Poemas de quem Deu um Fora

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Filha do meu Coração!

Olha minha magrinha,
filha do meu coração,
quero que tu saiba, que
te amo de paixão.

Dorme minha filha linda,
aproveite a madrugada,
cuidado com pesadelo,
para não acordar molhada.

Honestidade, autenticidade, lealdade, caráter e respeito à diversidade são como raízes invisíveis que sustentam tudo o que há de mais bonito nas relações humanas. Em tempos em que tanta gente se esconde atrás de versões ensaiadas de si mesma, ser verdadeiro se torna um gesto raro e profundamente corajoso. A honestidade não mora apenas nas palavras certas, mas também nas atitudes limpas, na consciência tranquila e na delicadeza de não ferir o outro por interesse.


A autenticidade floresce quando alguém decide existir sem máscaras, sem moldar a própria alma para caber nas expectativas do mundo. Já a lealdade é presença que não abandona, é abrigo em dias difíceis, é permanência sincera quando tudo ao redor vacila. O caráter, por sua vez, é aquilo que a alma revela no silêncio das escolhas, quando ninguém aplaude e ninguém vê.


E respeitar a diversidade é compreender que o mundo só é verdadeiramente humano porque é plural. Cada pessoa carrega um universo dentro de si. Quando aprendemos a olhar o outro com respeito, empatia e abertura, deixamos de apenas conviver e começamos, de fato, a nos humanizar.

⁠Tem boca que fala bonito,
Tem boca que beija bem.
Tudo junto, é raro...
Mas porque tens,
Me cala fundo!!

MABUJES




No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.


Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.


Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.


Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.


E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.


Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.


Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.


Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.


A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.


O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.

Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.


E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.


Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.


Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.


Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.


Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.


Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026

⁠ÁGUA NOSSA
Água nossa, que estás na terra,
Vivificado seja o teu nome,
Venha a nós o teu manancial,
Seja feita a nossa vontade
Assim sempre neste mal.
A água pão de cada dia nos dai hoje.
Perdoa-nos os crimes cometidos
Contra a natureza-mãe,
Que nós não sabemos perdoar
Aos ofendidos;
Nunca nos deixes sem uma gota
Que seja do teu bem.
............................................
E o povo rezava e o mundo orava
Aos deuses da água...
Mas a água não não veio.
Voltou o povo a rezar e o mundo a orar
Às luas das águas...
Mas as águas fugiram.
Então, o povo e o mundo não rezou mais!
Vieram todos e choraram,
Carpiram ao mesmo tempo
Em louco lamento...
Depois, a terra seca
Ficou inundada de água
Das lágrimas caídas
Vertidas
Pelo povo infecundo
E pelo mundo.
Amém!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 16-08-2022)

⁠“QUANDO AS GALINHAS CANTAVAM ÓPERA

Linda, a pastora penuda que comigo ia,
Calcorreando tão verdíssimos prados,
A pastar o gado da nossa fantasia,
De beijos, abraços e mais pecados.

E assim, lá íamos amantes babados,
Por entre folhagens e flores silvestres,
Almas puras, anjos sem pecados,
A não ser os fatais, dos terrestres.

Tudo era céu e luz brilhando,
Em piruetas de paixão vivida,
No colar de dois corpos, amando.

Oh, mas que cruel sina de vida!
A nossa, galo e galinha pastando,
Sem dentes para erva ressequida.

(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 19-08-2022)”

⁠SEGREDOS NA LUA CHEIA

Sempre vos quis segredar, ontem.
Antes que fosse anteontem.
Mas ninguém me ouviu.

Hoje, ouçam ou eu me agasto:
Fui feito da pedra de um crasto,
Minha mãe era a lua cheia
Meu pai era o brilho do sol
E desse amor, eu vim à boleia
Nesta estrada em caracol.

Segredo, guarda-se em cofre
Que tenha o coração ardente,
Se o não for, o confessor sofre
As penas de um ser demente.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2022)

⁠EM MIM

Só agora, no fim, serei
O ser que não fui,
Porque errei no escolher
Da sorte, por não saber
Que ela só flui
A quem tem a coragem
De viver,
Sem querer entender
Se a vida é quadrada
Ou redonda
Como o mundo
Profundo
Entre a areia dourada,
A terra e o mar
E aquela onda malvada
Que nos arrebatou
E na tragédia nos levou,
Para um poço sem fundo.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)

⁠SE

Se todos gostassem da minha poesia,
Jamais haveria
Paz no mundo.

O mar e as fontes secariam,
Os rios ao contrário correriam,
O ovo não teria gema
Nem o ovário
Seria berçário
De hormonas,
Neste meu mundo de sintomas
Da falta de teorema.

Seria o caos completo,
Tudo morreria
O absoluto e o obsoleto.

Por favor:
Para que haja paz no mundo,
Nunca leiam a minha poesia;
Podem até falecer de ironia,
Ou então ficar moribundo.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-11-2023)

A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...




Carlos De Castro

O PAI E A SAUDADE


Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.


(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)

POESIA EM MEMÓRIA ÚLTIMA
(para ti, Avelino Fernando do Couto Ribeiro)
Rezaram-te a missa,
O solista cantou,
O órgão tocou,
Em premissa.
Eu assisti e rezei
Diferente, por razão
De fé ao Corpo
Do Homem morto
E Crucificado que eu sei.
Tanta gente caminhando
Em passo quase de tropa
Rumo ao campo sagrado
E eu atrás de todos pensando
Se a morte é vida ou pecado
Por ter a coragem de morrer
Antes do prazo aprazado.
Deus - que fria é a morte
Criada de nascente
A poente,
Sem norte.
Dois barrotes de madeira
Duas cordas na horizontal,
Uma cova funda na vertical,
Um caixão que desce anormal
De cabeça para baixo,
Abismal,
Um corpo quase vivo
Afinal,
Que se não fosse a terra
Que mais aterra e pesa
Na sua função de singeleza
Entre a definição da morte,
Quiçá, quando for da nossa sorte
Entremos de pés ao baixo
E de cabeça ao alto,
Sem sobressalto,
Ou suspiros,
Não vá, mesmo lá dentro
Do ataúde fatal,
Vomitarmos os diospiros
Ingeridos há tempo que tal.


(Carlos De Castro in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 06-04-2026)

POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.


(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)

Você consegue ser feliz
por essa razão; não escute
pensamentos negativos.

Às vezes, acordo sentindo o ar rarefeito da liberdade que todos proclamam. Caminho pelas ruas de concreto, smartphone na mão, curtindo posts que ditam o que devo desejar. Sou livre? Rio alto, mas o eco é um sussurro preso. As correntes sociais são invisíveis, tecidas de olhares julgadores, algoritmos que moldam meu feed como um deus caprichoso, normas que sussurram: "Seja assim, consuma aquilo, ame desse jeito".
Elas se enroscam no peito, essas algemas de expectativas. A família cobra herdeiro perfeito; o trabalho, lealdade eterna; as redes, pose impecável. Eu corro, mas para onde? A ilusão de escolha é o maior truque: vote, compre, poste, repita. No fundo, somos marionetes em um teatro coletivo, fios puxados por medos ancestrais e modas passageiras.
Quebrar isso exige coragem nua: silenciar o ruído, abraçar o desconforto do autêntico. Só então a verdadeira liberdade respira, frágil, mas real. E você, sente essas correntes?

No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.

Quer carinho? Peça a sua mãe!
O mundo é pai, ele te da oportunidades, desafios.
Ele te testa, te eleva ao seu limite.
Ele te força ser melhor.
Se não aguenta, corre pro colo da mamãe.

Senhor, destes ao policial a nobre missão de defender a sociedade, inclusive a família.
Rogamos a vós para não permitir que o policial seja molestado em sua árdua missão e que ele tenha a certeza do retorno ao seu lar, com plena saúde.
Senhor, abençoe todos os policiais.

ORAÇÃO DO TRABALHO

Senhor, venho lhe pedir que abençoe meu trabalho e de todas as pessoas que trabalham honestamente. Guia meus passos e não permita que sofra alguma queda, acidente, violência, maldade ou qualquer outro mal, no trabalho ou fora dele, para que possa retornar bem ao meu lar. Rogo-lhe renovar minhas forças, durante meu descanso, para que possa retornar novamente ao trabalho e prosseguir evoluindo, com amor, saúde, disposição, bondade, paz, alegria... Amém.

LIVRE ARBÍTRIO

A pessoa humana vive através de escolhas.
Na infância, geralmente as escolhas são feitas pelos pais, contudo, quando começa a adquirir liberdade para seus atos, a própria pessoa começa a escolher.
A pessoa pode escolher alimentos que podem ser bons ou ruins para seu organismo, ingerir bebidas alcóolicas em demasia, fumar, usar drogas ilícitas, sabendo que podem ser prejudiciais.
É a própria pessoa quem escolhe se irá viver sozinha ou com alguém, se constituirá família, o namorado ou a namorada, o companheiro ou a companheira, o esposo ou a esposa, se terá filhos, a forma de criação destes.
O trabalho é escolhido pela pessoa, assim como o local de moradia, tendo liberdade de mudar quando quiser e se tiver oportunidade.
Se a pessoa tiver força de vontade e se esforçar, estudará o curso que desejar.
A religião pode ter sido escolhida pelos pais na infância, mas a pessoa pode fazer nova escolha posteriormente, até não seguir nenhuma religião.
Os estabelecimentos, bares e locais de lazer, para comprar ou frequentar, são escolhidos pela própria pessoa.
Cabe à pessoa decidir se irá ter e/ou dirigir veículo, habilitada para tal ou não.
Quando se deparar com alguma dificuldade, inclusive doença, a pessoa poderá desistir ou procurar resolvê-la, ainda que não consiga.
A pessoa pode escolher amar ou odiar, praticar o bem ou o mal, ser alegre, ainda que esteja sofrendo, ou chorar.
Cabe à própria pessoa buscar a felicidade, se é infeliz, mediante escolhas.
Até a morte e enquanto tiver discernimento, cabe à própria pessoa fazer suas escolhas, por mais simples que sejam, e sempre poderá dizer sim ou não, aceitar ou recusar.
Portanto, a pessoa humana tem o livre arbítrio, assim, deve pensar bem ao fazer suas escolhas, pois será através delas que colherá frutos bons ou ruins, imediatamente ou no futuro.