Poemas de Luto
O escritor tem um vício incurável, rabiscar o universo, falar de tudo e de todos que falam sobre tudo, dá viço, com muita maestria, na ponta do lápis se não virar conto, vira poesia num rabisco.
A oração faz do silêncio festim, assim Abraão subia as plácidas montanhas para orar e agradecer ao pai celestial.
Não se perca na análise incessante dos sentimentos, analisando cada detalhe do que sente, o amor pode morrer de repente, os mortos passam por autópsias, porque já são mortos.
A vida é mais lenta do que se pensa, você tem duas opções, ou você suporta a pena ou voa leve feito uma.
Vi, viví no impossível, provei do mel improvável esperado, por quanto mais se mostrou interessante, aconteceu o inesperado.
Às vezes, o impossível se prova inacreditável, quando o esplêndor toma o espaço opaco, ofusca a dor por causa e impácto.
Mágoas causam destruição, pois, por ti todo dia é tijolo de construção.Construções velhas são ruínas, devem ser reformadas, derrubadas e reconstruídas.Desconstrua velhas mágoas.
Penso no amor louco, noto e anoto, dou-me nacos, sal e doce, peso a loucura pela razão que me trouxe.
Se amar fosse crime, eu aceitaria a sentênça sorrindo, porque amar você nunca foi excesso — foi destino.
Toda vez que eu tenho vontade de te procurar mas não procuro, penso se você faz o mesmo. Se você faz, tem feito muito melhor que eu.
E sempre funcionou bem assim; era só começar a gostar de alguém que eu dava um jeito de ir embora. Mas com você não deu, só consegui ficar.
Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse.
