Poemas de quem Deu um Fora
Quando começamos a crescer, queremos sofregamente crescer, crescer até obter o estatuto de maioridade.
Que obtuso dilema, que terrível contradição é esta, quando chegados à idade da cor castanha da vida, temos aquele saudoso e inatingível desejo de querer regressar à era em que éramos inocentes, crianças na sua plenitude poética.
Comos somos uns ridículos cataventos - pobres seres, mortais.
RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi
Resisto,
Porque quero
E não por acaso mero,
Porque sou tão teimoso
Que até as pedras da rua
Quando me sentem mancando
Pelas dores negras e cruas
Que me vão martirizando,
E mostrando que nada valho,
Dizem em jeito jocoso:
- Que resistente bandalho!
Resisti,
A promessas de riquezas vãs,
Prometidas por gentalhas
Canalhas, com olhos de rãs;
Seres avaros, repugnantes
Com cartões de governantes,
Sei lá por graça de quem
Foi o santo que os pôs na cripta
De donos de tantas parvónias
Que mencioná-las irrita
E revolta até também
Algumas orquestras sinfónicas.
Continuo a resistir,
Ao meu relógio sem horas
Porque só me traz a desoras,
Sem saber que mal lhe fiz,
As notícias mais pandoras
Deste meu ledo País.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)
A minha calma, visto isso,
faz nervos a muito boa gente.
Vou ter de ser mais nervoso,
para que os outros possam
ter mais calma.
MELANCOLIA
Cai a tarde lenta em brasa,
Num céu de mar ondulante,
Enquanto este vai e vaza,
Meu coração está distante
Pensando em ti, ó sereia
Que vi uma vez ao luar,
Em noite de lua cheia
Nas águas de prata, a rolar.
Que saudades sobre o mar
Meu coração lá deixou;
Tristezas de fazer chorar...
Enquanto eu não encontrar
Esse amor que lá ficou,
Farei na areia um altar...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 08-03-2025)
MISTÉRIOS DE VIDAS
Só agora soube, soube mesmo agora -
Não ser o tal - o outro, quando nasci;
Enganei a mãe e meu pai pela vida fora,
Face à razão de uma vida que já vivi
E desta outra minha que tão triste chora
Por aquela já passada que nunca senti.
(Carlos De Castro, In Há um Livro Triste Por Escrever, em 15-05-2025)
MORREU O FONSECA-VIVA MANUEL
Dos ares de S. Pedro de Paus
Do concelho de Resende
Banhado pelo Bestança
Que desmaia depois no Douro,
Veio em tempos uma criança
E a família como herança,
O seu mais puro tesouro,
Habitar no litoral.
Chegado o tempo de vida
De procurar companheira,
A sua amada querida,
Estandarte da bandeira,
Conheceu uma donzela
Adelaide, jovem bela
E a ela depois se uniu
Num amor puro e total.
Pelo Graça então Divinal
E desígnios do Criador,
Conceberam com muito amor
Dois seres, seus diamantes,
Vidas que lhes davam alento
No agora e no antes,
Em tempos de sofrimento.
Mas eis que toca a sineta
Que Deus escolheu por sinal
Quando quer na sua Messe
Gente muito boa e reta,
Veio, penso eu como mortal
E que Deus não me leve a mal,
Buscar o nosso Fonseca,
Mas deixando o Manuel vivo
E do alto desta caneca
Que com ele já não faz tchim!
Só te peço grande amigo
E sei que tu vais dizer sim,
Pede a Deus e sem castigo
Que livre todos do perigo,
Mas nunca peças por mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 30-07-2025.
VELHICE ADIADA
Ombro a ombro, ele mais alto
Que ela, baixa de baixo salto
Numa amarração de vidas
Vividas,
Sentidas
Consentidas,
Que mesmo após a velhice,
A idade da rabugice,
Na cidade aperaltada
No passeio da fama do nada
Lembrando suas paixões,
Lá iam os dois amarrados,
Mirrados,
Num abraço de emoções.
Ei-los, chegados ao lar:
Dois jovens apaixonados
Em tempos de namorados
De corpos novos em brasa,
Lembraram a velhinha casa
Na mais louca das razões,
Os seus beijos de ilusões,
Trocados no seu amar.
A paixão andava no ar,
Já com pouco respirar,
Mas com um louco desejo,
Trocaram um longo beijo,
Ainda por cima,
Sem rima.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 16-11-2025)
AI, SE A MORTE NÃO FOSSE VIDA
Já pouco falta para descer à cova fria
Do campo santo da minha freguesia
Uma irmã minha em Cristo estimada
Velhinha anciã por todos amada
A sempre esbelta senhora Maria.
Jamais quis a idade dos Profetas
Que eram seres de outros planetas
Mas ela ia subindo a escala da vida
Que agora acabou mas já comprida
A cumprir as promessas de suas metas.
Do pó nasceste, ao pó voltarás na fé
De ti e daqueles que acreditam que é
A nova semente que cria a Ressurreição
De um dia na mais gloriosa e pura União
Vivermos todos em harmonia talvez até
Com Cristo, o Messias, mesmo ao pé.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 18-03-2026)
Imensidão
Diante de vasta beleza e imensidão,
me sinto solitário com meu pequeno coração,
batendo angustiado em tamanha aflição,
sem compreender meu papel na criação.
Percebo atentamente cada estrela a brilhar,
e fico imaginando qual seria meu papel neste lugar,
e percebo que sou livre para escolher e valorizar,
a dádiva da vida e na criação de Deus a se esmerar.
Não devo me cobrar tanto em o mundo a mudar,
apenas agradecer e aos a minha volta sempre amar,
dando minha vida aos que nesta vida vivo para amar,
sem medir esforços a me entregar, hoje e sempre a lutar.
Agora peço a Deus, apenas paz e sabedoria,
para a minha volta saber criar paz e harmonia,
aceitando com amor meus desafios e teimosias,
sem perder a fé, a coragem e servir com alegria.
Os filhos bebem da água que os pais estão capacitados à dar.
Água suja, limpa ou contaminada. Da rua, do poço, da poça ou mineral. Pura, adoçada ou com misturada. Sua, de terceiros ou roubada. Da chuva, da torneira. Com gás, sem gás ou saborizada. Quente, natural ou gelada. Líquida ou sólida (gelo).
Assim é o conhecimento e educação dado pelos pais aos filhos, sempre proporcional ao que estão capacitados a dar, pois ninguém dá o que não possui.
O carinho acalma, desarma, tranquiliza, paralisa e faz dormir
A aspereza promove o inverso.
Ambos são benéficos em doses homeopáticas.
Se alguém chora e você é amigo ofereça o ombro.
Se você é psicólogo, ajude-o a entender o que sente e se este é o melhor caminho.
Se você é mãe, acalme, de carinho e atenção.
Se você é empreendedor, venda o lenço!
O importante é você fazer algo, viver uma vida que valha a pena ao invés de ficar no sofá assistindo a vida passar diante de seus olhos como se fosse um filme do qual você não seja protagonista.
Deus é onipresente, não tem começo e nem fim e o universo também não...
Deus é onipotente, pode criar tudo, e o universo também, inclusive você é prova disso.
Deus é onisciente, tem sabedoria infinita, e o universo também, através da física, matemática, química, das leis da natureza.
Estou agora numa dúvida: Deus e o universo são irmãos gêmeos univitelinos?
Conhecereis a mentira e ela vos aprisionará!
- As crianças acreditam que se graças ao nascimento de Jesus Cristo que tem Coca-Cola, Peru e Panetone e obviamente Papai Noel e presentes.
- As crianças Green certeza de que se Poncio Pilatos não tivesse crucificado Jesus e se este não tivesse conseguido ressuscitar no domingo de Páscoa o mundo não teria Ovos de Páscoa e nada de chocolate!
A mentira aprisiona e cria crenças e quem as contraria é mal visto e considerado um chato, ou antissocial, mas e a quem a verdade interessa?
Só tem duas formas de encarar a vida.
Uma é chorando. A outra é rindo.
A segunda pelo menos é mais divertida.
"Eu sou o silêncio entre o trovão e a flor. A memória da estrela e o útero do futuro."
Essa poesia de 2 linhas, nasceu da combinação poética-filosófica com minhas reflexões.
Carreguei-à de metáforas fortes:
"Silêncio entre o trovão e a flor" sugere o equilíbrio entre força e delicadeza — entre caos e beleza.
"Memória da estrela" evoca a origem cósmica da Terra, feita do pó de estrelas.
"Útero do futuro" simboliza a Terra como o ventre da vida, onde tudo nasce e renasce.
Assim, não vou esquecer o que pensei quando à ela dei a luz.
*(Por vezes, uma frase sua por causa de uma má interpretação é capaz de voltar contra você de forma equivocada capaz de tornar GUERRA em sua vida).*
_Ficar mais em silêncio é a solução._
O soneto da Tempestade
O céu desaba,
A luz se acaba,
Vem o trovão,
No coração.
O raio corta,
Bate na porta,
Traz o clarão,
Na escuridão.
O vento forte,
Lembra a morte,
Ruge no ar.
A chuva desce,
A alma prece,
Quer descansar.
Liberte-me do seu peito, deixe-me escapuli pelo seus olhos, não segure-me tão forte, como se fosse me esmagar!
Preciso de ar, preciso me libertar!
Grite-me, ofenda-me, sacuda-me.
Mas, não me abrace mais Entre seu olhar egoísta. Entre seus pensamentos insensatos e insanos.
Não quero estar mais Entre você e o mundo, desejo profundamente que não precises mais de mim. Não quero me tornar prisioneira, devido suas súplicas, não quero ser o alavancar do seu desespero. Deixe-me ressuscitar das profundezas dos seus lamentos,deixe-me espalhar pelo chão afora, anseio por liberdade. Solte-me, suplico-lhe piedade, se assim quiseres, quem sabe um dia voltarei, mas, quero que saibas, que me sinto frustada por estar dentro de você. Estou me sentindo seca, sem vida, por favor não me deixe morrer assim, se tentar lutar por minha vida...chore e deixe-me ser livre.
Apenas, sou uma lágrima, desejando imensamente seguir o curso da vida, e em paz!
Nyyh Teixeira
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