Poemas de quem Deu um Fora
— Posso dormir aí?
— Melhor não.
Vamos nos ofender,
vamos nos ferir sem querer,
e eu não tô afim disso.
Não agora,
não assim.
A gente tem afeto demais
pra se machucar de bobeira.
Não podemos ser assim,
tão perto a ponto de doer,
tão longe a ponto de fazer falta.
Saul Beleza
Pela primeira vez eu disse não a ela.
Foi difícil,
foi dolorido,
minha voz tremeu,
meu peito doeu.
Mas eu disse.
E depois do não,
eu não morri.
Descobri que posso lutar em igualdade,
que meu não também tem valor,
que meu limite também é amor.
Pela primeira vez,
eu me escolhi.
Saul Beleza
Eu sou uma gramática completa,
com ponto final onde tem que ter,
vírgula onde precisa respirar,
e reticências só quando a saudade pede.
Minha oratória é simples,
mas é verdadeira.
E no mundo de hoje,
verdade simples vale mais que discurso bonito e vazio.
não enfeito.
Eu sinto. E digo.
E é por isso que quem me lê,
fica.
(Beleza de Freitas)
Hoje tomei posse de mim.
Sem festa, sem juiz, sem plateia.
Só eu e a cadeira
que já me viu pequeno.
Resolvi me escolher.
Não por orgulho,
por cansaço de me encolher.
Eu semeava nos outros
e me deixava em pousio.
Queria colheita
com o terreno vazio.
Hoje não.
Hoje eu fico comigo.
Me rego.
Me espero.
Me tenho.
E se for pra ser talvez,
que seja talvez meu,
inteiro,
eterno.
(Saul Beleza)
Eu não queria escrever versos de adeus.
Deus sabe que não.
Eu queria os versos de ter ficado.
Mas ficar está longe,
é travessia,
é escolher todo dia.
E o adeus?
O adeus está raso,
qualquer pé descalço toca o fundo,
qualquer mágoa afoga nele.
Eu queria o profundo do ficar,
mas me deram o raso do adeus pra nadar.
Me ensina a ficar?
Fica comigo aqui,
só mais um pouco,
nesse banzeiro que vai deixar saudade.
(Saul Beleza)
"*Sei que vai me deixar"*
mas por favor,
saia aos poucos,
nunca de uma vez,
para que eu não sinta tanta dor."
E eu saí.
Aos poucos,
como se pede pra chuva parar,
como se reza.
Primeiro tirei a voz.
Depois o corpo.
Por último, o prato azul ficou na mesa,
sozinho.
Pensei que aos poucos doía menos.
Mentira.
Aos poucos a dor aprende seu nome,
seu endereço,
sua cadeira vazia em um canto da sala.
Você me pediu pra sair aos poucos,
e eu,
maluco sensato,
obedeci.
Até hoje estou saindo.
(Saul Beleza)
Hoje o céu tá mais sertanejo,
e a terra mais silenciosa.
Que o Rick descanse com os dele,
com viola no colo,
com chapéu na mão,
com a voz que agora vira saudade
mas não morre.
A voz sertaneja nunca morre,
Ela só muda de palco.
Sai da rádio e vai pro céu
cantar pro povo que já foi.
Fica aqui o nosso
"obrigado, Rick"
cantado baixinho,
como se fosse moda antiga.
Meus sentimentos pra família dele e pra todos nos que sentimos.
(Saul, teu fã)
*Vou dizer o que eu acho da vida:*
A vida não é longa demais,
nem curta demais.
Ela é do tamanho exato
do espaço que nos foi dado pra caber.
Ela não é o que deixamos de fazer.
Se fosse, todo mundo era fracasso.
Ela é o que fizemos com o que tínhamos, com o que sobrou de dinheiro no fim do mês.
E se a vida é amar,
por que tanto ódio?
Porque amar dá trabalho, Gente.
Ódio é fácil, é preguiçoso.
Amar é levantar cedo, perdoar, dividir o pão, ouvir de novo a mesma história.
Muitos escolhem o ódio porque cansou.
E gente cansada morde.
Mas eu não.
Eu com quase 65 anos ainda pergunto sobre amor.
Isso já é resposta.
Escrevo assim, então:
"A vida é o espaço que me deram,
e o amor que coube nele."
(Saul Beleza)
Com 20 anos a gente quer tudo.
Com 40 a gente quer metade.
Com 65, a gente quer o que é de verdade.
Então me diz, vamos descobrir juntos:
Você quer barulho ou quer sossego?
Quer gente nova ou quer os de sempre?
Quer ir ou quer ficar?
Às vezes o "eu quero" da nossa idade
não é querer mais coisa,
é querer menos peso.
Talvez você queira:
um dia sem dor na perna,
uma conversa boa na varanda,
a vida rindo sem pressa,
e saber que ainda cabe.
(Saul Beleza)
Hoje eu consegui me olhar,
e enfim, eu me vi.
E dentro desse meu ver,
vi teu olhar me acenando.
Olhos de saudade,
calmos, fundos,
e as meninas dos teus olhos
bailando só pra me chamar atencão.
Não era mais espelho,
era encontro.
Eu me olhando,
e você morando no meu olhar.
(Saul Beleza,)
Quando dá essa saudade dele,
ocê lembra de tudo, tintim por tintim.
Lembra onde foram,
o que beberam,
o que comeram,
até a data na ponta da língua.
Cada detalhezinho vivo na tua boca.
E sempre me dizia,
com essa cara de saudade enrustida,
que num foi nada importante.
Se num foi nada,
por que ocê guarda tudo
e se esquece de quem está ao teu lado?
(Saul Beleza)
Eu me rendo,
não tenho renda
pra te cobrir de rendas.
Não tenho ouro, não tenho seda,
só tenho esse peito matuto
dilurido de amor.
Se eu tivesse, te vestia de renda fina,
mas como não tenho,
te cubro de ternura, carícias e
de versos e de carinho.
Que no fim, minha riqueza
é só me render pra você.
(Saul Beleza)
Saia da minha vida com dignidade,
e não por não saber explicar teus devaneios.
Vai limpo,
vai inteiro,
sem rastro de promessa no bolso.
Não quero saber por onde anda teu pensamento,
nem quem mora nele agora.
Se for pra sair,
sai sem fazer alarde na minha paz.
(Saul Beleza)
Porque o amor que dura pra sempre
não precisa de todo dia.
Ele não vive de mensagem, de toque, de presença.
Ele vive de ter acontecido de verdade.
Uma vez que duas almas se reconhecem,
não existe mais longe.
Existe só saudade.
E saudade é só o jeito que o amor tem
de provar que ainda tá lá,
batendo.
Tem gente que passa a vida inteira do lado
e nunca se toca.
E tem gente que se tocou uma vez só,
e nunca mais se largou por dentro.
Esse é o amor que perdurou.
Ele não acabou.
Ele só mudou de lugar.
Saiu do mundo e entrou na eternidade.
(Mario Valen/Saul Beleza)
Se for guerra, que seja assim:
Me rende com teus beijos,
me desarma com teu cheiro,
me deixa sem defesa nenhuma
no teu abraço.
Me explode o coração,
mas de amor,
me tortura,
mas de saudade quando você não tá,
me faz rastejar,
mas pra te alcançar mais depressa.
E no fim,
suados, rindo,
a gente pede clemência um pro outro,
e assina a paz
na beira do Rio verdao.
(Saul Beleza)
Vem.
Não pra me tirar do escuro,
pra acender comigo.
Minha cama é simples,
mas tá limpa,
tem cheiro de saudade arrumada.
Se quiser vir,
eu te dou a cama.
Eu fico na rede.
Me contento em saber
que teu roncar tá perto.
Não precisa grito hoje.
Só tua paz.
Só teu sorriso de manhã
me dizendo "tô aqui".
Os lençóis eu já troquei.
A noite tá mansa.
Falta só você pra aconchegar nela.
Vem?
(Saul Beleza)
Às Eras da História Humana (Idade Antiga até hoje):
Após o surgimento da escrita (por volta de 4000–3500 a.C.), a história humana é dividida em:
• Pré-História: Período anterior à escrita (Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais).
• Idade Antiga: Da invenção da escrita até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.).
• Idade Média: De 476 d.C. até a queda de Constantinopla (1453) ou a chegada a América (1492).
• Idade Moderna: De 1492 até a Revolução Francesa (1789).
• Idade Contemporânea: De 1789 até os dias atuais.
. Em breve estaremos na idade das migalhas, vamos sobreviver das sobras do Governo, e o pior, vamos ser gratos por isso.
Expedito Lascado da silva
Entender é pra livro. Gostar é pra vida.
Você não precisa entender o rio Verdão pra tomar banho nele. Você só entra.
Eu só aprendi a te gostar, te entender eu nunca entendi.
Mas aceitei teu jeito de ser,
e foi assim que te amei até aqui.
(Saul Beleza)
Ninguém aprende na calmaria. A calmaria é só o prêmio.
Foi a turbulência que te ensinou a segurar o leme. Que te mostrou quem fica no barco quando balança.
Agora você sabe:
Na turbulência a gente descobre.
Na calmaria a gente segue.
E cada um com seu destino, mas o seu barco, continua a flutuar no Rio Verdão. Firme. Cortando água mansa, porque já aguentou água brava.
(Saul Beleza)
Graças dou vida por te me trazido até aqui,
e graças darei se ela me levar mais adiante.
Não reclamo do caminho,
agradeço o chão.
Mesmo com espinho,
mesmo com portas fechada,
cheguei até aqui.
O canarinho não pergunta
quantos quilômetros voou,
só agradece o vento
que ainda sopra debaixo da asa.
Se a vida trouxer mais estrada,
vou com ela.
Se trouxer descanso,
fico também.
Gratidão de ida e de volta.
É assim que eu homem do interior
rezo sem precisar de igreja.
(Saul Beleza)
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