Poemas de quem Deu um Fora
Silêncio da Partida: Quando Só Para Mim Tinha Importância
Às vezes, chego a um ponto em que finjo estar tolerando tudo. Tenho preguiça de argumentar, de tentar explicar. Calo-me, mas não engulo. Apenas me preparo para partir. A decisão já está tomada, mesmo que a tristeza ainda me acompanhe. Porque, ao longo do caminho, percebo que aquilo que para mim tinha tanta importância, para o outro não significava nada. E isso dói. A dor não vem do afastamento em si, mas da constatação de que, mesmo quando entregamos o nosso melhor, muitas vezes somos deixados para trás.
A tristeza não é uma fraqueza, mas um reflexo de tudo o que tentamos construir, das esperanças que alimentamos, e das promessas que não se cumpriram. O que resta agora é seguir em frente, mesmo com os olhos ainda voltados para o passado. Porque, mesmo sabendo que só para mim tinha importância, há algo mais forte dentro de mim, algo que me permite seguir. A liberdade vem da escolha de ir, mesmo quando a partida se faz silenciosa, e a dor é uma lembrança do que não foi recíproco.
E, com o tempo, essa dor se transforma. Não mais como um peso, mas como a sabedoria de quem se escolhe, de quem aprende a se dar valor, mesmo que o outro não tenha visto. O fim não é o fim, mas o começo de algo que só a mim importa agora.
Às vezes, me perco
na imensidão do que sinto.
Há em mim um sentir que transborda,
que atravessa o infinito,
que ecoa em vazios desconhecidos.
Luto para me conquistar,
mas sou terra em tempestade,
vento que se dobra ao tempo
e ainda assim resiste.
Carrego o peso de mil batalhas,
a exaustão de quem sempre luta,
mas também a força de quem,
mesmo em ruínas,
se reconstrói.
A Arte Secreta de Partir
Não ficaremos presos ao sofrimento para sempre. Haverá um momento em que o cansaço vencerá o choro, em que o silêncio será resposta, e a aceitação, descanso.
Aceitaremos que chegou ao fim. Que nada mais mudará.
Mas não partiremos de qualquer jeito. A despedida precisa de tempo, de rito, de memória.
Então, nos ergueremos. Nos arrumaremos. Sorriremos para que fiquem as melhores lembranças, para que até o perfume da pele se transforme em saudade boa.
Arrumaremos a casa. Veremos os amigos. Daremos abraços longos— daqueles que dizem, sem palavra alguma, que ali, naquele calor, se pudéssemos escolher, ficaríamos para sempre.
E talvez gargalhemos, para que o som ecoe na eternidade.
Antes de partir, a gente se deixa. Porque, embora a decisão já tenha sido tomada, o desejo é ficar.
Ficar no olhar de quem nos viu, no toque de quem nos sentiu, nas memórias de quem nos amou.
E ser lembrada da melhor forma possível.
Sorrindo.
Extensão dos meus pulmões, aqui respiro fundo e sigo adiante.
Em um mundo que corre apressado, onde os dias parecem escapar por entre os dedos, há algo precioso em simplesmente parar. Respirar fundo. Sentir o ar preencher os pulmões e lembrar que viver não é apenas passar pelo tempo, mas permitir que o tempo passe por nós.
A vida não é uma corrida. Nem tudo precisa ser imediato, instantâneo, descartável. Há beleza na pausa, no silêncio entre um passo e outro, na delicadeza de um olhar que se demora sobre a paisagem.
Permita-se observar. Sinta a brisa tocar sua pele, note os detalhes ao seu redor, aprecie a luz que dança sobre as coisas simples. E registre. Não apenas com fotos, mas com a alma. As memórias mais bonitas são aquelas que guardamos com presença, com entrega, com o coração aberto.
Saiba apreciar e registrar suas memórias sem pressa.
Viva cada instante como se fosse único — porque ele é.
Indiaroba, Terra de História e Afeto
Há um olhar que ultrapassa o óbvio, que enxerga além das paisagens e dos cartões-postais. Um olhar que se detém nos detalhes, nas expressões, nas mãos que trabalham, nas risadas que ecoam pelas ruas, no cheiro da comida que traz lembranças de casa.
Minha gente é feita de força e delicadeza. Das águas do Rio Real que nos banham e dos passos que marcam a terra. São rostos que contam histórias, vozes que preservam tradições, gestos que carregam gerações inteiras. E eu, com minha lente e meu coração, me faço parte disso tudo— registrando, contando, preservando.
Cada clique é um abraço na memória, um jeito de dizer: olhem para nós, para o que somos, para o que temos. Nossa cultura pulsa na feira livre, no trabalho dos pescadores, na dança que embala as festas, na fé que nos une. Indiaroba é mais que um lugar, é sentimento, é pertencimento, é raiz.
E quando alguém me pergunta o que me faz ter tanto orgulho de viver aqui, eu respondo sem hesitar: é a minha gente.
Foco também é dizer não!
Dizer não é um ato de coragem. É traçar limites, proteger sua energia e manter o olhar firme no que realmente importa. Foco não é apenas sobre o que você escolhe fazer, mas também sobre o que decide deixar para trás.
Mantenha-se conectada àquilo que te faz crescer. Cultive uma visão positiva que te impulsione, que te leve além. Cada dia é uma nova chance de ser melhor do que ontem, de lapidar sua essência, de construir a melhor versão de si mesma.
Priorize-se.
Valorize seu tempo, sua paz e seus sonhos. A meta não é aceitar menos do que você merece, mas sim reconhecer o seu valor e se posicionar à altura dele.
E, no caminho, lembre-se: foco não é apenas persistência, é também saber quando é hora de soltar, de recusar, de escolher-se.
Efêmero e Infinito
Quando eu for, um dia desses,
poeira, levada pelo vento,
quero ser como as estrelas—
que mesmo quando morrem,
não se apagam.
Que meu brilho, mesmo distante,
ainda toque olhares,
ainda ilumine caminhos,
ainda ecoe na memória
de quem um dia me viu brilhar.
Que eu permaneça,
não apenas na lembrança,
mas no sentir.
#AtravésDoMeuOlhar
Por Só Sol
O sol se põe,
mas nunca é só um pôr do sol.
Ele dança na linha do horizonte,
escorrega lento pelo céu,
como quem promete sumir,
mas nunca parte de verdade.
Pisca em tons de ouro,
derrama fogo sobre o mar,
e, num sussurro de luz,
diz que amanhã volta.
Nunca se perde,
nunca se esquece de ser sol.
Brilha onde os olhos não alcançam,
suspira calor em outras terras,
ilumina, mesmo quando não o vemos.
Porque ser sol
é mais que estar à vista—
é existir,
ardendo eterno
em si.
Oceano de Desejo
Meu corpo é maré alta, um oceano que se agita, sempre à espera de algo que o toque, que traga a calma ou o caos. Não são todas as mãos que sabem navegar esse mar profundo. Algumas apenas afundam, outras seguem sem perceber a profundidade. E eu espero por quem tenha coragem de mergulhar, por quem entenda que desejo não é só pele, mas a união de duas almas que se reconhecem no abismo e se elevam juntas, sem medo de se perder, mas prontas para se encontrar.
O Desejo como Chama que Só Queima pelo Certo
Há um incêndio em mim, queimando lento e constante. Mas não é qualquer toque que aviva essa chama, não é qualquer presença que alimenta esse fogo. O desejo não é só calor no corpo; é fogo na alma. Muitos tentam acender essa chama, mas o vento leva, dispersa. Eu espero por quem saiba se tornar brasa junto comigo, quem compreenda que a intensidade do desejo precisa ser alimentada com a pessoa certa, no momento certo, sem pressa, sem imediatez. Não sou uma chama fácil de acender, mas quando o fogo se inflama, ele consome tudo.
A Espera como um Jardim Fechado
Dentro de mim, há um jardim que floresce no toque certo, na voz certa, no cheiro certo. Mas não abro meus portões para qualquer um. Já vi mãos impacientes arrancarem pétalas que mereciam ser admiradas. Então, eu espero. E, enquanto espero, meu desejo cresce, se espalha, se fortalece. Porque quando a pessoa certa vier, encontrará em mim um campo inteiro pronto para ser explorado.
Cinza
Há fases que chegam como um sopro frio.
Momentos que parecem longos demais, silenciosos demais.
A vida continua, mas tudo ao redor parece coberto por uma mesma cor: cinza.
Não é um tempo de sorrisos fáceis nem de calor no peito.
É o tempo das pausas, das esperas, das perguntas que não têm resposta.
O tempo em que a alma aprende a caminhar devagar.
E, mesmo assim, existe beleza aqui.
Ela não grita, não se exibe, é discreta, quase tímida.
Só é vista por quem olha com mais do que os olhos.
Porque até nos dias sem brilho,
há algo que se move, que resiste, que permanece vivo.
E é isso que, um dia, prepara o coração
para reconhecer o sol quando ele voltar.
Há um lugar dentro de mim que não tem nome.
Não é sombra nem luz — é um silêncio que pulsa, como se guardasse o segredo de todas as respostas que nunca tive coragem de perguntar.
Ali, as memórias não se mostram em ordem, mas em fragmentos que se repetem como ondas. Cada lembrança traz um peso diferente, e cada peso molda um pouco mais quem sou. É um território onde o tempo não existe, mas onde cada instante tem o peso de uma eternidade.
Não é um lugar para visitas apressadas.
É preciso entrar devagar, com a respiração contida, aceitando que algumas verdades não se dizem — apenas se sentem.
Ali, o choro não é tristeza, é purificação. A dor não é inimiga, é guia. E a solidão não é ausência, é presença ampliada de si.
Talvez, no fundo, essa profundidade seja o que me mantém viva.
Porque é ali que encontro a mim mesma antes que o mundo me peça para ser outra.
A fotografia é mais do que o instante congelado — é um pedaço de alma revelado em luz.
Ela não guarda apenas cenários, mas imprime sentimentos, desperta memórias e conecta olhares.
Quem vê além da imagem percebe: cada detalhe carrega histórias, silêncios e emoções que pedem para ser sentidas.
É nesse espaço entre a visão e a sensibilidade que a fotografia se torna poesia para a alma.
E você, o que sente quando olha através desses olhos?
O Direito ao Silêncio
Como explicar que não estar preparado para responder uma mensagem ou um telefonema também é um limite — um limite que deveria ser compreendido e respeitado?
Vivemos tempos em que o imediatismo é confundido com afeto, e o silêncio com indiferença.
Mas há silêncios que são apenas pausas necessárias para quem já está sobrecarregado demais.
Estamos cansados emocionalmente, mentalmente, humanamente.
E, muitas vezes, o motivo de não responder não é falta de carinho, é justamente o excesso dele.
É o medo de repassar o peso, de transbordar dores em quem queremos proteger.
É o cuidado disfarçado de distância.
Mas como se fazer entender num mundo que só reconhece o que é dito, e não o que é sentido?
Como dizer que o silêncio também é uma forma de respeito?
Que às vezes o maior gesto de amor é o recolhimento, é o tempo que se leva para conseguir dizer algo verdadeiro — sem disfarces, sem máscaras, sem a pressa de parecer bem?
O silêncio, quando nasce do cansaço e do cuidado, não é afastamento.
É um pedido de espaço para respirar.
É a pausa de quem ainda quer estar, mas precisa primeiro voltar a ser.
Às vezes, os dias que já estão ruins ganham um gosto ainda mais amargo.
Eles não avisam, não pedem licença, não perguntam se você está firme o suficiente.
Eles simplesmente chegam, batem na porta como quem já tem a chave e dizem:
— Oi! Já tomei.
Como se pudesse tomar seu ânimo, sua paz, sua força, sua vontade.
E você fica ali, parada, tentando entender em que momento perdeu o controle do próprio dia,
em que segundo tudo virou peso,
em que instante a vida deixou de ser leve para virar esse cansaço que derruba até o que ainda resta de esperança.
Tem dias que chegam assim:
invadindo, atropelando, tomando tudo,
como se fossem donos do seu destino.
E você…
você só tenta respirar no meio do caos,
tentando não afundar de vez dentro do que sente.
Tem um provérbio africano que diz assim: "Eu espero que quando a morte vier te encontrar, te encontre vivo".
A ideia é que tem gente que morre antes, enquanto existe. Viver é mais que existir, é encontrar-se com o bem eo belo da vida, consigo mesmo,
é encontrar-se com o amor.
Como é ruim se sentir sozinho, em um mundo onde você gostaria somente de ser lembrado por alguém.
Que as pessoas reconheçam seu valor, mesmo você não oferecendo muito...
E mesmo que seja muito, que não seja esquecido.
Que as pessoas valorizem as atitudes ao invés de falhas,
E façam por merecer a reciprocidade.
Que as pessoas enxerguem o seu melhor e não lhe abandonem em momentos pequenos que você transmite seu pior.
No mundo somos pequenos seres, cheios de falhas, medos e angústias.
Somos fracos, porém somos fortes quando nunca nesta vida esperamos nada de ninguém.
Que nunca nos falte amor para podermos estarmos prontos em ajudar alguém, e que mesmo se muito que amamos nos machuquem, que consigamos ter o hábito de perdoar.
Seja agradecido a todos. Porque todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que acham que estão lhe obstruindo, mesmo aqueles que você pensa que são seus inimigos.
Seja agradecido a todos – àqueles que lhe ajudaram, àqueles que lhe obstruíram, àqueles que foram indiferentes.
Seus amigos, seus inimigos, boas e más pessoas, circunstâncias favoráveis, circunstâncias desfavoráveis – tudo isso está criando o contexto no qual você pode ser transformado e tornar-se um Buda – um ser desperto.
Tiro onda, porque mudo paradigmas
Meu melhor verso só serve se mudar vidas
Pois construí um castelo vindo dos destroços
Resumindo, eu tiro onda porque eu posso
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