Poemas de Luto
Sistema Clandestino
William Contraponto
Nos becos frios, vozes se escondem,
O jogo sujo corre sem avisar,
Na margem, segredos que respondem,
A quem se recusa a se calar.
Sistema clandestino, sem perdão,
Na noite escura, trama a ilusão,
Correndo entre fios, sem razão,
Na luta muda da opressão.
Papel oculto, fala que consome,
O grito preso que ninguém quer ouvir,
No silêncio frio do poder enorme,
Quem ousa pensar pode sucumbir.
Sistema clandestino, sem perdão,
Na noite escura, trama a ilusão,
Correndo entre fios, sem razão,
Na luta muda da opressão.
Mas há uma luz que nasce na esquina,
A força bruta que não vai ceder,
Contra o silêncio e a máscara fina,
Quem tem coragem vai renascer.
Sistema clandestino, sem perdão,
Na noite escura, trama a ilusão,
Correndo entre fios, sem razão,
Na luta muda da opressão.
Boneca do Vazio
William Contraponto
Há um corpo que não respira,
com olhos fixos no não-ser.
No colo, a ausência gira
vestida de um quase-viver.
Não chora, mas comove a alma,
não cresce, mas sabe esperar.
É ternura sem ter calma,
é consolo a simular.
Boneca feita de lamento,
de desejo e de negação.
O tempo ali é fingimento,
repetição sem coração.
É culto ao que nunca sente,
fetiche do eterno imaculado.
Negar o real, tão pungente,
por um afeto embalado.
No berço, repousa o espelho
de um mundo que teme sofrer.
Prefere o falso conselho
a ver o amor perecer.
Tão real quanto uma mentira dita,
com olhos que não sabem ver.
É o retrato de uma era aflita
que troca o fato por parecer.
Corpo a Corpo
William Contraponto
Teu cheiro chegou primeiro.
Nem palavra, nem nome.
Apenas pele
em estado de intenção.
Tinhas o torso do erro
que eu nunca quis evitar,
e um olhar de quem conhece
a língua dos labirintos.
Não havia futuro em nós —
havia agora.
Esse agora denso,
que se despe com os dentes
e se escreve no escuro.
Minhas mãos em tua nuca,
teus quadris contra o mundo,
e tudo o que não sabíamos dizer
se dizia ali,
em cada investida.
Não fizemos amor —
fizemos ausência.
Do que disseram que era certo,
do que juramos reprimir.
Fizemos vício,
feito dois animais
com pensamento demais.
Depois, o silêncio.
Não o constrangido —
mas o pleno.
Como quem sabe
que o que aconteceu
não precisa de legenda.
E quando partiste,
deixaste um rastro de ti
no cheiro do lençol,
e um pouco de mim
nas tuas costas.
O Silêncio Que Te Espia
William Contraponto
Te escondes no ruído e na agonia,
temendo o vulto da própria verdade.
Chamas de vida a farsa que te guia,
mas vives sob o fio da tempestade.
Teus gestos são ensaio e encenação,
reflexos de um deserto mal coberto.
Teu riso é disfarce da contramão,
pois nunca estiveste assim tão perto.
O quarto te devolve o que calaste:
um murmúrio sem rosto, frio, inteiro.
No fundo do silêncio que evitaste,
te espreita um ser sem nome e verdadeiro.
Não foges só do mundo lá de fora,
mas da presença crua que te habita.
O barulho é o refúgio de quem chora
sem ter coragem de escutar a dita.
Os Que Ficaram
William Contraponto
Era.
Sem disfarces.
Mas também — sem cartazes.
Fui o que era,
sem anunciar,
sem negar.
Toquei muitos —
como eu —
sem nomear o que havia.
Corpos sabiam,
palavras não.
Alguns chamariam de busca,
outros, de fuga.
Para mim,
era caminho.
Até que me aceitei.
Me revelei.
Não ao mundo —
mas a mim.
E bastou.
Enquanto tantos,
com quem me perdi,
optaram por se esconder.
Assinaram papéis,
tiveram filhos,
ergueram casas.
Mas não abrigo.
Fizeram o que se espera.
E esperam, ainda hoje,
que a vida passe
sem que ninguém veja
o que falta por dentro.
Ficaram nas sombras
das aparências.
Eu?
Neguei esse papel.
Conhece-te a ti mesmo
Ser forte
não é fingir que não dói.
É aceitar que sente
e, ainda assim, permanecer inteiro.
Minha natureza é essa:
eu sinto.
Eu respeito.
Eu me importo.
Mesmo quando isso parece tolice para o mundo.
E enquanto muitos usam o poder
para dobrar os outros,
eu escolho o poder que me liberta:
o de permanecer quem eu sou.
Porque, no fim,
o sábio
não é quem vence disputas...
é quem não se perde de si.
Epílogo do LIVRO DAS REFLEXÕES
por Danyyel Elan
Lançamento em breve.
Pra mim não é o fim
Não acabou
E essa dor um dia
Vai me fazer entender
Que eu estou
Perto do que amo
Que quando somo
É pensando em dividir
E mesmo assim
Entendo que só restou
Pra mim o que não quis
Pra você
Portanto fique com o que não se vê
Mas faça de você
O melhor que puder
Siga seu caminho com seus velhos planos
E passe um pano no que passou
Vai ser mais fácil pra você
Compreender quem você é .
Felicidade, algo inexistente,
a essa gente com o coração desprovido de sonhos.
Sonhar já não é o mais importante,
senão a luta constante para a realização de cada sonho.
Quando o dia chega ao fim
e o sol beija o poente,
fecha-se uma página do livro da vida
que jamais poderá ser lida novamente.
Que possamos ouvir a canção
dos passarinhos
e que a vida floresça a céu aberto,
bela como uma primavera em flor.
Mas não é possível contemplar as flores
ao longo do caminho,
tendo um coração deserto
e vazio de amor.
HARLÂNDIA (À minha nobre autora e amiga)
"O teu nome é muito literário. Tem uma sonoridade bastante literária e poética. Não necessita nem de sobrenome ... Ele, por si só, já transmite uma mensagem forte, além de ser curto e de fácil pronúncia".
Muitos vão desanima-lo,
Mas tenha compreensão.
Busque o que você almeja,
Com mais determinação.
E seja sempre do bem,
Com amor no coração.
Uma postura política
Todo mundo deve ter,
Por faltar uma excelente,
Vamos tentar escolher.
Mesmo que seja a menor
Escolha a menos pior
E trabalhe para crescer.
Twitter, Instagram e Facebook : @varnecicordel
No Natal ou todo dia
Ore, reze um pouco mais
Encoraje-a com a Fé
Lute sempre pela paz
Inspire-se com a poesia
Ajude mais os demais.
Viaje mais na leitura,
Ande na imaginação,
Siga mais o coração.
Beba da literatura,
Abasteça de cultura.
Vai viciar em beber,
Mas livre você vai ser,
Vai amar o diferente.
O leitor planta na mente
a semente do saber.
(Mote: Ataídes Silva, o poeta de Ibitiara-BA)
(M)ês das mulheres é
(U)m mês resiliente,
(L)he inspira ser forte...
(H)oje seguimos em frente
(E) faça um favorzinho
(R)espeite mais a gente!
Viva sempre sua lida,
Por mais que seja dura,
Mas a vida meus caros é difícil!
viver não é fácil
nunca foi e nunca será...
Mas não podemos parar
A vida é uma peça de teatro,
E como diz o Bráulio Bessa: Até mesmo uma topada empurra a gente pra frente...
Então minha gente vamos viver mais o presente para fazer diferente...
"Abdiquei do meu Deus, abandonei minhas divindades.
Mas para os ouvidos que me ouviram, os olhos que me leram, isso já não é novidade.
Minha mente fantasia loucuras, minha boca grita leviandades.
Talvez tudo isso, seja insanidade.
O mais provável, é que sejam sintomas de saudades.
Eu tentei me acostumar, aceita-la, ignora-la, eu tentei, e tento, de verdade.
Mas por que eu deveria me acostumar com a saudade?
Não é qualquer saudade.
É aquela saudade intrínseca, que me invade a cada fim de tarde.
É aquela saudade, que vem quando o vento me lembra seu cheiro e o desejo inflama, o peito arde.
Aquela saudade é permanente, não um momento, uma fase.
Me vem as lembranças, meus olhos transbordam, rega e floresce essa saudade.
Vou-me, mas não por querer ir; vou-me, pois sei que já é tarde.
Prostei-me de joelhos, rogando para que tal sentimento, do meu eu, Deus levasse.
Mas em prantos, não fui atendido e lembrei-me, que abdiquei do meu Deus, abandonei minhas divindades..."
"Eu era tempestade, você veio, sou calmaria.
E hoje? Sou tempestade.
Eu era frio, você veio, sou calor.
E hoje? Sou frio.
Eu era tristeza, você veio, sou felicidade.
E hoje? Sou tristeza.
Eu era escuridão, você veio, sou luz.
E hoje? Sou escuridão.
Eu era solidão, você veio, minha companhia.
E hoje? Sou solidão.
Eu era algo sem rima, você veio, sou poesia.
E hoje? Não tenho mais rima.
A saudade é minha sina.
Ah, aquela menina.
Você veio, você se foi.
Hoje só me resta na memória as lembranças do que eu era antes de nós dois..."
