Poemas quando eu me Amei de Verdade
O primeiro exílio de uma democracia acontece dentro da linguagem: quando a verdade passa a ser chamada de ameaça.
Quando a certeza dispensa a evidência, a fé deixa de procurar a verdade e começa a protegê-la de perguntas.
Mil palavras podem ornamentar a ignorância; uma única verdade, quando compreendida, pode despojá-la inteiramente.
A verdade raramente nasce do isolamento; muitas vezes ela começa quando duas consciências ousam discordar sem destruir a possibilidade do diálogo.
A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.
Quando uma convicção exige imunidade contra evidências, ela já não está procurando a verdade; está protegendo a própria identidade.
A verdade costuma ser ofensiva quando ainda ameaça interesses e banal quando já se tornou inofensiva.
Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.
A verdade não se encontra em um fragmento isolado da realidade; ela emerge quando conseguimos compreender o conjunto de relações que dá sentido às suas partes.
Quando uma convicção sobre a verdade deixa de ser conhecimento e passa a funcionar como instrumento de poder?
Quando a razão entra no Direito, o poder deixa de ser dono da verdade e passa a ser servo da justiça.
Nenhuma lei é verdade apenas porque foi escrita; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao tribunal da razão.
Quando uma sociedade proíbe a dúvida, ela não protege a verdade; protege o medo de descobri-la falsa.
Quando o Estado transforma uma crença em verdade oficial, a liberdade deixa de ser princípio e torna-se concessão.
Quando a realidade puder ser fabricada, a verdade deixará de ser aquilo que vemos e voltará a ser aquilo que resistiu à fabricação.
