Poemas de quem Deu um Fora

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Às vezes um amor verdadeiro acaba por besteiras.
Por orgulho de dizer "perdão".
Ou por insegurança para demonstrar o que sente.
Por isso é sempre importante arriscar cada degrau. Saber sempre dizer "eu te amo", sem exageros, mas com sinceridade e entrega.

[O coração] é o relógio da vida. Quem não o consulta, anda naturalmente fora do tempo.

Machado de Assis
A Mão e a Luva (1874).

Um dia irei !

⁠Um dia irei,
pra fora do Brasil,
morar no céu, lugar
que ninguém nunca viu.

Lá não tem política e
nem corrupção, porque
lá no céu; não entra ladrão.

Inserida por COMPOSITOR

Senhora Dona Bahia

Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
e é que, quem o dinheiro nos arranca,
nos arranca as mãos, a língua, os olhos.

Esta mãe universal,
esta célebre Bahia,
que a seus peitos toma, e cria,
os que enjeita Portugal

Cansado de vos pregar
cultíssimas profecias,
quero das culteranias
hoje o hábito enforcar:
de que serve arrebentar
por quem de mim não tem mágoa?
verdades direi como água
porque todos entendais,
os ladinos e os boçais,
a Musa praguejadora.
Entendeis-me agora?

Ah! vem, alma sombria que pranteias.
Por quem choras? Por mim?
Em vez de prantos
Deixa-me suspirar a teus joelhos.
Tu sim és pura. Os anjos da inocência
Poderiam amar sobre teu seio.
Aperta minha mão! Senta-te um pouco
Bem unida a minha alma em meus joelhos,
Assim parece que um abraço aperta
Nossas almas que sofrem. Revivamos!
O passado é um sonh, o mundo é largo,
Fugiremos à pátria. Iremos longe
Habitar num deserto. No meu peito
Eu tenho amores para encher de encantos
Uma alma de mulher
Por que sorriste?
Sou um louco. Maldita a folha negra
Em que Deus escreveu a minha sina
Maldita minha mãe, que entre os joelhos
Não soubeste apertar, quando eu nascia,
O meu corpo infantil! Maldita!

Quem procura amigos, merece encontrá-los; quem não tem nenhum, nunca os desejou.

Gotthold Lessing
LESSING, G., Epigramas

Na vida, não nos apresentamos a ninguém que possa confundir-nos e odiamos quem nos confunde.

As doações devem atingir tão profundamente quem as recebe a ponto de causar-lhes espanto.

Quando Jean-Paul Sartre morreu, era Simone de Beauvoir quem eles deviam ter enterrado.

Quem quer garantir a própria liberdade, deve preservar da opressão até o inimigo; pois, se fugir a esse dever, estará a estabelecer um precedente que até a ele próprio há-de atingir.

Quem é o mais feliz dos homens? Aquele que valoriza os méritos dos outros, e do prazer deles tira alegria, até como se fossem dele próprio.

Não importa muito com quem te casas, já que na manhã seguinte seguramente descobrirás que se tratava de outra pessoa.

Aqueles que não precisam de trabalhar chamam o trabalho de virtude para enganar quem trabalha.

Quem está disposto a crer numa coisa, deixa-se convencer com os argumentos mais fáceis.

Não existe hóspede, por mais amigo que seja de quem o recebe, / que não comece a incomodar depois de três dias.

No mundo, nesse bosque de assassinos, / queres saber quem são os verdadeiros amigos? / Queres saber quem são? São os tostões.

Não há pessoa que não ame a liberdade, mas quem é justo exige-a para todos, quem é injusto, apenas para si mesmo.

Quando o poder dirige a sua mira para o bem pessoal de quem o exerce, já degenerou em tirania.

Quem tem fome não tem escolha. O seu espírito não vem de onde ele gostaria, mas da fome.

Não se pode verdadeiramente admirar senão quem está longe. Porque só a distância nos garante que não cheire mal da boca.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, 1992