiros antipatriotas
são os maiores inimigos
da Nação.
✍©️@MiriamDaCosta

A Senhora Inspiração


Pedi à senhora Inspiração
para guiar a minha escritura
e me fazer escrever algo belo,
profundo, marcante e visceral.


Ela me respondeu que
não é serva de vaidades apressadas,
nem ornamento para desejos de grandeza.


Disse-me, com a calma
de quem conhece o tempo,


que o belo não se pede,
revela-se.


Que o profundo não se inventa,
escava-se.


Que o marcante não se força,
atravessa.


E o visceral?!
ah, o visceral,
não se escreve com canetas ou teclas,
mas com aquilo que pulsa
e que sangra no âmago.


Então, pediu-me silêncio.


Mandou-me despir as palavras
fáceis e corriqueiras,
abandonar os enfeites,
e descer, sem garantias,
à parte de mim
onde nem eu ouso permanecer.


“Escreve dali”, ela disse.


“Do lugar onde a dor não se explica,
onde a memória não pede licença,
onde a verdade não aceita maquiagem.”


"Escreve olhando nos olhos
a inata escritora que és."


E partiu,
como partem as coisas sagradas,
sem ruído,
sem promessa,
sem retorno marcado.


Desde então,
Ela vai e vem... vem e vai...
como as ondas do mar.


E eu,
não peço mais nada à senhora Inspiração,
simplesmente, sigo obedecendo-a.


"Manda quem,
obedece quem tem juízo. "


Escrevo para ser inteira.


Simplesmente, escrevo com a alma.
©️✍@MiriamDaCosta

Minhas mãos nasceram para amar a terra ❤

Cuidar da terra é um gesto de fé,
é como entoar orações
e seguir rituais ...

Retirar, com paciência e delicadeza,
o que impede a vida de respirar
(as ervas daninhas...),
oferecer alimento , nutrientes
(adubo e fertilizantes...)
lançar sementes ao solo
e confiar no tempo
( o senhor da sabedoria...).

Regar com presença,
proteger com ternura,
aceitar o ritmo das estações,
as vontades do céu
e os ciclos da terra.

E então…
um dia,
quase em segredo,
silenciosamente
e com imensa generosidade
a vida responde...

germina, cresce,
floresce e frutifica lentamente,
como quem agradece
ao cuidado que a chamou
para existir e nutrir.

©️✍@MiriamDaCosta

Se algum dia
eu envelhecer suavemente,
ou se, por alguma razão precoce,
a memória se dissipar
como névoa ao amanhecer,
se eu esquecer nomes, rostos
e até mesmo a mim…


Ainda assim,
minha memória
não estará perdida.


Ela apenas
terá recolhido o corpo
para repousar em silêncio,
entre os vales coloridos,
as montanhas verdejantes
e o mar sereno
da minhalma poética.


Ali, ela se banhará tranquila
nas águas mansas das palavras,
recebendo o perfume,
a maresia nas ondas infinitas
dos meus versos.


E ficará livre,
plena,
acolhida no abrigo íntimo
do seu próprio âmago.
©️✍@MiriamDaCosta

A semana dita "santa"


Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.


Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.


Eu olho,
e não vejo santidade.


Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.


Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.


Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.


E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?


Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?


Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.


Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.


Mas eu não consigo.


Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.


Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.


Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.


Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta

A arte e a poesia, em geral, são criações destinadas a serem interpretadas dentro do universo da sensibilidade e da subjetividade de cada indivíduo.
E esse universo, por vezes, pode estar restrito às próprias limitações cognitivas e emocionais.


A arte e a poesia são expressões humanamente divinas que, antes de tudo, precisam ser sentidas no processo íntimo da interpretação individual.
Infelizmente, nem todos possuem essa prerrogativa.


Muitos preferem, antes mesmo de tentar compreendê-las, criticá-las e condená-las como aberrações,
quando, na verdade, é nelas que se veem refletidos.


Afinal… a humanidade, desde os tempos mais remotos, no cotidiano de sua própria realidade, o que é senão uma sucessão de contradições, excessos e deformidades?


A arte e a poesia sobrevivem justamente por isso,
porque testemunham.


Um exemplo histórico dessa incompreensão diante da criação artística é o quadro
#Guernica, de #PabloPicasso,
uma obra que, ao escancarar a dor e a brutalidade humanas, foi por muitos rejeitada,
não por falta de significado,
mas por excesso de verdade.
✍©️@MiriamDaCosta

Os direitistas, bolsonaristas e afins...
fizeram de tudo para condenar e prender ( baseados em convicções) o Lula.


Agora, fazem de tudo para blindar/proteger ( mesmo com evidências de provas)
os seus comparsas/aliados.


Fizeram tribunal de convicções
ergueram sentenças no ar rarefeito
onde provas eram dispensáveis
e certezas… bastavam.


Apontaram dedos em riste,
vestidos de moral emprestada,
gritaram justiça
como quem grita guerra.


E guerrearam.
Condenaram antes do tempo,
antes da prova,
antes da verdade,
porque a pressa
sempre foi inimiga da lucidez.


Agora…
diante dos seus,
das suas próprias sombras
projetadas no chão da história,
erguem escudos,
costuram silêncios,
inventam dúvidas
onde as evidências gritam.


A régua entorta,
a balança pende,
e a justiça,
essa palavra tão usada,
vira apenas instrumento
de conveniência.


Não era sobre justiça,
nunca foi.
Era sobre lado.
Era sobre poder.


Era sobre quem pode
e quem não pode
ser julgado.


E assim,
entre convicções e provas,
a verdade segue,
não absolvida,
não condenada,
apenas…
blindada
e adiada.


✍©️@MiriamDaCosta

Ritos e contradições...


Dizem que na Semana Santa
não pode comer carne,
é pecado.


Mas nos outros dias,
fica liberado
devorar o outro
em fatias de indiferença,
temperadas com egoísmo
e servidas frias
na mesa da conveniência.


Na Sexta-feira santa,
o prato é vigiado,
mas a língua,
essa continua afiada,
cortando, ferindo, julgando
sem qualquer jejum.


O corpo se abstém,
mas a consciência…
segue em jejum
o ano inteiro.


E na crueldade das torturas
que se perpetuam,
não há silêncio,
não há luto,
não há penitência.


Que curioso ritual esse
que santifica o cardápio
e absolve a crueldade cotidiana.


Talvez o verdadeiro pecado
não esteja na carne
que se come...


mas na humanidade
que se deixa de exercer.


✍©️@MiriamDaCosta

Ventos outonais


O Outono vem embarcando
no ùtero da estação
dos meus versos,


e eu ...
lentamente,
vou caminhando
e sangrando poesia
entre os ventos
orvalhados de folhas,
galhos, espinhos,
pétalas e sementes...


e me deslumbro
cada vez mais
com toda a nudez poética
dos roseirais,
arbustos e àrvores
do meu ser ...


Sou filha do Outono
ovulando Primavera.


✍©️@MiriamDaCosta

O oásis silencioso


A praia completamente desnudada
da caótica presença humana
é um dos meus oásis.


Ali,
o vento não disputa espaço com vozes,
nem o mar precisa gritar
para ser ouvido.


A areia repousa em sua própria epiderme,
sem marcas de exibicionismo e vaidade,
sem rastros de pressa, gritaria e estresse.


E eu,
descalça de rumores do mundo,
finalmente me reconheço
na vastidão simples
de existir em simbiose com Ele,
o mar.


✍©️@MiriamDaCosta

A poesia é a ambrosia
que me faz extasiar
com a divindade
do viver.
✍©️@MiriamDaCosta

Umbral Park


As pessoas temem o umbral
como se fosse um abismo distante,
um território sombrio reservado
aos que “caíram”.


Mas caminham, distraídas,
por corredores de um mundo
onde a luz é fachada
e a sombra é norma.


Vivem em um parque temático
de ilusões e crueldades sutis,
um Umbral Park
onde a dor é naturalizada,
a indiferença é entretenimento
e a consciência… opcional.


Aqui,
fantasmas vestem carne,
e muitos corpos
já não abrigam presença alguma.


Temem o pós-morte,
mas não percebem
a morte em vida
que respiram todos os dias.


E assim seguem,
comprando ingressos para o próprio esquecimento,
sorrindo nas filas do absurdo,
sem notar
que o verdadeiro umbral
não é para onde vão…


é onde já estão.
✍©️@MiriamDaCosta

Um talento, quando sufocado
pelo excesso
ou abandonado ao ócio,
definha em rotina.


Mas, quando dança
no equilíbrio entre ambos,
deixa de ser vício ou inércia
e se revela
plena virtude viva,
pulsante, consciente.
✍©️@MiriamDaCosta