Poemas quando eu me Amei de Verdade
Você...
Como tem coragem, de abandonar-me.
Sem ao menos te conhecer?
Que coragem você, tem!
De seguir a sua trajetória.
Sem me doar o seu amor.
Covardia, a sua!
Deixar-me com vontade de você!
Sem poder tocar a tua cicatriz.
Que amor é esse?
Que me desola.
Não me deixa na solitude.
Venha, aguardo-te.
No tempo em que o seu coração.
Espera!
A NAVALHA
Era uma vez uma navalha. Era a melhor e mais valiosa navalha do mundo. Era cobiçada por todos os colecionadores, pois tinha a lâmina mais brilhante e com o melhor corte, era afiadíssima.
Porém como toda estrela tinha suas vaidades.
Eu sou a melhor, a mais brilhante, a mais cobiçada e não posso ficar me expondo a fazer qualquer trabalho. Não posso fazer qualquer barba, ou de qualquer pessoa, tenho que me guardar para momentos especiais. E assim a navalha ficou guardada em uma caixa esperando um momento especial de sua vida para poder trabalhar.
Muitos e muitos anos se passaram e chegou o grande dia da melhor navalha do mundo ser usada e ao pegá-la estava enferrujada, velha, não tinha brilho, o seu corte estava cego, ela era inútil, não servia mais para nada, tinha que ser jogada no lixo.
Moral da História:
O que adianta ser melhor, linda, bela, cobiçada, com as melhores qualidades do mundo se você não sabe usar suas qualidades.
A navalha se preparou a vida toda para um momento especial que só chegou no fim de sua vida, e quando chegou ela estava velha e inútil.
Não aproveitou o auge de sua vida, de seu brilho, de seu melhor corte.
O tempo passou e escondida em sua mesquinhez e vaidade morreu inútil.
A vida é para ser vivida, sem medo, com luta e com fibra, com honestidade, propósito e dedicação as causas que você acredita.
O grande mistério da vida é que as vezes fraquejamos na hora de agirmos, na hora de mostrar o brilho interior, ser a melhor, como?
Mostre-se a melhor, brilhe, não tenha medo se usar a sua vida, ela está no auge, senão você vai enferrujar, envelhecer, perder o brilho, o corte e vai para o lixo, vai se tornar inútil.
JOSE FARAG DE OLIVEIRA
Música silente
Postas mãos...
brancas, taciturnas,
alvas feito Jasmim
na primavera...
Noturnas!
Nenhum toque de gaita,
à boca se desenhou.
Era o fim... Porque a canção se cansou.
Nenhum sopro... Nem tom.
Borboletas azuis pousam na tela,
voando dos pincéis, outrora em suas mãos,
e agora, voam pelos ares em procissão...
Tudo silente, emudeceu
A canção se cansou e dentro da gaita se recolheu.
Maldito amor
Maldita a hora
em que te fiz "meu amor...
" Que lancei-te "flor"
e no firmamento um canto desesperado
e te marquei
"O sempre"
da minha
pobre vida,
mas que tornou esse canto,
gemido da minha dor.
Maldito! Maldito pecado
onde minha alma sufoquei
e quase a matei
por ter -te tanto amado.
Por isso Maldito serás,
e pela eternidade
por sobre minhas lágrimas, caminharas.
Teu riso jamais
terás por paraíso.
Por que se um dia me amaste,
tua dor terás por teu único resgate.
Maldito amor!
Como um desenho na areia se perde ao encontro das ondas do mar, sinto - me o desenho, e o mar o teu olhar.
Quando vem a me abraçar, vejo nossas aureas dançando no luar
Quando com intensidade me beija, torço para que aquele momento eterno seja.
Oras como podes eu de novo me apaixonar ?
Como podes à uma pessoa meu coração em pedaços entregar?
Perguntas que me atormentam ao adormecer, contudo, sonho contigo e á desejo ao amanhecer.
Agora, desejo apenas o seu amor se assim posso dizer, ao seu lado feliz vamos nos fazer.
Nosso futuro vamos escrever, e aos maus olhados, vão nos ver juntos vencer.
Flores de hera
Por ti, na primavera
Caminhei na chuva
Em busca das flores de hera.
Mas sobre ti me enganei...
Tal qual a hera, que não produziu flores
Nem mesmo no fim da primavera.
Esse amor infértil
Também nunca me ofereceu nada
A não ser anoiteceres e madrugadas.
Nunca sozinho um ninho fez para sua amada.
Nem derramou pétalas sobre nossa cama desarrumada.
Porém, tal qual as flores de hera!
Nem um ramo me oferecia.
e nunca, nunca, a mim, tentou ser primavera.
LINHO FINO
A poesia é um eterno bordar em linho fino.
O linho são os papeis,e a caneta a agulha
e a tinta as palavras.
E bordaremos e bordaremos...
Até que um dia alguém nos tome
a agulha e a linha e os sonhos e a inspiração.
.
VIVER É FATAL
O que és tu vida? Alguém há de perguntar.
E alguém haverá de responder que é um
amontoado de borboletas sugando
as últimas gotículas de sangue do seu cadáver,
enquanto outros seres putrefadores da cadeia alimentar
aguardam sua vez para degustar o corpo que ora habitava sua alma.
Alguns preferirão logo seus olhos para interromper-lhe a visualização...
Para que não sofra com a própria destruição... Da essência ora existente.
E as fezes expelidas nos dias quentes, e também se for noite fria.
Isso é a vida... Os poros se abrindo e deixando derramar, bem devagar
o suor que outrora, umidificava o corpo para não desidratar e agora... tudo explodindo... Implodindo!
Enfim, é a vida... Fezes futuras para adubar a terra onde plantinhas nascerão sobre sua cabeça e lhe taparão os ouvidos e cobrirão sua boca para esconder o desejo das palavras que você preferiu não dizer.
Viver é estar sempre em estágio terminal! Viver é fatal!
"Em qualquer situação ou circunstância da vida, sempre haverá uma força interna que nos orienta. Concentre-se nessa força e desperte a luz da consciência. É no silêncio do seu coração que habita o sagrado"
Bira
Todos os dias vejo pessoas que acreditam no próprio potencial, investem em si mesmas, e acreditam ser coisas que na verdade não são.
E todos os dias, vejo pessoas que são aquilo que acreditam que nunca poderão ser.
E o mundo não se encarrega de dizer o quanto elas são incríveis.
Ele apenas as põe para baixo, e as faz acreditar que não são suficientes.
Madrugada
A noite se vai,
A madrugada cai
As pessoas se recolhem
em suas casa
As crianças deixam seus brinquedos
e adormecem cansadas
As luzes das ruas se acendem,
A cidade fica isolada
O sereno e a relva molha
O gramado da praça
Os andarilhos se agitam
num canto da praça
Eu me encontro encostada
num cantinho da janela
de minha casa
Onde vejo tudo calada
Minha alma vaga triste
Pelas ruas da cidade
Procuro um grande amor
Ou uma simples amizade
Amizade pode ser
Um ser humano
Ou um animalzinho
Pois não tem diferença
Pois por eles tenho carinho
Fluindo pra nova realidade emocional
Que o universo programe novas aventuras
Porque a vida, é uma aventura constante
Que caminho seja longo e preciso
Que a vida seja leve e emocionante
Que amor seja a base de tudo!
Shirlei Miriam de Souza
Devemos ter uma pausa
pra ter uma consciência interior
Libertando as ilusões do passado,
mas porque alma precisa de liberdade
Não de correntes!
Shirlei Miriam de Souza
PALÁCIO AZUL-TURQUESA
Oh, palácio azul turquesa!
Quanto tempo olharei para
Os teus vitrais
Sonharei com tuas fartas mesas
de banquetes ancestrais?
Quando ouvirei ao longe, Schumann
o menino que sonhava no jardim
Eu, pianista solitário, em busca
de um olhar a tocar em mim?
E verei as meretrizes belas,
Embaixo das suas marquises?
E meus sonhos a voar
Feito pássaros nas tuas janelas!
Oh, palácio azul turquesa...
Quando pintarei os teus vitrais?
Quando sentarei a tua mesa?
Naquele dia, o aroma estava diferente dos demais.
O sol podia ser notado por detrás da janela,
os pássaros, o vento e tudo o que era captado pela visão não era mais visto, era apreciado!
Naquele dia as vozes eram claras e doces, a gravidade era nula e seus pés não tocavam o chão, estava elevada.
Naquele dia tudo era graça, manhã, tarde, noite... os momentos não mais passageiros, agora, imortais.
O bálsamo era pura resiliência e, antes de encontrar qualquer âmago... ela havia encontrado a sua essência, no lugar mais secreto do mundo, dentro de si.
Cada vez que o aprecio, sou tomado de tamanha inspiração.
O olhar, a voz, a presença carregada de si.
De modo que acabo mais próximo de um bem maior, que me faz transcender.
A minha inspiração vai além do outro, das coisas, do espaço, ultrapassa o tempo, minha essência e, me encontra diante do espelho.
As vezes encontramos o que se é perdido no mar,
na leitura, no caminhar das ruas, nas gravuras.
Encontramos o perdido na canção,
no toque do piano, no suor que escorre da alma,
à medida que bate o coração.
As vezes encontramos o que se é perdido em alguém,
no encontro de dois corpos, num beijo incompetente,
no luar do olhar de quem tasse bem.
Encontramos o perdido num drama,
num romance vermelho, na personagem vulgar,
na ousadia de quem se ousa a mudar.
Encontramos o nosso perdido em tanto lugar...
No entanto, não nos damos conta nessa busca hostil entre âmago e dracma,
Que o que sempre está perdido, quase sempre está em casa.
Hoje sou mais, não que os outros,
não mais que o tempo,
não mais que meus mestres,
não mais que meus pensamentos.
Hoje sou mais e, não mais do que o livro que lí,
não mais que a música que ouvi,
não mais que os códigos que saboreei,
não mais que os lugares que avancei.
Hoje sou mais e digo como o sol, sou mais do que
Se podia ver do meu eu no pretérito,
não que ele seja, hoje, inexistente.
Mas está transladado em mim
