Poemas de Luto
Declaração de bens
meu deus
minha pátria
minha família
minha casa
meu clube
meu carro
minha mulher
minha escova de dentes
meus calos
minha vida
meu câncer
meus vermes
ELA
Ela sabe ser o caos e calmaria.
Sabe ser ternura e ser fria.
Ela não sabe se quer mudar de cidade, país, fugir com o circo, mas quase tem certeza que é de outro planeta.
Ela tem uma alma de artista que floresce dos pés à cabeça.
Ela é professora de alongamento, canta, dança, escreve poesia.
E ainda tem tempo de estudar e sorrir para os clientes todo dia.
Ela é de lua, mas porque é aluada, mas tem sol em seu ser.
Ela tem luz própria há quem ame, há quem odeie, jura que ,às vezes, não faz por querer.
Ela não sai se não for causar, e mesmo quando não quer, sem querer é o centro de atenção, provocando desejo, inveja ou admiração.
Há quem diga que ela é louca e sem noção, ela aceita o elogio e continua a voar com os pés no chão.
No amor ela é romântica, carinhosa, companheira, fiel e ainda escreve poemas ou cartas para o amado.
É intensa, fogosa e dança especialmente para seu homem que o deixa todo apaixonado.
Ela também é orgulhosa, rancorosa e também pouco tolerante - sabe que precisa mudar, mas tem um coração gigante.
Ela só precisa de alguém que some na vida dela e que não a faça desistir.
Ela é de poucas amizades e creio que será sempre assim, mas se você decidir ser amiga dela saiba que ela é da sinceridade que dói, é sua amiga de verdade.
Isso porque ela erra com o outro, mas jura ser falta de malícia por no coração não ter maldade.
Sua mãe é sua guardiã, melhor amiga e até hoje tenta fazê-la sair do seu mundo cor de rosa.
Ela se cansou de esperar pelo príncipe encantado, quando achou que estava tudo perdido pulou da torre...
Mas, descobriu que podia voar... E nos seus ideais resolveu mergulhar fundo...
Hoje ela só quer viver dos seus sonhos, fazer mais 2 faculdades, aula de canto, violão, violino, piano, costura e ainda ter tempo de viajar pelo mundo...
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Quando me falta uma letra, não escrevo uma palavra.
Quando me falta uma palavra, não escrevo uma frase.
Quando me falta uma frase, não escrevo um poema.
Quando me falta um poema, não escrevo um livro.
NAÇÕES NO CLÁSSICO
(15.03.2019).
É a alegria de duas nações,
Que transcende a rivalidade.
Dois eternos corações,
Que querem o gol como liberdade.
O furacão se lança para frente,
Desejando no final chegar...
E com sua história,
A taça do catarinense ganhar.
Os versos não mentem!
E sabem descrever,
O Leão da Ilha,
Rugindo pra vencer.
Destemino, se impõe!
Sendo o Rei da Selva e,
Desejando o primeiro lugar.
Ir com tudo para alcançar.
Esse é o clássico a nos resgatar,
No tempo e no espaço.
Buscando-nos presentear,
Com a glória de um espetáculo.
Seu coração
É como ônibus, como metrô
As pessoas se empurram para conseguir entrar
Se encolhem para se encaixar
Se esforçam para transitar
Esperam
Dormem
Passam do ponto
Seu coração
É como ônibus, como metrô
Eles queimam para protestar
Protestam para melhorar
Arranjam espaço para marcar; pixar.
Eles brigam por lugar
Mas quem dirige sou eu.
Nosso Amor
Intenso como a noite,
Profundo como a imensidão do oceano.
Perfeito como o raiar do sol pela manhã.
Bonito como uma criança que vem ao mundo,
Marcante como o dia de um casamento,
Especial como grandes e eternos amigos.
Assim descrevo o Amor que existe qui dento de nós!
Lindo? Não! Fiel? Não! Sincero? Não!
Muito mais que isso... Algo fora o comum.
A EXISTÊNCIA DE OUTRO
(17.03.2019).
Passei o dia...
Pensando no seu sorriso,
E como sois tão terna!
Vida minha e poesia!
Com ansiedade, espero...
Para te ver a abrir como flor,
Exalando um pouco de perfume.
Um mistério nos olhos que,
Atraí-me de maneira sublime.
Todo o espírito se anima,
Quando chego no trabalho,
Pois sei... Estás lá a fascinar.
Porém, não nego a impossibilidade
De manter meu rosto afastado do seu,
Acreditando na existência de outro alguém.
Bem vinda sejas,
nunvem cortina
de céu nublado, por ti,
no papel pautado
há prenúncio de linhas e entrelinhas,
paradoxal regozijo da poesia.
Há se não fosse em silencio,
de nada falaria.
-Quando falo, "pouco digo".
Mas quando calo, um universo inteiro me fala d'aquilo que no meu pouco digo,
De nada falaria.
Tudo acontece
A verdade doí,
a dor machuca,
a morte destrói,
a vida caduca.
O sofrer mata,
o poder ilude,
o querer cala,
o ter discute.
VERDADE OCULTA
(18.03.2019)
Não perco a fantasia,
De um dia estar ao seu lado,
Imaginando as palavras nas cartas,
Sendo reais em nosso caso!
Verdade se oculta,
E nada se pode fazer...
Mas, nesta vida minha,
Contigo quero viver.
Apesar de eu te escrever,
Contando todas as coisas que,
São mistérios só meu,
Nenhuma reação esboças,
Para se tornar minha alma.
Esta alma a muito tempo...
Implora por sua atenção,
E chora as noites,
Quando não ver solução.
Dizem que nada se cria mas tudo se imita... Como combater tamanha covardia cometida por pessoas corruptas e covardes que visão apenas lucro e fama?
Lavo minhas mãos e imploro a volta de Jesus Cristo.
Pena de morte e prisão perpetua no Brasil
Vejo que nós, negras meninas
Temos olhos de estrelas,
Que por vezes se permitem constelar
O problema é que desde sempre nos tiraram a nobreza
Duvidaram das nossas ciências,
E quem antes atendia pelo pronome alteza
Hoje, pra sobreviver, lhe sobra o cargo de empregada da casa
É preciso lembrar da nossa raiz
semente negra de força matriz que brota em riste!
Mãos calejadas, corpos marcados sim
Mas de quem ainda resiste.
Ah! Não Posso
Se uma frase se pudesse
Do meu peito destacar;
Uma frase misteriosa
Como o gemido do mar,
Em noite erma, e saudosa,
De meigo, e doce luar.
Ah! se pudesse!... mas muda
Sou, por lei, que me impõe Deus!
Essa frase maga encerra,
Resume os afetos meus;
Exprime o gozo dos anjos,
Extremos puros dos céus.
Entretanto, ela é meu sonho,
Meu ideal inda é ela;
Menos a vida eu amara
Embora fosse ela bela.
Como rubro diamante,
Sob finíssima tela.
Se dizê-la é meu empenho,
Reprimi-la é meu dever:
Se se escapar dos meus lábios,
Oh! Deus, - fazei-me morrer!
Que eu pronunciando-a não posso
Mais sobre a terra viver.
Os crus dissabores que eu sofro são tantos,
São tantos os prantos, que vivo a chorar,
É tanta a agonia, tão lenta e sentida,
Que rouba-me a vida, sem nunca acabar.
Não queiras a vida
Que eu sofro - levar,
Resume tais dores
Que podem matar.
E eu as sofro todas, e nem sei
Como posso existir!
Vaga sombra entre os vivos, - mal podendo
Meus pesares sentir.
Talvez assim deus queira o meu viver
Tão cheio de amargura.
P'ra que não ame a vida, e não me aterre
A fria sepultura.
E as dores no peito dormentes se acalmam.
E eu julgo teu riso credor de um favor:
E eu sinto minh'alma de novo exaltar-se,
Rendida aos sublimes mistérios do amor.
Não digas, é crime - que amar-te não sei,
Que fria te nego meus doces extremos...
Eu amo adorar-te melhor do que a vida,
melhor que a existência que tanto queremos.
Deixara eu de amar-te, quisera um momento,
Que a vida eu deixara também de gozar!
Delírio, ou loucura - sou cega em querer-te,
Sou louca... perdida, só sei te adorar.
Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de Africa.
Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.
E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE
