Poemas de quem Deu um Fora

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Ela tocava baixo,
como quem conversa com a própria dor
sem querer acordar o mundo.


Enquanto a casa ria atrás dela,
Tentava afinar o peito
na mesma frequência do violão velho.


Porque existem noites
em que a gente não quer companhia,
não quer respostas,
não quer promessas.
Só quer sobreviver
mais algumas horas
sem desabar por dentro.


E talvez fosse exatamente isso
que aquela música fazia:
segurava sua alma
no lugar
enquanto o resto dela
ainda aprendia a ficar.






Livro: La Vereda por Lucci Santz

Ele não chegou fazendo barulho,
nem vestido de razão perfeita,
chegou simples.
Como quem carrega o mundo no bolso
e ainda assim oferece ajuda pra carregar o teu.

Falaram tempestades sobre ele,
inventaram sombras, pesos e espinhos,
mas quando abriu a porta do próprio silêncio,
o que havia ali
era só um homem cansado de ser mal traduzido.

Feijão tinha olhos de quem escuta de verdade,
dessas pessoas raras
que não competem com tua dor,
apenas sentam ao lado dela.

E foi estranho perceber
que a sinceridade dele cabia inteira
nos pequenos gestos,
porque gente honesta quase nunca sabe se vender,
só existir.

Talvez a vida tenha dessas ironias tortas:
aproximar duas almas pela mentira de terceiros
pra depois revelar
que afinidade nenhuma nasce no acaso.

Ele tinha jeito de casa simples em tarde de chuva,
café passado sem pressa,
cadeira na varanda
e conversa que faz o peito respirar melhor.

E no meio de tanta gente montada em personagens,
ele apareceu cru, humano, imperfeito…
mas real.

Coisa perigosa hoje em dia.
Ser real assusta mais que mentira bem contada.

Tantas tacadas eu já peguei,
que o acesso à mim mudou de lugar.
Hoje, quem quiser entrar,
precisa saber ficar.


Não abro mais portas
pra quem chega fazendo barulho,
nem entrego meu caos
pra quem nunca soube cuidar do meu silêncio.


Intimidade não é presença,
é permanência.

Valorize quem escolhe estar.


Existem presentes que custam dinheiro e existem presenças que não têm preço.
No fim das contas, o que realmente importa não é o que alguém ganha de você, mas a vontade que essa pessoa tem de permanecer na sua vida.
Quem valoriza sua companhia encontra um jeito de conversar. Quem gosta da sua presença encontra um tempo para estar perto. Quem se importa demonstra, não apenas promete.
Não aceite migalhas de atenção quando você oferece carinho de verdade.
Você merece pessoas que queiram falar com você não pelo que recebem, mas pela alegria de ter você por perto.
Porque nenhuma lembrança, favor ou presente vale mais do que alguém que escolhe ficar.




Lucci Santz ✍️🌹

RESPOSTA:


Sim.
Existe beleza na atividade.
Há beleza em quem continua, mesmo cansado. Em quem trabalha sem aplausos. Em quem constrói aos poucos aquilo que ainda não pode mostrar ao mundo.
A atividade é movimento. E tudo que vive se move.
Uma árvore cresce em silêncio. Um rio segue seu caminho sem pedir licença. Uma pessoa luta todos os dias para manter os sonhos de pé.
Isso também é beleza.
Porque não está apenas no resultado, mas no ato de fazer, tentar, aprender, cair e continuar.
"Existe beleza na atividade, porque é nela que a vida acontece."

O mundo exige movimento
de quem mal consegue andar.
Ninguém enxerga o sofrimento
de quem se esforça pra continuar.

Nem sempre falha quem desiste,
nem sempre vence quem persistiu.
Às vezes, o preço de ficar
é maior que o de quem partiu.

Quem culpa o outro por toda a dor que sente,
foge do espelho e acusa o inocente.
É mais fácil condenar sem se explicar
do que encarar o que não quer mudar.

Há quem, diante da felicidade,
sinta o medo falar mais alto que o amor,
e transforme dúvidas em verdades,
desistindo do sonho antes mesmo da dor.

Quando estamos arrependidos dos nossos erros mostramos isso..dia após dias.
Desculpar quem não mostra arrependimento.
É pedir pra ser ferido novamente.

"Há quem prefira o calor da ilusão
ao frio da verdade.
Deixa-se enganar não por falta de visão,
mas por medo de enxergar demais.
Só que a mentira é chama frágil:
ilumina por instantes,
mas cedo ou tarde apaga,
e a escuridão cobra a conta."

Tenta me derrubar, mas é você quem cai,
Me lança teu veneno, mas quem se envenena é quem trai.
Joga pedra na estrada, mas tropeça no teu chão,
Eu sigo no meu passo, firme, livre, coração.
Quer ser minha prisão, mas é você quem se acorrenta,
Quer apagar meu sol, mas é teu mundo que escureça.
Grita meu nome em raiva, mas sou eu quem se liberta,
Você se perde no ódio, eu encontro a porta aberta.

Às vezes a ausência fala mais alto que mil mensagens.
Quem estava, mas não estava de verdade, mostrou seu lugar: O vazio.
Quem troca presença por conveniência, cedo ou tarde, sente o peso do que perdeu.
E eu sigo inteira, quem quiser me encontrar, que venha.
O resto… aprende na falta.

Talvez quem precise de tempo agora seja eu.
Mesmo sabendo que ele é traiçoeiro,
aceito sua mão,
pois o que ele pode me dar agora
foi o que ninguém conseguiu me oferecer em nove meses ,.. silêncio que cura,
distância que clareia,
a paciência de reconstruir sem pressa.

No silêncio do abandono, existe também uma oportunidade de clareza.
Você percebe quem realmente se importa, quem respeita o espaço que você ocupa, e começa a aprender que vínculo verdadeiro não se compra com proximidade constante, mas com reciprocidade real.
É aí que a dor se transforma em força: ao invés de tentar recuperar alguém que escolheu outro caminho, você passa a se fortalecer na própria presença, na própria verdade.

Há beleza na constância de quem permanece em si mesma,
e há poder em aceitar que algumas pessoas não nasceram para andar ao nosso lado,
mesmo que já tenham
compartilhado passos conosco.

Não preciso de quem não me vê.
Minha presença é minha força.
Sou inteira, mesmo na ausência.

Ela mente com cuidado,
como quem planta espinho no lado ensolarado.
Afasta quem traz calor,
por medo de sentir amor.
Carrega um abismo sem fim,
cada mentira fecha mais um jardim.
Ama em segredo, destrói no olhar,
porque se entregar é arriscar se queimar.


No peito a verdade quer soar,
mas o medo insiste em comandar.

Pra quem nunca ficou


Você não ficou quando doeu,
nem perguntou se a noite me cabia.
Silenciou quando o mundo caiu,
e apareceu só quando eu fingia.
Disse “felicidades”, mas era medo,
não afeto, nem saudade.
Foi o susto de me ver inteira,
de eu seguir sem tua metade.
Eu esperei no eco do tempo,
no som do que não voltou.
Agora entendo: eu não te perdi,
foi você quem não me encontrou.

Quem se esconde atrás da mentira,
acaba deixando o rastro no chão.
A palavra pode até enganar,
mas o olhar sempre entrega a intenção.
Mentir para descobrir é tropeço,
é cavar buraco no próprio terreno.
Porque a verdade, cedo ou tarde,
bate à porta sem pedir terreno.
E quem pensa que mente por esperteza,
não percebe que mente a si mesmo primeiro.
A mentira pode até abrir uma porta,
mas nunca leva a um destino verdadeiro.