Poemas de Mario Quintana Felicidade Realista

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Não se diminua para caber na vida outro, nem abra mão de sonhar para caber numa determinada realidade. Não é porque você está acostumado com o que vive, que precisa abrir mão do que deseja.

Se insisto no erro é porque a dor fala comigo num idioma que ainda não desaprendi.

Um paradoxo íntimo: querer devorar a vida e, ao mesmo tempo, aprender a degustá-la. Entender depressa só gera tensão. Olhar com calma revela profundidade. No intervalo entre um impulso e outro, entre o desejo de saber e a paciência de sentir, é onde tudo acontece. É ali que a vida realmente se mostra, silenciosa, intensa, inteira — mesmo quando nos obriga a frear.

Não confie no que vê quando está com medo. Coloque os óculos, ajuste o grau, depois olhe novamente para a mesma coisa. Não tenho dúvidas de que muitos de seus monstros só existem porque o medo embaça sua visão.

Caminho com cautela, não com medo. O futuro sempre deixa pistas: pequenas delicadezas, desvios precisos, acontecimentos que parecem deslocados mas chegam como resposta. E quando estou pronto, cada sinal acende, não como promessa, mas como direção.

É difícil mudar de caminho se, para o ego, a mudança for sinônimo de desistência.

Mudar não nasce do desespero, nasce da lucidez. Quando percebemos que o conforto tornou-se anestesia.

Tem noites que parecem dia, e são justamente nelas que, nas minhas madrugadas insones, o céu imenso deixa de ser silêncio para se tornar companhia.

Viver não deveria ser apenas aguentar. Em algum momento da vida, a alma também precisa encontrar um lugar onde possa descansar.

Talvez amadurecer também seja desaprender a suportar o que nos endurece e ter coragem de escolher o que nos acolhe.

De tanto suportar, começamos a confundir resistência com destino. E aquilo que nos aperta passa a parecer normal.

Domingo não pede pressa, o mundo desacelera só pra ver se você repara que viver às vezes é isso: um instante que, no próximo segundo, já é outro instante.

Coerência é quando o que você vive não desmente o que você diz. É nisso que a verdade se sustenta. Quando palavra e gesto caminham juntos, o discurso deixa de convencer e passa a existir.

A compaixão é uma emoção instável. Precisa ser traduzida em ação, ou desaparece. Sentir não basta. A compaixão que não se move se dissolve no conforto de quem apenas observa. Entre o que nos toca e o que fazemos com isso, existe um intervalo, e é ali que se decide se o afeto vira presença ou apenas mais uma emoção que passa.

Reduzir alguém ao seu transtorno é um atalho intelectual de quem não quer se comprometer com a escuta. É mais fácil citar o manual do que sustentar o encontro. O diagnóstico, quando vira identidade, não cuida, encerra. E encerrar o outro sob a aparência de saber é só uma forma sofisticada de não ter coragem de ouvi-lo.

Não se acostume ao milagre de estar vivo. Mantenha-se sensível ao encanto que cada novo dia pode te revelar.

Manter a ternura em tempos de ódio é um gesto revolucionário. Ser gentil é um ato político. Gentileza é resistência.

Ás vezes o coração congela por conta de tanto frío na barriga, tanto vento provoca tempestades na mente e no meio dessas nuvens não é possível enxergar, mas não permita chover em seus olhos se não for para que os raios de luz possam entrar.

Na nossa história, algumas páginas são pesadas como concreto. Algumas são escritas com sangue em vez de tinta; às vezes, enquanto estamos escrevendo alguém bate na nossa mão, pois escrevemos essa história com outras pessoas. A nossa história é longa, certamente não está no começo e não sabemos como nem quando ela acaba; não sabemos o que é vírgula e o que é ponto final. Continuamos um caminho que já nos precede, já que não começamos nossa história pelo primeiro capítulo. Nesse trajeto — muitas vezes caótico e sem direção — temos algumas pistas que nos fazem repensar. Nessa história, há muitos apócrifos, fragmentos e rascunhos aos quais provavelmente nunca teremos acesso.

Algumas pessoas sobrevivem mesmo que mortas; embora nem as tenhamos visto, e às vezes sequer tenham existido, algo resta: ideias, histórias, imaginários. Outras pessoas, mesmo que vivas, são para nós como se estivessem mortas, também há diversos contemporâneos aos quais são inexistentes para nós.