Poemas quando eu me Amei de Verdade
Eu não tomo decisões sob efeito do álcool, mas ficar sob efeito do álcool me ajuda a tomar decisões.
Certa vez, em um restaurante, na Bienal do Livro, eu e uma pessoa que me acompanhava procurávamos um lugar para sentar e comer. Havia mesas para quatro lugares, no entanto, nem todas as cadeiras estavam ocupadas, mas em todas as mesas tinha alguém. Uma senhora, sentada em uma dessas mesas, acompanhada de um menino, nos ofereceu para sentarmos nos outros dois lugares restantes. Parecia uma senhora muito boa, do bem, devido a forma como nos tratou, e também como tratava o menininho, que parecia ser filho, neto, ou apenas uma criança que ela estava cuidando. Enquanto almoçávamos pudemos ver a paciência e carinho com que ela cuidava dele e respondia suas perguntas. A serenidade dela fazia com que o clima fosse muito leve, dava para morar tranquilamente naquele momento. Depois que o menino terminou de comer, ela se levantou com ele, se despediu de nós da forma mais leve possível, falou para ele se despedir também, e se retirou. Não sei explicar direito, mas a forma como ela nos tratou ao nos permitir sentar na mesma mesa, a sensação sentida por esse gesto gentil foi tão boa, que deu vontade de fazer a mesma coisa com outras duas pessoas que aparecessem procurando mesa também, assim como nós no início. A sensação foi tão boa, que eu queria que as pessoas também sentissem o mesmo que a senhora nos fez sentir. O exemplo é a melhor forma de ensinar e de aprender. O exemplo nos faz ser o melhor aluno, e parece também fazer com que alguém seja o melhor professor.
Se eu entoco o meu medo de passar/andar por essas ruas
Eu percebo bem na hora que o meu santo/anjo me ajuda
Você não tem facilidade de dizer o que sente? Pois eu tenho dificuldade de dizer o que eu não sinto.
Se algum dia eu não puder falar tudo o que eu quero, espero que pelo menos seja porque eu estou errado, e não porque eu não posso.
Eu não bebo pouco, mas tô sempre prestando atenção na minha consciência. De que forma a bebida tá me afetando. Igual quando fui uma vez em um casamento e eu tava bebendo gin. Quando eu vi que se eu continuasse eu iria ficar mal, eu voltei pra cerveja. Aí fiquei tranquilo, consciente no final. Enquanto que quem permaneceu no gin, depois ficou mal.
Às vezes parece que eu tô sempre dando a volta em um quarteirão, e a cada volta que eu dou ele já tá diferente.
Eu e minha mania de denunciar as coisas simplesmente por enxergar o que está na minha frente e ao alcance dos olhos.
Tudo que eu vivi até os 25 anos foi para me preparar para a próxima fase da vida... e eu tô pronto.
Eu tentei falar, passaram várias opções na minha mente do que eu poderia ter falado, mas eu não disse nada.
Ultimamente tenho refletido sobre os lugares que eu vou... Se o lugar que eu for frequentar, com as pessoas que provavelmente estarão lá, pode ter o potencial de me deixar pior do que quando eu estava me sentindo antes de sair de casa, já não vale a pena. E, se a maioria dos lugares está cheio de banalidades, portanto, não são todos os lugares em que eu posso ir.
Na maioria das vezes eu sou Deus, mas às vezes momentaneamente eu sou forçado a ser Diabo com algumas pessoas que merecem.
O jeito que eu me tornei, e as atitudes que eu tomo hoje, acho que no fundo são um pedido de ajuda mesmo. Porque eu não aguento, de verdade, viver nesse mundo. Eu só sobrevivo da forma que dá. Da forma que eu mesmo encontrei. E eu vou tentar me apoiar nela até o dia em que eu partir.
