Poemas quando eu me Amei de Verdade
Há caminhos que não se abrem pela pressa, nem pela força dos braços.
Eles se revelam quando a alma descansa e confia.
O que é verdadeiro encontra passagem, mesmo quando o coração duvida de si.
Não diminua quem você é tentando caber em medidas alheias.
O seu valor não mora na aparência, nem na comparação, nem no medo de não ser suficiente.
Ele nasce do que é sincero, do que pulsa silencioso, do que carrega intenção limpa e afeto inteiro.
Há um tempo que não se adianta.
Ele chega manso, sem alarde, quando os sentimentos estão seguros e a esperança não foi ferida.
E quando chega, nada atrapalha. Nada desvia.
Porque o que vem do alto encontra caminho.
E quando é pra ser, acontece com paz, propósito e cuidado.
Eu confio.
- Edna de Andrade
Há alturas que só se alcançam quando a gente se abaixa. Descobri isso ajoelhado, diante do meu sobrinho — um pequeno mestre que ainda chama o tempo de milagre e o quintal de mundo.
Aprender a ser grande não tem nada a ver com subir, conquistar ou colecionar aplausos. Tem a ver com reaprender a ver do chão, de baixo, da inocência que a pressa desaprende. O olhar das crianças não mede, não julga, não calcula. Apenas acolhe. E quem acolhe, cresce.
Ajoelhar é um gesto sagrado: é dizer ao universo que não se esqueceu de onde veio. É lembrar que a sabedoria mora nas alturas baixas, nas perguntas simples, nas respostas que ainda não têm forma.
Ser grande, talvez, seja isso: caber inteiro num instante pequeno.
Porque quem se abaixa para amar, se eleva sem perceber.
— Douglas Duarte de Almeida
A dor tem ouvidos finos, escuta o som exato do teu medo. Ela percebe quando você hesita, quando sorri por educação, quando diz “tá tudo bem” só para não mostrar o caos por dentro, ainda que a verdade escape pelos dedos.
A dor tem instinto, não tem pena. Sabe onde você se esconde quando finge estar forte. Aparece de mansinho… num silêncio, num sonho, num arrepio que não se explica. E cresce ali, no intervalo entre o que você sente e o que ousa admitir. Você pode mudar de cidade, trocar de corpo, de cama, de assunto. Pode se embriagar de vozes novas e promessas antigas. A dor não se apressa, ela sabe esperar o momento em que o barulho cansa.
No fundo, ela só quer ser reconhecida. Quer um nome, um rosto, um espaço pra existir. E quando, enfim, você a encara, percebe: ela sempre foi tua. Uma mensageira indesejada, mas sábia, apontando o que ainda pulsa mal curado.
Fugir dela é correr de si — e quanto mais rápido vai, mais se encontra. Há uma beleza triste nisso: descobrir que até a dor te ama o bastante pra não desistir de te ensinar. Encare-a, ela só quer que você saiba quem tu és e te mostrar o que você insiste em evitar.
(Douglas Duarte de Almeida)
Não é uma despedida, é só uma hipótese — dessas que a gente pensa baixinho quando o peito lembra que é finito.
Se um dia eu fo, aliás, quando eu for, quero ir sem inventar desculpas. Já pedi perdão demais por ser intenso, por sentir demais, por não caber nos silêncios que esperavam de mim. Cansei de negociar minha essência pra parecer leve.
Não quero ser lembrado por “ter sido bom”, quero ser lembrado por ter sido real. Por ter misturado ternura com acidez, fé com ceticismo, coragem com medo, e mesmo assim, ter seguido. Quero que alguém, em algum momento, perceba que viveu com um pouco mais de coragem depois de cruzar comigo. Isso já me basta. Não deixo herança: deixo faísca. Se ela acender em alguém, sigo vivo.
E se perguntarem o que aprendi, direi: aprendi a me atravessar sem mapa. A perder com dignidade. A me refazer sem plateia. E a amar sem manual — porque o amor, no fim, é o último idioma antes do silêncio.
(Douglas Duarte de Almeida)
O raso tem essa crueldade: parece fácil, parece seguro, parece até bonito quando o sol acerta o ângulo. Mas não acolhe. Não sustenta mergulho. Quem vive de superfície se acostuma a respirar ofegante, como quem teme o próprio fôlego.
O tempo — esse animal indomável — merece ser gasto em abismos que valham o risco. Em encontros que te façam perder o chão, mas te devolvam o sentido. Em silêncios que não te afoguem, mas te ensinem a ouvir.
Não desperdice seus minutos em quem tem medo da correnteza.
Não negocie sua profundidade com quem só sabe molhar os pés.
Porque, no fim, a vida não é sobre colecionar respirações, é sobre o raro instante em que falta o ar e, ainda assim, você sente que valeu a pena.
Quando você deseja uma vida sem dores e sem conflitos, você diz a si mesmo que se contenta com tudo do jeito que está, você perde a oportunidade de poder ser melhor. A sua dor passa a ser o seu mestre, se você passar a ser o seu aprendiz.
Ela te prepara, seleciona o que há de melhor em você e também o que precisa ser modificado, assim te lapida, mas só você pode escolher ser lapidado de fato. Ou será como uma espada constantemente posta ao fogo, constantemente martelada, porém torta e cega.
Saiba que assim como o fogo forja a espada, são as dificuldades que nos moldam. Pois, de modo similar, uma boa espada é forjada pelo fogo, afiada pelo martelo e polida pelo atrito. Mas quando está pronta, o que antes era só uma pedra, se torna algo de valor sem igual.
Quando a dor da alma é imensa e sufoca o ser, muitos recorrem a dor da morte para alívio trazer.
Mas o que será que tem, após a morte também?
Se a momentânea e insistente dor tem fim, será que haverá alívio no tempo sem fim? Há uma eternidade a seguir, onde o tempo deixará de existir? Se das eternas portas haveremos de proceder, vida ou morte pode advir, incertezas para meros mortais, na esperança de dias vindouros de eterna paz.
Quando teus olhos azuis surgem na memória
minha mente cede, entra em colapso suave
como se o mundo pausasse só pra te olhar
Quando te vejo, é filme sem cortes
rodando na minha cabeça
me convencendo, cena após cena
de que não existe
nem existirá
alguém tão perfeito quanto você
E quando durmo…
ah, quando durmo
até os pesadelos se rendem
porque neles tu apareces
herói improvável
salvando meus medos
e ficando, a cada sonho,
ainda mais impressionante
Tu és presença
mesmo quando ausente
és certeza
mesmo no caos
e és silêncio bonito
que bagunça tudo dentro de mim
Lembra?
Lembra, quando costumávamos brincar de realizar nossos sonhos,
Lembra, como brincávamos de entrelaçar nossos dedos trocando beijinhos,
Lembra, como era bom acordarmos juntinhos trocando caricias pela manhã,
Você lembra?
Voltou a ser...
Quando estava varrendo o resto do resto de você, resolvestes aparecer,
Agora a vassoura saiu voando e o que era resto voltou a ganhar forma, voltou a ser tudo.
Contaminados
Enquanto estamos longe, sofremos;
Quando queremos dormir, o sono não vem;
Sofrer; no momento é a nossa melhor opção;
Dias vão; dias vem; em cada passo dado nossas sombras tem nos acompanhado, tímida e silenciosa;
Não adianta tentarmos entender porque nossa respiração mudou, ou porque nossos corações estão batendo descompassados e diferentes do habitual;
O rosto cansado, as mãos frias, o olhar distante e triste, são características percebidas e comentadas entre o nosso ciclo de amigos em comum;
Decisões podem ser revertidas, mudanças devem ser feitas, comportamentos e sentimentos precisam ser respeitados e explorados;
Então; quando nossas vidas dependem uma da outra para ser felizes, nada e nem ninguém pode nos impedir de recomeçar.
Primeiro encontro
Perdi a fala quando te vi pela primeira vez, aquele paralisante momento me consumiu;
Quando ficamos próximos vi na beleza mágica do teu olhar um mundo de afinidades e futuras realizações juntos;
Começamos a conversar e a tua voz soprava nos meus ouvidos com uma doce e alegre sinfonia;
O nosso primeiro encontro foi surreal e muito diferente, senti meu coração sendo arrebatado por um amor nascente e muito reluzente;
A admiração foi recíproca e verdadeira, então, movidos pelo encantamento daquele momento nos entregamos de corpo e alma aos deleites da paixão.
Quando cientes
de nossa missão nesse mundo, deixamos de ser
um símbolode resistência
e nos tornamosum
modelo desuperação!
Quando os 'deuses da razão'
tramam nos punir,
eles atendem nossas preces!
Não com aquilo que desejamos,
mas com aquilo que
precisamos!
... desejar
um viver sem culpas
é render-se ao inconcebível -
refreando possibilidades; quando
não ,o próprio destino - na verdade,
cada homem vive sob os limites
de sua própria índole
sempre carente de
reparos!
A MAGIA DO ENCONTRO
Quando o céu abraça a terra
As estrelas beijam o chão
As flores flutuam nas nuvens
Os rios adoçam o mar
Nessa empolgação
Tudo é magia
O amor perpetua e contagia
O homem abraça a vida
O tempo seca a ferida
No perfume do ar
A morte que era tristeza
Na simples natureza
Da terra abraçando o céu
As estrelas brotam na terra
E o homem brilha no céu
Amor da minha vida
Uma frase tão resumida
Mas para mim tão significativa
Quando deito em teus braços
De olhos fechados
Sinto o toque do teu olhar abrindo os meus
Fico quietinha, contida
Esperando você dizer
Amor da minha vida.
O sol que desperta nossa alegria
Aquece a sombra fria
Até o cair da tarde
Quando desenha de cores o horizonte
Sorrindo se esconde
Porque, sabe que é a vez da lua
Iluminar a nossa noite escura.
Quando usamos de artifícios e pensamos que somos vencedores, donos do sucesso, mas nos sentimos sozinhos...
Basta olharmos ao redor...
Olhamos para trás, para o lado e não vemos nada... NINGUÉM...
E se mesmo assim seguirmos em frente
Com certeza seremos o primeiro a não conquistar nada
E CHEGAR A LUGAR NENHUM
Quando tudo deve ir além
Pela contingencia do ser
O que pode impedir o bem
Da transparência daquilo que se pode ver?
Nada pode prescindir
Como intermitente
Daquilo que é precedente
E o que faz seguir.
O que no ser é ôntico
Senão o valor quântico.
No calor que prova Kepler
Dando a entender
Que a imaginação no ser
Que dão asas
A partir do flerte
É a mesma da reação e produção
Que faz nas massas
A sua rotação.
À ainda quem nos alerte
Quanta esta contingente energia
Que faz convergir a cada dia
O que pode estar inerte
No ser o inato
Tal o magnetismo das afinidades
As suas singularidades
Em seu real formato.
