Poemas de Luto
Os frutos do nosso amor
amadureceram envoltos
da casca grossa do cotidiano,
Ser fortes era o nosso plano
para superar os desafios
da vida e tal qual uma
nogueira frondosa hoje
celebramos cada um
dos frutos que do amor
colhemos e conquistamos.
Forte e resistente
como o Carvalho
o amor da gente
é sobrevivente
de muitas tempestades
e continua intacto,
E assim continuamos
seguindo em frente
celebrando a cada
dia mais apaixonados:
somos eternos namorados.
Doce como cacau
e delicioso tal qual
chocolate.
Assim o nosso amor
foi se revelando.
E hoje estamos
aqui celebrando.
Perfumado e saboroso
como cravo o amor
foi fazendo nós dois
ficarmos acostumados,
Celebramos hoje com
muita energia a união
da gente no dia-a-dia
que nós mantém firmes,
fortes, enamorados
e na vida sempre em frente.
Um colocou a flor de ouro
do amor nas mãos de um
e nas mãos do outro,
Reconhecemos o amor
longevo no olhar,
E mergulhamos no oceano
de amar sob a bênção
do crisântemo infinito
que celebramos neste
dia especial e tão bonito.
O seu coração
feito girassol
se voltou para o Sol
do meu amor,
E o meu coração
feito girassol
se voltou para o Sol
do seu amor,
Celebramos hoje
infinitamente
o campo de girassóis
do amor da gente.
Um esbarrou no outro
sem querer querendo,
E entramos no meio
de um Maçarico que
já estava acontecendo.
Fomos de Charola
rápida, no Roca-roca
um pouco mais lento,
E você ficou gostando
desta nossa dança
finalmente acontecendo.
Ficamos enrolando
na Geleia de Mocotó,
Com o amor que vi
nos teus olhos percebi
que nunca mais ando só.
Muito bem de Repinico,
e ainda melhor
no bom Maçaricado,
Sim, você está apaixonado
quer ser meu amado,
e meu eterno namorado.
Você voltou a se ajoelhar
de leve, me deu a mão
para girar ao seu redor
com todo o calor
neste baile de puro amor.
Você se levantou faceiro
para me dar bem ligeiro
aquela umbigadinha no ar;
E eu te dei a retribuída
pelo teu charme rendida
e de paixão enlouquecida.
Os tambores senhores,
a viola toda sapeca,
a rabeca poética
e as sanfonas mandonas
por um instante pararam:
(Para você pedir a minha
mão em casamento,
Pois todas elas e os bailantes
antes de mim já estavam sabendo).
Onde o santo e o profano
se encontram o nosso
amor dança o Sairé,
Você é o Capitão do meu
destino e eu a Sairapora
escrita para guiar o seu
caminho e assim a festa
tem feito morada em nós.
Fui dançar a Parixara
com você no coração,
Agradeci ao Criador
por toda a Criação,
Na roda da Parixara,
o bambu batia do chão,
os bambuzinhos
na cintura chacoalham,
as palhas das saias
gentis roçavam
e assim os enfeites
faziam a percussão,
Dançamos a Parixara
para cumprimentar
e para se despedir,
Você sabe que existe
Parixara para tudo,
E que sem você
não vai dar mais
para ficar nenhum segundo.
Porque na verdade nunca deu.
A Crimeia é a Pátria
sagrada dos tártaros,
que por fraternidade
histórica e territorial
pertence a Ucrânia,
A Crimeia tem a sua
própria Cultura,
a sua Língua eReligião,
A Independência
Nacional da Crimeia
também é reconhecida
sob o conhecido guião
do artigo 4° da Constituição,
e tem gente que finge que não vê:
"A prevalência do direitos humanos,
a autodeterminação dos povos,
a não-intervenção,
a igualdade entre os Estados,
a defesa da paz
e a solução pacífica dos conflitos",
e mais tantas outras coisas
que deveriam fazer a diferença.
O quê nos colocava no topo do mundo
e nós concedia grande pendor
foram deixados para trás
porque o quê tem valido é tudo
aquilo que derrete o cérebro, envenena a língua e para o teclado
ultimamente tem escorrido;
Só sei que até o passaporte
para o absurdo tem sido o imperativo,
e se ali não for aceito a prisão
é destino certo e dê graças
a Deus por ainda não ter morrido.
[Longe de mim fazer discurso de ódio,
a guerra e a ocupação colonial
proporcionam tudo isso,
intoxicam até quem não
tem nada a ver com o ocorrido,
e eu não calo o quê deve ser dito].
Mais assustadora
do que a lenda
da Missa do Dia dos Mortos
é a sua cara feia,
Para ficar correndo atrás
de casamento,
não nasci com tal paciência.
Pior do que a sua própria
cara sou capaz de ficar
quando estou de mau humor,
aconselho não se arriscar,
Sobre a guerra dos sexos
nunca vou me interessar,
Se nasci para ser Tia Velha
não faço nem questão de lutar.
Das versões mais
convincentes da Mula Sem Cabeça,
sou aquela que não se casa
e deixa até o padre em paz;
E assim aqui está escrito o poema
da solteirona sem dilema.
Os seus olhos brilharam
mais do que uma constelação
quando me viram
no meio desta multidão,
Você me convidou para dançar
o rasqueado cuiabano
para defender a tradição,
E lá nós dois fomos
rodopiando no meio do salão.
Com o Pai-do-Mato
caminho lado a lado,
da Criação Divina
ele cuida como se
fosse a própria filha,
E por ele também
me sinto protegida.
Com o Pai-do-Mato
caminho por onde
nunca ninguém
antes tinha imaginado,
Ele me livra inclusive
do teu mau olhado.
(O Pai-do-Mato é lançador,
dos arbustos é sacudidor
e da consciência alheia
que acha bonito andar
no meio da Natureza
insistindo fazer malvadeza).
Você foi dançar
com os seus amigos
o Coco de Praia,
a mulherada não
ficou sossegada,
e de surpresa
juntas resolvemos
para que o coração
de cada um não
se distraia mudar
a nossa direção,
sarandear as saias
e dançar o Coco do Sertão.
Todos os dias você
tem me colocado dentro
do seu coração
superando a própria razão,
A viola de fandango
traduz esta crescente paixão
e imparável sensação
de flutuação quando
você vê qualquer sinal meu,
O adufe e a rabeca são
testemunhas do teu charme
dançando este Fandango Caiçara
no tablado e que por mim
você está apaixonado,
Você não quer que eu faça
par com mais ninguém,
e só de me ver dançando
com outro você fica inquietado.
Existem pessoas que acham
que até nas leis da Natureza
podem mandar,
Que a vida alheia não
devem respeitar
e por onde passam o que veem
na frente vivem para estragar.
Este tipo de gente o Barba Ruiva,
a Cabra Cabriola, o Cabeça de Cuia
e o Papa-Figo podem
nos fazer o favor de carregar:
(Porque gente assim nunca irá fazer falta porque a civilização
para elas nunca será o real lugar).
Eis poesia que abençoa e que
também é capaz de amaldiçoar,
Quem procura acha,
e depois da vida não pode reclamar.
A verdade foi feita para falar
e cada um se coloque no seu lugar.
As lendas existem também para educar os adultos que estão a teimar.
Você não precisa me afrontar
com a sua microbiografia,
e até querer impôr a quantidade
de versos para me ensinar
que os teus poemas são
mais poemas do que os meus.
Escrevo sem compromisso,
sem data, sem hora marcada
e sem querer chegar a algum lugar,
se escrevo poema ou poesia
só saberei quando a travessia acabar.
Escrevo porque escrevo
se sou poeta ou não,
o problema é somente meu,
e não é o seu assédio poético
que vai me determinar ou obrigar
a ler o quê não me interesso.
A minha Língua é muito
bem usada porque a uso
para cuidar da minha própria vida,
defender a herança Pátria
e ser solidária com quem precisa.
Dos versos, das pausas
e das consequências,
Me ocupo mais das consequências
do que com os versos,
Falar de amor só combina
mesmo é com a pausas
feitas olhos nos olhos,
e não com pausas literais.
Onde umas se preocupam
em se autoamaldiçoar
tornando-se Princesas-Cobras
e para virar gente sugar
o sangue do outro
para existir testando os limites.
Prefiro ser Janaína flutuando
no oceano do teu amor,
Em vez de erguer uma
cidade encantada,
Sou mais é erguer fortalezas
que nos abriguem
com poesia e tranquilidade
para ver a tempestade
dançar o seu baile e passar.
Acendi o candeeiro,
Santino Cirandeiro
cantou "É Hora",
e me fez pensar na vida
que é o nosso ponto
de chegada e partida.
O amor é um mistério
que as vezes não
sentimos por perto,
para uns ele está longe,
porque na verdade
tudo acontece dentro.
A ciranda do tempo
nem sempre resolve
por perto porque
a regra não existe,
porque mesmo longe
é preciso estar dentro.
O amor é um mistério
que as vezes não
se ama por perto,
porque na verdade
se ama é por dentro
num acordo com o tempo.
Estamos no mesmo auto,
és o meu Rei e sou a sua Rainha,
Nós entre os Reis de Congo
nos conhecemos sem conto,
e nos queremos sem historinha.
Desta vez somos os inevitáveis
Reis de Bamba nesta batalha
que dança até um Reinado
derrotar o outro e agradecer
a São Benedito por tudo isso.
Só sei que o Ticumbi nos compete,
e não há nada que dele nos repele;
É desta força e tradição que
nos impele a preservar com todo
o amor tudo o quê merece.
Só sei que no final não devemos
satisfação a quem quer que seja,
Porque o amor dá conta de tudo
trazendo para nós recompensa
de ignorar tudo aquilo na vida
que só esquenta a nossa cabeça.
#Ticumbi
#poetisabrasileira
