Poemas de Jorge Amado

Cerca de 48 poemas de Jorge Amado
Jorge Leal Amado de Faria (1912-2001) foi um escritor brasileiro traduzido para diversos idiomas. Marcou a literatura ao dar protagonismo às classes marginalizadas, e foi um dos autores mais adaptados para o cinema e a televisão. Alguns de seus livros de maior destaque são "Capitães da areia" (1937), "Gabriela, cravo e canela" (1958) e "Dona Flor e seus dois maridos" (1966).

– Por que pregar susto na gente, Berrito desgraçado? Tu bem sabe que tenho o coração fraco, o médico recomendou que eu não me aborrecesse. Cada idéia tu tem, como posso viver sem tu, homem com parte com o tinhoso? Tou acostumada com tu, com as coisas malucas que tu diz, tua velhice sabida, teu jeito tão sem jeito, teu gosto de bondade. Por que tu me fez isso hoje? – e tomava da cabeça ferida na peleja, beijava-lhe os olhos de malícia.

Jorge Amado
Os velhos marinheiros

Logo que um novato entrava para os Capitães da Areia formava logo uma idéia ruim de Sem-Pernas. Porque ele logo botava um apelido, ria de um gesto, de uma frase do novato. Ridicularizava tudo era dos que mais brigavam. Tinha mesmo uma fama de malvado. Muitos do grupo não gostavam dele, mas aqueles que passavam por cima de tudo e se faziam seus amigos diziam que ele era um "sujeito bom". No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. E rindo, e ridicularizando, era que fugia da sua desgraça. Era como um remédio. No rosto do que rezava ia uma exaltação, qualquer coisa que ao primeiro momento o Sem-Pernas pensou que fosse alegria ou felicidade. Mas fitou o rosto do outro e achou que era uma expressão que não sabia definir. E pensou, contraindo seu rosto pequeno, que talvez por isso ele nunca tenha pensado em rezar, em se voltar para o céu. O que ele queria era fugir da sua angústia, que estrangulava. Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. No bando, não tardou a se destacar porque sabia como ninguém como afetar a dor.

Jorge Amado

Nota: Trechos do livro "Capitães da Areia"

Não possuímos direito maior e mais inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar.

Jorge Amado
O menino grapiúna

O fato de não se compreender ou explicar uma coisa não acaba com ela. Nada sei das estrelas, mas as vejo no céu, são a beleza da noite.

Jorge Amado
Gabriela, cravo e canela. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Temos olhos de ver e olhos de não ver, depende do estado do coração de cada um.

Jorge Amado
O gato malhado e a andorinha Sinhá: uma história de amor. Rio de Janeiro: Record, 1976.

Que culpa eles têm? (...) Quem cuida deles? Quem os ensina? Quem os ajuda? Que carinho eles têm? (...) Roubam para comer porque todos estes ricos que têm para botar fora, para dar para as igrejas, não se lembram que existem crianças com fome...

Jorge Amado
Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Para que explicar? Nada desejo explicar. Explicar é limitar. É impossível limitar Gabriela, dissecar sua alma.

Jorge Amado
Gabriela, cravo e canela. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

Jorge Amado
Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

⁠Pobres dos escritores que não se derem conta disso: escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e sei, minha experiência e forma de ver a vida.

Jorge Amado
O Estado de S. Paulo, 31 mar. 1995.
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⁠Sou filho da cultura popular da Bahia e da cultura francesa. Esta é uma das minhas misturas.

Jorge Amado
Jornal do Brasil, 22 dez. 1992.
Inserida por pensador

⁠Acho que você não deve fazer nada que não o divirta, lhe dê prazer. Também não deve exercer um ofício, uma profissão para a qual é incompetente.

Jorge Amado
Jornal da Tarde, 16 jan. 1988.
Inserida por pensador

⁠A juventude é um bem imenso que você não prolonga. A juventude se acaba, nem que você queira iludir-se com esse negócio de jovem de espírito. Jovem é jovem, ponto final.

Jorge Amado
Jornal da Tarde, 16 jan. 1988.
Inserida por pensador

⁠Eu sou incapaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Além de gostar de uma mulher e escrever, uma terceira coisa eu não consigo, não consegui nunca em minha vida.

Jorge Amado
Folha de S.Paulo, 6 jul. 1991.
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⁠Não escrevi meu primeiro livro pensando em ficar famoso. Escrevi pela necessidade de expressar o que sentia.

Jorge Amado
Jornal do Brasil, 30 jun. 1997.
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⁠Na Europa, chamam-me de mestre, mas é caminhando pelas ruas de Salvador que eu me sinto à vontade.

Jorge Amado
Folha de S.Paulo, 5 ago. 1992.
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⁠Nunca tivera uma alegria de criança. Se fizera homem antes dos dez anos para lutar pela mais miserável das vidas: a vida de criança abandonada.

Jorge Amado
Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
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⁠Eu escrevo como me agrada; não há escritor mais livre neste país. Não tenho compromissos senão comigo mesmo: nem com modas, nem com escolas, nem com circunstâncias, nem com academias, nem com editores, nada. Tenho um único compromisso: com o povo.

Jorge Amado
Lispector, Clarice. Clarice Lispector entrevista: Grandes personalidades entrevistadas por Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco, 2024.

Nota: Entrevista publicada na revista Manchete, em 14 de junho de 1969.

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Inserida por pensador

⁠Eu continuo firmemente pensando em modificar o mundo e acho que a literatura tem uma grande importância.

Jorge Amado
Jornal da Tarde, 16 jan. 1988.
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⁠É necessário que os países do Primeiro Mundo entendam que é preciso preservar também cidades como Salvador, não apenas Roma ou Paris.

Jorge Amado
O Globo, 8 nov. 1991.
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⁠Para fazer uma coisa que não me diverte tenho que fazer um esforço muito grande.

Jorge Amado
Folha de S.Paulo, 6 jul. 1991.
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