Poemas me Ame no Silencio
Minhas palavras nascem do nada
e ao nada retornam.
No intervalo entre um silêncio e outro,
você lê os meus versos,
esse espaço nu,
onde, sem defesas,
tudo o que sou se revela.
Minhas palavras rasgam o nada
e sangram até o nada.
No meio do corte,
você lê meus versos,
sangue, suor,
lágrimas, vísceras,
âmago e silêncios
que eu não soube calar.
Ali estou,
eu inteira,
sem pele,
sem metáfora de defesa,
descrita não pelo que digo,
mas pelo que já não consigo esconder.
Minhas palavras não começam,
explodem do nada.
Não terminam,
implodem no nada.
Entre uma explosão e outra,
você lê meus versos
como quem abre um corpo vivo
sem anestesia.
Ali estão meus nervos expostos,
minha carne em estado de verdade,
meus silêncios suplicando forma.
Nada foi poupado,
nada foi simbólico.
Tudo sou eu,
visceral,
em hemorragia
de linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta
Os versos dos poetas
são unguentos sagrados
derramados em silêncio
sobre corações cansados
de atravessar o tempo.
Tocam onde as palavras comuns
não alcançam,
curam fendas invisíveis,
acendem pequenas luzes
nos templos da memória.
Ah! As palavras poéticas
das almas aladas
( sacerdotes do indizível )
são sopros de eternidade
emprestados às almas humanas
que ainda creem
no milagre do sentir.
✍©️@MiriamDaCosta
O mundo carece da fluência do silêncio,
essa língua antiga que não grita,
mas ensina.
Falta-lhe a pausa da fala
onde o sentido aprende a existir.
O mundo é deficiente da fluência do silêncio
porque fala demais para sentir.
Grita certezas ocas, tropeça em ruídos,
e esquece que é no silêncio
que a verdade afia as cordas vocais
e harmoniza os fonemas.
O mundo é carente da fluência do silêncio,
esse oásis onde as palavras descansam
e a alma, enfim, consegue se ouvir.
Dizer:
“Falta-lhe a fluência do silêncio.”
é uma excelente alternativa,
educada e sutil,
para o brutal:
“Cale a boca!”
✍©️@MiriamDaCosta
1
Ontem,
o céu desabou em fúria ⛈🌧🌩
raios, trovões, trovoadas
e o silêncio forçado
de dez horas sem luz.
Acendi velas
para enfrentar a noite,
sentei na varanda
e deixei o frescor
e o cheiro da chuva de verão
me atravessarem.
Foi então que a infância voltou.
Ó, infância!
Tão rica em gestos pequenos
e mundos imensos.
Quando a luz faltava,
inventávamos imagens nas paredes:
dedos, mãos, sombras vivas
dançando à chama da vela.
Éramos felizes
com tão pouco.
E nem sabíamos.
2
A tempestade levou a energia
e trouxe lembranças.
À luz frágil das velas,
a noite deixou de ser escura
e virou memória.
Na varanda, a chuva de verão
cheirava a ontem.
Lembrei da infância,
quando a falta de luz
era brincadeira,
e as mãos criavam mundos
nas paredes nuas.
Éramos felizes
sem nomear a felicidade.
Ela apenas existia.
Faltou a luz.
Sobrou a infância.
Uma vela,
uma parede,
duas mãos
e o riso fácil
de quem ainda não sabia
o peso do tempo.
3
A chuva caiu como quem bate à porta do passado.
E, sem pedir licença, entrou.
Na penumbra da casa sem luz,
as velas acesas abriram frestas no tempo.
Sentei-me em silêncio,
ouvindo o sussurro do vento
e respirando o cheiro morno da chuva de verão.
Foi ali que a infância me encontrou.
Inteira.
Descalça.
Com as mãos pequenas desenhando mundos
nas paredes insones da noite.
Não havia pressa.
Nem medo.
A escuridão era brincadeira
e a simplicidade, um milagre cotidiano.
Éramos felizes,
não porque sabíamos,
mas porque vivíamos.
Hoje, a memória acende
o que o tempo apagou.
E, por instantes,
à luz frágil da lembrança,
volto a ser casa.
✍©️@MiriamDaCosta
A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira.
✍©️@MiriamDaCosta
O silêncio
é um verdadeiro patuá.
Guarda mistérios,
protege verdades
que a palavra
às vezes profana.
O silêncio
é um verdadeiro patuá,
pendurado no peito da alma
para proteger
aquilo que o mundo
ainda não merece ouvir.
O silêncio
é um verdadeiro patuá.
Nele são costuradas
as palavras que poderiam ferir
e as verdades
que o mundo não sabe ouvir,
interpretar e aceitar....
✍©️@MiriamDaCosta
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
eu me inclino,
e ali,
sem ruído algum,
tua palavra me atravessa
como raio de luz.
E me descubro,
não como quem observa,
mas como quem pertence
à mesma língua muda
que o vento sussurra
e as folhas compreendem.
Oh! Natureza!
No espelho do teu silêncio,
reflito-me na tua palavra.
E, nesse instante suspenso,
sou menos voz
e mais escuta,
menos forma
e mais essência.
Como se, em ti,
eu me lembrasse
daquilo que sempre fui
antes de me dizer.
✍©️@MiriamDaCosta
22/03 — dia da Água
Dentro do símbolo H₂O
existe a vida
e em seu silêncio transparente
habita o princípio de tudo.
Água que corre
que molda
que insiste
que, mesmo sem forma,
desenha o mundo.
Na fórmula H₂O
existe a vida
latejando invisível
em cada célula
correndo nas veias da terra
e nas nossas,
sem pedir licença.
Água,
o milagre que não grita
mas sustenta tudo.
✍©️ @MiriamDaCosta
Quem sou eu?
Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.
Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.
Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.
Quem sou eu?
Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.
O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.
Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.
Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.
Quem sou eu?
Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.
Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.
Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.
Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.
No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...
✍@MiriamDaCosta
Desejar o bem do todo e em silêncio, codifica e ativa a comunicação direta com a mente universal, conectando no banco de dados cósmicos.
Não é o que se diz ou se faz, mas sim, o que pensa e o que sente.
Os problemas vem quando sente-se bem em pensar mal no sistema espiritual que calcula e fraciona, pois trabalha na compensação. Aí está o valor inestimável da consciência e do alívio interno.
Vô
Hoje sentei em silêncio e deixei as lembranças falarem mais alto. Fechei os olhos e quase pude sentir o cheiro do seu café fresco, o som da sua risada ecoando pela casa, e o calor do seu abraço, aquele que sempre foi meu lugar seguro no mundo.
Não há um dia sequer em que eu não sinta saudade. Saudades dos seus conselhos sussurrando com sabedoria, das histórias que você contava com olhos brilhando de emoção. Cada pedacinho do meu coração carrega um fragmento seu.
Vc me ensinou tanto sem precisar de muitas palavras. O jeito como cuidava de todos, como fazia da simplicidade um encanto, cm transformava dias comuns em memórias eternas... Tudo isso ficou comigo. Você segue vivo nos detalhes, no que sou, no que levo.
Obrigado, vô, por tudo que foi, por tudo que é em mim. A saudades é grande.
Com carinho da neta que nunca vai te esquecer. 🤍
Acreditar
mesmo quando o balde continua seco,
mesmo quando o eco só devolve silêncio.
Acreditar
com as mãos calejadas de quem rega o nada,
com o peito rachado de quem ainda espera.
Não é fé cega.
É teimosia santa.
É continuar enchendo
o que o mundo insiste em esvaziar.
E um dia, sem aviso,
o balde vai transbordar.
Não espere eu partir, para perceber que sou importante para você.
Não espere o silêncio se tornar um abismo entre nós, para sentir a minha falta.
Não espere eu te esquecer, para perceber que você também me amava.
Não espere tanto tempo para entender todas essas coisas. Amanhã pode ser tarde demais!!"
Vazio de mim
Vazio de você
Vazio que sinto
Vazio sem você
Vazio de silêncio
Vazio sem palavras
Vazio que corrói
Vazio que te esmaga
Vazio da alma
Vazio que te mata
Vazio que fala
E de tão vazio se cala...
26/03/19
O Silêncio
A luz apaga
O sopro para
O corpo cansa
A alma lança
Um voo leve
Tão breve.
O frio chega
A vida nega
A terra chama
Quem tanto ama
Fica a saudade
A eternidade
A dor profunda
A paz inunda.
mas que exista
Literalmente leve
O silêncio me ensina a olhar holisticamente,
O tempo tem me dado posse sobre o saber,
Com as palavras ganho leveza,
Com o amor, estou ganhando o direito de apreciar a vida.
(Letra de música)- O grito da alma
(Verso 1)
No silêncio da noite, um grito ecoa,
Alma ferida, a dor que me açoita.
Coração em prantos, aa lágrimas caem,
Em busca de paz, a alma que se revolta.
(Verso 2)
As sombras dançam, a escuridão me abraça,
Memórias vêm e vão, a saudade que traça.
Um turbilhão de emoções que me desmonta,
Em cada verso, a alma que se desfaça.
(Verso 3)
A voz que clama, um lamento profundo,
Em cada nota, um grito do mundo.
A esperança some, em um instante infundo,
Em busca de um novo, um novo segundo.
(Verso 4)
Mas a chama arde, a fé não se apaga,
Em cada verso, a alma que se afaga.
A luta continua, a vida que se alaga,
Em um grito eterno, a alma que se propaga.
Os desejos e a solidão ( letra de música)
(Verso 1)
No silêncio da noite, a dor me invade,
Um passado dominador, em almas que ardem.
Sonhos desfeitos, em luta constante,
Amor perdido, num mundo distante.
(Refrão)
Paredes invisíveis, em um inverno denso,
A lua testemunha, a brisa do mar em meu pensamento.
Solidão que ecoa, em cada canção,
Um grito de alma, em busca de redenção.
(Verso 2)
As palavras se perdem, na voz que clama,
O violão chora, a melodia inflama.
Em cada acorde, a saudade persiste,
Em cada verso, a esperança resiste.
(Refrão)
Paredes invisíveis, em um inverno denso,
A lua testemunha, a brisa do mar em meu pensamento.
Solidão que ecoa, em cada canção,
Um grito de alma, em busca de redenção.
(Ponte)
No horizonte, a luz que se esvai,
Em cada lágrima, o adeus que cai.
A guitarra chora, a voz se eleva,
Em busca de um novo amanhecer.
(Refrão)
Paredes invisíveis, em um inverno denso,
A lua testemunha, a brisa do mar em meu pensamento.
Solidão que ecoa, em cada canção,
Um grito
A travessia
Um corpo foi forjado nas cicatrizes do vazio e no silêncio das emoções,
Ao tentar caminhar sentiu sua respiração fraca e seu corpo desfalecer com a perda do vermelho que da cor a alma,
O duro golpe de não reconhecer mais os próprios sentimentos nas linhas do passado deixou a sua história perdida no tempo,
A distância de um oceano a cura para aquele com o coração transformado em gelo o vigiava através da lua,
Decidida a resgatar um sonho que não se apagou, ela lutou com seus demônios, desbravando territórios jamais pisados antes enfrentou os seus medos e vibrante invadiu uma colmeia nas montanhas altas em busca do mel mais puro para que pudesse despejá-lo no coração de gelo do seu amado,
Após atravessar o mar congelado, e sofrer duros golpes na sua corrida desesperada , ela então conseguiu derramar o antídoto a tempo naquele coração que um dia jurou ama-lo para sempre.
Feche os olhos, coloque suas mãos no meu corpo e sinta o meu coração,
O silêncio dos inocentes não procura respostas na voz, ele quer ser quebrado nas surpresas das sensações, quer se rebelar em cima daquilo que se revela no profundo das emoções.
