Poemas de Homem Triste
O homem procura a verdade como quem procura um horizonte: quanto mais avança, mais descobre que o horizonte também avançou.
Toda civilização é uma negociação inacabada entre aquilo que o homem é, aquilo que teme ser e aquilo que imagina poder tornar-se.
Uma invenção verdadeiramente grande não é aquela que torna o homem mais poderoso, mas aquela que o torna mais capaz de compreender o poder que possui.
Aquele que interroga a natureza, o homem e a sociedade com a mesma curiosidade transforma o conhecimento em uma forma de descoberta.
O homem renasce intelectualmente quando deixa de escolher entre os saberes e começa a compreender suas relações.
O homem que precisa convencer alguém de seu valor já começou a negociação em posição de dependência.
O homem que trabalha obsessivamente para parecer superior continua dependente daqueles diante de quem precisa parecer superior.
O homem que teme profundamente ser abandonado pode acabar abandonando a própria autonomia antes mesmo que alguém o abandone.
O homem que transforma sua paz em condição para qualquer relacionamento talvez tenha compreendido algo que muitos descobrem tarde demais: nenhuma companhia vale o preço da própria desintegração.
O homem que precisa constantemente provar sua masculinidade talvez ainda esteja procurando fora de si uma identidade que deveria ter construído por dentro.
O homem que conhece o valor do silêncio descobre que nem toda ausência precisa ser combatida com ruído, romance ou distração.
Um homem pode viver sozinho e ainda estar profundamente conectado ao mundo; solitude não é necessariamente isolamento, mas uma forma particular de presença.
O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.
O homem livre não pergunta qual vida será mais admirada; pergunta qual vida poderá habitar sem vergonha diante da própria consciência.
O homem que aceita a possibilidade de partir torna-se paradoxalmente mais capaz de permanecer sem submissão.
Quanto mais o homem tenta possuir o instante, mais rapidamente percebe que nunca possuiu sequer o próprio tempo.
A justiça criminal precisa compreender o homem que praticou o ato sem transformar a compreensão em absolvição automática.
"A sensação de voltarmos ao passado em um pseudo retrocesso; é engano. O homem social, não ultrapassa o homem mental... O processo nos impõe retornos... A superação é realizar um melhor passado, toda vez que reacontecer."
