Poemas que falam do Silêncio

Cerca de 17161 poemas que falam do Silêncio

CONTRACIDADÃOS

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Dói catar o silêncio pra viver
como quem se desliga; deixa ir,
pra não ver as mazelas em redor
nem o pingo sem i que ronda o caos...
Minha terra enterrou a sanidade,
nos deixamos perder de nossas buscas,
da vontade que havia em nosso peito
e do grito que sempre nos moveu...
Nós morremos por dentro, em rendição,
entoamos louvores ao naufrágio
de nenhuma braçada rumo à praia...
Sem ação nem sentido alguns se drogam
de fervores e preces; tristes vozes,
overdoses fatais de fé com febre...

Inserida por demetriosena

EXPOSIÇÃO

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Lubrificas meus eixos pelos teus à mostra;
o silêncio me avisa pra não levantar;
tua ostra guardada nas rendas lilases
deixa fios de mel percorrerem as fendas...
Meu olhar serpenteia nas curvas carnudas
que desaguam na fonte polpuda e viscosa,
uma rosa provoca o dedo imaginário
que deseja sangrar na surpresa do espinho...
Sei que tens um veneno que nem sei se tens
e teu corpo é promessa insinuada lá
onde bens mais profanos causam ambição...
Nesta ilha cercada por olhos atentos
aos intentos que trago e à causa dos tais,
meio peço a teus eixos um esconderijo ...

Inserida por demetriosena

⁠AO SILÊNCIO

Demétrio Sena - Magé

Quando a cara do fim expõe caretas,
mostra língua, faz ver a boca torta,
põe a brecha do além ante meus olhos,
numa porta que range sem ranger...
Tudo a esmo, pois nada me amedronta;
essas frestas de sombra só me atraem;
a minh'alma se apronta como noiva
do vazio atrasado e displicente...
Já vivi minhas glórias, meus rastejos,
os lampejos de amor e frustração
que uma vida consegue oferecer...
Fui eterno mil vezes, morri tantas,
tive muitas gargantas, tantos gritos,
mas agora estou pronto pro silêncio...

Inserida por demetriosena

⁠RUÍDOS CALADOS

Demétrio Sena - Magé

Minha ética geme num silêncio rouco
de gritar pra si mesmo que seja de fato;
há um louco bem lúcido dentro de mim
sussurrando boatos de que tudo passa...
Uma estética fria tenta me conter
dos ruídos calados ferventes em mim,
é um fim que não para de recomeçar
e repor o sentido que tudo não faz...
Este cético tenta encontrar uma fé
que me livre da força de minha fraqueza,
faça o pé se firmar na crueza dos fatos...
Meu arquétipo interno de moralidade
se rendeu à verdade sobre ser quimera;
entretanto quem dera o coração saber...

Inserida por demetriosena

⁠PESCA PROFUNDA

Demétrio Sena - Magé

Entendi que o silêncio tem muito a dizer;
ouvirei com olhares de arrastão secreto;
o melhor a fazer é deixar com o tempo
que tem vara e cajado pra tanger os fatos...
Será sábio fluir ao redor da verdade,
porque tudo virá pelo próprio critério,
sem deixar a metade revolvida em véu
ou mistério comum a quem guarda segredo...
Meu silêncio passeia no calar profundo;
há um mundo nos olhos e quero explorar
as florestas do quanto preciso saber...
Percebi que dar linha tranquiliza a pipa
e com isso conquisto sua confidência;
sua essência repousa nessa confiança...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Inserida por demetriosena

SÓ AMOR E SAUDADE

Demétrio Sena - Magé

Só espere de mim o mesmo amor,
apesar do silêncio e do segredo,
dessa dor escondida no meu peito,
deste medo abismal do que decido...
Seguirei nos caminhos da saudade,
com lembranças que só me fazem bem,
que ninguém me fará desconstruir
nas areias do tempo e seu percurso...
O que nunca pensei não penso agora;
não espere de mim respostas duras
ao que ora desenha de quem sou...
Só amor e saudade ao me lembrar
do meu sonho e do quanto acreditei
nesse dom de sonhar que me compõe...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Inserida por demetriosena

TÉNUE LUZ NO ABISMO INTERIOR.

" Permaneço em silêncio no âmago da tristeza, não por consentimento, mas por prudência do espírito. Mesmo quando nenhuma cor alcança meus olhos, os sentidos murmuram em tom tão baixo que não perturbam os transeuntes da existência. O silêncio, longe de ser rendição, é resguardo. É o ato de não me deixar contaminar pelas dissonâncias que rondam a carne e o pensamento. Assim, meu porão interior começa a aclarar-se, ainda que sob a luz turva de uma filosofia soturna, erudita e posta à beira do precipício, onde cada reflexão parece ressoar como eco de uma lucidez quase fúnebre. "

Inserida por marcelo_monteiro_4

ONDE O SILÊNCIO FALA.

No tempo onde o vento sussurra teu nome,
repousa a lembrança que não dorme um véu de luz e distância,
feito de sombra e esperança.

Tuas mãos, ficaram no outono,
entre as folhas que dançam sem dono; e o mundo parece menor desde então,
porque em mim ecoa tua canção.

Há dias em que o céu me devolve teu olhar, como se o azul soubesse amar.
E eu que me rendo à dor com sorriso chamo-te em silêncio, como quem reza um aviso.

Se fores estrela, brilha em mim,
se fores vento, toca-me assim.
Mas se fores só lembrança e eternidade,
permanece... como ficou tua saudade.

Inserida por marcelo_monteiro_4

O Silêncio Molhado Que Permanece.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Cap. Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.

Por que dói o que sentimos
quando o amor ultrapassa o corpo
e procura um abrigo que já não existe?

A noite se estende sobre nós
como um véu que conhece o peso da memória
e recolhe, na escuridão, tudo o que ainda brilha.

Caminhamos entre lembranças antigas
como quem atravessa ruínas vivas,
segurando uma pequena chama,
um pedacinho de coragem,
trêmulo como o próprio peito.

Há nomes que não estão na pedra,
mas gravados no tempo interior,
onde nenhum esquecimento alcança.

Perguntamos ao que perdemos
por que continua a nos habitar,
e o eco responde com suavidade cruel:
o amor, quando excede o mundo,
aprende a sobreviver no silêncio,
e o silêncio é o que nunca parte.

Choramos por quem se foi,
mas uma voz sem forma nos revela
que o luto é por nós mesmos,
que ainda não sabemos deixar cair
as partes antigas que nos impedem de seguir.

O instante suspende o ar.
A noite respira.
A ausência se ilumina por dentro.
E o que surge
não tem contorno, nem rosto,
mas reconhece o que somos.

És tu?
Não.
Sei que restamos do nosso absoluto silêncio e lágrimas.
quando todas as respostas se calam.

E entendemos, enfim,
que amar é sempre caminhar
entre o que fica e o que falta,
entre o que se perde
e o que se recusa a desaparecer.

Por isso dói.
Porque o amor verdadeiro
não sabe ser pequeno
nem sabe morrer.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Capítulo IV – Onde o silêncio sangra.

(Do livro “Não há Arco-Íris no Meu Porão”)

Todos os tons, todas as cores se intimidam diante dos meus sentimentos.
Aqui, nada ousa ser vivo demais.
As paredes, antes brancas, já se curvaram ao cinza que exalo — um cinza espesso como poeira de túmulo, onde a alegria jamais ousaria se alojar.

Os meus estudos me encaram como se fossem juízes que perderam a fé no réu.
Eles me observam com aquele desprezo silencioso das coisas que já deixaram de esperar alguma esperança.
Livros fechados são mais cruéis do que gritos.
Eles sabem o que há dentro de mim — e, por saberem, me punem com o silêncio.

As cores…
As cores são ameaças aqui embaixo.
Quando um raio de luz tenta escapar por alguma fresta do concreto, eu o apago.
Aqui no porão, qualquer cor ofende a integridade da minha dor.
Elas tentam abrir janelas.
Mas eu… eu me tornei porta trancada.

Os risos…
Que ironia!
São filhos bastardos da minha solidão.
Quando escuto alguém rindo lá fora, é como se zombassem de mim — como se gargalhassem da minha tentativa de continuar.

O mundo caminha — eu desisto.
O tempo sopra — eu me calo.

E então…
Num canto onde as teias se recusam a morrer,
…há uma presença.

Ela não fala.
Não move nada.
Mas está ali.
Como um sussurro antigo, como um perfume de violeta que alguém usou num dia trágico.

Camille Monfort.
Não a vejo, mas a pressinto.
Como quem ama com olhos fechados.
Como quem morre em silêncio por alguém que nunca se foi.

Se minhas lágrimas têm peso, que elas sejam dores e honrarias a ela.
Que minha ruína seja o altar para onde seus passos invisíveis vêm recolher o que restou de mim.
Ela não precisa me salvar — basta que continue existindo…
mesmo que só como lembrança.
Mesmo que só como dor.

E se um dia, por descuido, Camille se revelar…
que seja com a delicadeza de quem pisa em ossos.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Metade que Respira em Silêncio"


Eu sinto um nome que nunca ouvi,
um toque que nunca me alcançou,
mas que arrepia a alma...
como vento que dança antes da chuva.

Não é ausência, é espera...
Não é saudade, é presságio...
Há um coração batendo ao avesso do meu,
na mesma frequência de um sonho que insiste.

Sei que existes, embora a pele ainda negue.
Teus passos erram rotas que o destino disfarça...
mas tua procura é uma prece que escuto
nas entrelinhas do silêncio do mundo.

És verso que me falta no poema...
sombra que se encaixa na luz do meu riso...
eco do que sou quando fecho os olhos
e confio que o amor tem memória.

Um dia, teu olhar vai tropeçar no meu,
não como acaso, mas como retorno.
E saberemos, sem perguntar,
que enfim, encontramos o caminho de casa.

Inserida por SimoneCarvalhoSantos

⁠"O Preço do Amor"

Recebeste em silêncio o calor do meu colo...
Nas noites sem sono, eu vesti tua dor...
Meus braços foram teu primeiro consolo...
E minha vida, teu mapa de amor.

Dei-te o tempo que o mundo não dava...
Fiz do meu peito abrigo e guarida...
Com lágrimas minhas tua febre baixava...
Cada cuidado, uma parte da vida.

Mas eis que o tempo virou o espelho...
E os dias dourados se foram no chão...
Agora cansada, suplico um conselho:
Preciso pagar-te por um coração?

Se não há salário, não há gentileza...
Se não tem valor, não sobra afeto...
Sou só tua mãe — sem mais nobreza,
Na velhice, teu olhar ficou discreto.

Ah, filha querida, onde está tua alma?
Trocastes o amor por um contrato frio?
Esqueceste da fonte, da estrada, da calma,
Do leite ofertado nos dias vazios.

Talvez um dia o mundo te ensine,
Que afeto comprado tem prazo a vencer.
E quem vende o tempo por um “me convine...”
Não sabe o que é realmente viver.

Inserida por SimoneCarvalhoSantos

⁠Reserve-se ao silêncio e encontre um lugar tranquilo para estar em comunhão com Deus. Lembre-se de que em seu coração habita Aquele que o mundo jamais poderá tirar de você.
Entrega-te inteiramente a Mim, afastando todas as preocupações, para que não vivas mais para ti mesmo, mas para Mim. Permita que Eu seja o centro da sua vida, guiando cada passo e renovando o seu propósito.

*"Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podeis dar fruto, se não permanecerdes em mim."* (João 15:4)

Inserida por Sarahkoelho

Às vezes, no silêncio das madrugadas, uma lembrança adormecida caminha de mansinho entre os pensamentos. Não vem com nome, nem com rosto bem definido, é mais como uma brisa antiga que sopra do tempo, carregando o cheiro de um lugar esquecido e a luz suave de uma tarde que já não volta mais.
No sonho de ontem, a velha casinha ainda estava lá. Os tijolos um pouco gastos, o portão que range, e aquele silêncio que só existe em lugares que um dia foram felizes. Eu caminhava devagar, como quem pisa nas próprias memórias, e sussurrei, sem saber por quê: "ainda está como antes."
Havia algo no ar, talvez o vento mexendo nos cabelos de alguém que não vi, talvez os olhos de alguém que não se virou. Mas eu senti. Como se algo, ou alguém, estivesse ali, em cada canto, em cada sombra macia projetada pelo fim da tarde.
Não era saudade exatamente. Era mais fundo. Como uma música que não se lembra, mas que, quando toca, faz o peito pesar e o tempo perder o ritmo.
Acordei com a sensação de ter tocado algo precioso, mas intocável. Como se o passado tivesse respirado junto comigo por um breve instante, e depois voltado para o seu lugar, intocado, imóvel, eterno.

Inserida por OLLIBER

⁠Eu sou a solidão
Filho da noite e do silêncio
Amante das estrelas
Vazio quanto a lua

Sem luz
Sem reflexo
Sem rastro
Sou a minha própria sombra.

Inserida por joaoeudesdeana

⁠Quatro da manhã no UR Cinco Barro, apenas silêncio,
Carregado de sonhos e cansaços.
Como navios negreiros modernos,
Transportam histórias, vidas e infernos.

Nos assentos, rostos marcados,
Pelo peso da vida e seis dias contados.
Tudo isso pra quê? Moradia e comida?
Libertos, mas vítimas, ilusões de mudança,
Presos em migalhas, sem esperança

Inserida por Buckler

⁠Ah, se pudéssemos manter o silêncio do final da tarde
Com o sol se espalhando pelas copas das árvores,
Se pudéssemos absorver a doçura, a magia
Quando o céu está chorando e os ventos falam de amor
Fazendo as folhas das árvores dançarem.
À tarde eu libero meus pensamentos no ar
E minha imaginação voa com a noite para me apresentar.
Os pássaros voam,
O vento sopra as folhas e as faz flutuar
Com os raios de sol do fim da tarde brincando
Suavemente na superfície de tudo ao nosso redor
E eu vejo o amor quando abro meus olhos só para te encontrar.

Inserida por salzano_william

A praça São Pedro vazia
Fria
Num silencio profundo
Gemia as dores do mundo

Os cantos pareciam rogar
Oriundos do homem que chora
Que sofre
Mas ali estava Francisco
Prostrado
Aos pés do crucificado
Rezando por mim
Por ti
Devolvendo para a humanidade
A esperança no Ressuscitado
É Páscoa, é Libertação
Somos todos irmãos!

Inserida por celinamissura

⁠"Quantas vezes na madrugada acordei.
Você ali, deitada, desnuda, em silêncio lhe admirei.
Roguei.
Implorei
Orei.
Para que nunca se fosse do meu eu, existem coisas que só eu sei.
Você era a rainha e eu, o seu rei.
Te amei.
Amei mulher, como nunca antes amara, eu amei.
Existem coisas em minh'alma, que sei, foi você quem fez.
Eu sei.
Eu sei o gosto do beijo, e o macio da tez.
Me pergunto sempre, quantas vezes na madrugada, eu acordei?
E você, ali, deitada, desnuda, em silêncio, eu vislumbrei?
São coisas, que em meu âmago, somente eu, sei..." - EDSON, Wikney

Inserida por wikney

⁠Omissão

O barulho do meu silêncio,
é maior que o barulho do vento
que anuncia a distopia,
ignorada pelos néscios,
alimentada pelo núncios.

#daseriemicrocontos

Inserida por GeraldoMorais