Poemas de Filhos
Filho da casualidade,
Nasceu soneto,
Sobre os mares,
Sonhando, desbravando,
- e cantando
E a sua rota traçando,
Flutua a caravela,
Procurando aportar
Em terra firme;
O amor não tem limite.
Prosseguindo a embarcação,
Desenhando espumas,
E tatuando o coração,
- a saudade
Nem o vento a tomba,
As brumas não a amedronta.
Herdeiro da verdade,
Eu te escuto,
No tilintar das estrelas,
No beijar dos cometas,
No dobrar das forças,
Eu te pertenço,
E para sempre irei ser tua
Por toda a eternidade...
Tenho no Filho a minha certeza
De sempre e tanto
Todo o meu maior amor
E todo encanto
Repleto de serenidade, e entrega.
Crendo sempre na caridade
Orante e expansiva,
Ela nos perfuma e nos dá liberdade,
É missão até na clausura,
Verdade que se perpetua,
E dá o tom de plena felicidade,
E nos coloca nos degraus de santidade.
Tenho no Pai a minha direção
Atemporal e atenta
Ao apelo desse amor
Que me chama
Ao serviço de realizar
Uma passagem serena.
O recolhimento é paradoxal
Diante do olhar
Dos que o chamam de descontentamento;
Ele é contentamento espiritual,
É chamamento a experiência
- anônima -
De oração e sentimento.
Tenho no Espírito Santo, sempre
A minha inspiração
- todo o meu canto -
Secretíssimo,
Sacratíssimo,
E verdadeiro;
Por todos os amores
Pelos espinhos e dores
Estou solicita a te servir eternamente.
Genealogia das estrelas,
Sideradas Pinceladas,
Filha de Rosana,
Galáxia iluminada,
Genealogia Cósmica,
Artes Plásticas,
Epistemologia dourada,
Sinfonia dos cometas,
Giram os planetas,
Rosas perfumadas,
Não menos silenciadas,
Todas frondosas,
E desabrochadas,
Místicas ocultadas,
₢ores misturadas,
Todas afinadas,
Todas retratadas,
Genealogia cósmica,
- declarada -
Da artista plástica,
Poetisa,
Cheia de glória,
Contadora de histórias,
Criadora de versos,
- repletos -
De vidas próprias,
Vidas mitológicas,
Surreais lógicas,
Artísticas trajetórias,
Exaltando memórias.
Começou o Carnaval
O samba é coisa boa
Filho do Carnaval
Até debaixo da garoa
O choro que chora
Não chora só a dor
Ele é feito de amor
Que também perdoa
Na ponta da sandália
Da bela mulata
Com o corpo pintado
Com tinta cor-de-prata
Na cadência de cada passo
Ela vai iluminando
O Rio segue sambando
O Brasil inteiro empolgando
Mulata que faz o homem penar
E as mulheres invejar
Faz o coração do povo sambar
É samba-mulher a encantar
Mulata Carnaval
É enredo
Mulata tão linda
Que chega a colocar medo
Mulata me empresta
Um pouco do teu perfume
Só para provocar
E ver se o meu amor sente ciúme
Mulata me ensina o seu rebolado
Só para enfeitiçar
E endoidecer o meu namorado
Para deixar ele apaixonado
O Brasil gosta de samba
Esqueceu o samba perdido
Um tipo de samba esquecido
Chamado samba de partido
Mulata que é pagode
Mulata que é samba
Mulata que é choro
Mulata que é samba de partido
Mulata você é um perigo
Mulata você é o Carnaval inteiro
Mulata que é samba enredo
Mulata me ensina o seu segredo...
Águas de Chapecó
No teu chão se ergueu
o lar para os filhos
da Revolução Federalista
do Rio Grande do Sul
que irmãos desta vida
se tornaram e ao céu
entregaram os sonhos.
Os Rios Uruguai e Chapecó
a predestinaram ser esperança,
terra tremenda e estância,
onde a minha serenidade
da força dela a minh'alma
se eleva e o peito se alimenta.
Nos teus morros ondulados
o Sol segue dando pistas,
a Lua entregue apaixonada
e as estrelas sendo artistas,
és de destino do amor
dando as cartas e as pistas.
Águas de Chapecó distante
de ti não há um instante
que eu não me sinta na vida só.
Os olhos dos bravos
e os silentes lábios
dos filhos de Argos
espiritualmente
vieram até a mim.
Na crença de um
possível reinício
os retribuí porque
não quero deixar
de na vida acreditar.
Para quem sabe
os corações comover,
o destino da tropa
e do General
vir de vez a liberar,
para um capítulo
novo em folha escrever.
Na crença de um
possível reinício
não deixo de elogiar
o exercício de escudo
militar porque
é de fato muito bonito.
Não posso deixar
de falar nem por
um minuto que
o amor é o maior
de todos os escudos,
ele é que protege
todos os povos
das tempestades
e dos absurdos,
não pode deixar
de reinar nesta
busca de com
a paz se reconciliar.
Na gradação
desta noite
bolivariana,
Sofro as dores
da filha
mais frágil
do libertador,
Se o General
estivesse solto
sei que ele
se comoveria
por esta ferida
contundente
e profunda
de uma Pátria
tentando
ser reerguida
após séculos.
Contra tal
barbaridade
em versos
que passeiam
por este
continente
e denunciam
comparáveis
insanidades,
A comoção
alcançou até
o General
de olhos
de azabache.
Versos que
são de minha
integral
responsabilidade,
E que não
desejam provocar
quem quer que seja,
E sim nasceram
para gritar tudo
aquilo que
ao povo humilde dói.
O Comandante
da mais frágil
filha de Bolívar
se recordou
do lema patriótico:
"Pátria ou Morte,
Venceremos!"
Isso me fez lembrar
da dolorosa partida
do mais ilustre
líder rumo ao exílio.
Não consigo parar
de me chocar que
vem crescendo
o número de
presos políticos,
O fato é que alguém
tem que reclamar
até a liberdade cantar.
Do outro lado de lá
há um General
que não fez rebelião,
não fez nenhuma
sugestão e foi
preso mesmo assim,
ele que no dia
treze de março
há quase dois anos
no meio de uma
reunião pacífica;
E pesa um rigor
injusto e sobrenatural
de não saber se
ele, a tropa e todos
o quê foram presos
pelos mesmos
motivos receberão
os auspícios
de serem soltos
antes do Natal.
Armazém
Uma vez filha do Rio
sempre será filha,
O teu nome filial é Capivari,
e não é por acaso que eu te escolhi.
Por acolhida foi prêmio ao herói
que lutou contra os rebeldes
e viraste Armazém:
- Te quero como tu me queres.
Capítulo de ouro
das efemérides do Padre,
És tesouro, amo teus ares
e todos os teus lugares.
Dos tropeiros foste o destino
e mãos gentis alemãs e portuguesas
ergueram uma cidade de gente
calma, gentil e ordeira;
Nasceste de tudo o quê
há de mais lindo em liberdade.
Sempre que consigo
contabilizo cada
militar aprisionado,
Porque por cada
filho do continente
Sempre me interesso,
Hoje, oro e relembro
recorrendo ao jornal
que da Guarda Nacional
estão aprisionados:
2 Generais de Divisão,
4 Generais de Brigada,
Dói o meu coração
e me deixa inconformada,
Excesso de rigor pode
não dar em nada.
Retomando a lista,
me faz pensar
no futuro e na vida:
5 Coronéis,
1 Tenente Coronel,
1 Major, 4 capitães,
2 Primeiros Tenentes,
3 Tenentes
e 30 Sargentos,
Até quando tantas prisões
e consecutivos lamentos?
Não escrevo para afrontar,
mas para chamar
a consciência para dialogar;
Longe de mim querer
interferir negativamente
ou perturbar,
Só quero que a paz
e a concórdia
retomem este lugar.
E o General que
nada fez consiga
novamente
a liberdade retornar,
Perdoa-me porque
não consigo
ser indiferente,
Apenas busco
um pouco mais de
humanidade simplesmente.
Levaram o amado
da filha do General
mais antigo e preso,
poderia até condenar,
não é sempre que
eles estão errados.
O lúcido é esperar
e aguardar os fatos
para criticar ou não,
e para rezar que o
os direitos humanos
sejam resguardados
O diálogo nacional
para se reconciliar
com os prisioneiros
de consciência total
como é o General
preso injustamente
já deveria ter
((((acontecido))).
Aprisionam ainda
o velho tupamaro,
a minha Mãe sempre
me pergunta quando
é que vão libertá-lo,
e eu nem sei mais
a ela o quê responder.
O Carlos Lanz segue
((((desaparecido))))
e não há nada que
faça este juízo
((((convencido)))),
não há resposta
plausível para o quê
pode ter ocorrido.
Comandante Eterno,
são oito as floradas
da cattleya sem ti,
Três dessas oito
o teu filho dileto foi
levado ao calabouço.
Comandante Eterno,
eu sei que tu pode
ir aonde eu ainda não posso ir,
em Ramo Verde e onde
teus filhos precisam de ti.
Comandante Eterno,
são oito as floradas
da cattleya sem ti,
Três dessas oito
o teu General do povo
foi levado injustamente.
Comandante Eterno,
eu que tu pode
ir onde está impossível seguir,
em Ramo Verde e onde
teus filhos precisam de ti.
Comandante Eterno,
são oito as floradas
da cattleya sem ti,
Três dessas oito
tem sido de desgosto
dor e absurdo,
só peço que todos
sejam salvos do abismo profundo.
Prenderam a esposa
e o filho pequeno
como sempre
para forçar a barra
e a apresentação
(da justiça eles
têm sido a negação).
Este inferno não
só eu conheço,
e todos sabem
bem como eles são
(acima do Bem do Mal,
e de toda a razão).
O levaram para o tal
conhecido endereço
sem cinco estrelas,
o famoso inferno
de cinco letras:
Um jornalista sem
direito a ampla defesa
continua preso
vítima de uma história
sem pé nem cabeça:
(escrevo para que
ninguém esqueça).
E cada que vez que
uma história abate
algum peito é na dor
dela que me abraço
e com ela permaneço:
(porque é na dor do
mundo que me reconheço).
Assim tenho contado
tantas histórias desde
quando um General
injustamente foi preso
e até hoje contra ele não
há nada que justifique
permanecer a estúpida prisão;
(e assim segue a rima repartida
com todos os presos
de consciência em igual situação).
Não há liberdade
de expressão
para a filha mais
frágil de Bolívar,
Quem se opõe
a autoproclamada
vem sendo preso
e a voz silenciada.
A América Latina
virou um celeiro
de presos políticos,
onde nem generais
desta realidade
conseguem escapar.
Falo dessa mulher
que abandonou
mil trezentos
compatriotas
no meio do deserto
em Colchane,
Falo o tempo que
for preciso para
nunca mais
ninguém esquecer.
A América Latina
virou um celeiro
de direitos humanos
escamoteados,
onde não escolhem
quem veste
ou não veste farda.
É noite de tempo frio,
pandemia mundial
e corações coléricos,
E o quê, se e como
aconteceu de grave
em Ramo Verde
só Deus é quem sabe,
e Ele a cada preso
de consciência
de todo o Mal proteja.
E assim vou falando
do que passa aqui
no continente
até saber como
está e quando
irá ser libertado
o General,
e cada um como ele
que foi preso
só por pensar diferente.
Não me roube de mim mesma,
Eu me pertenço!
Sou filha da boa franqueza...
Não me roube a paz
De construir a vida
Que eu sempre quis
Eu deixei tudo para trás.
Não me veja com outros olhos,
Eu sou como sou!
Sou poesia, sangue e sonhos...
Não me tire o tempo
De procurar o amor
Imaculado no peito
De alguém que seja
- inteiro -
E seja cheio de candor.
Não me faça como passatempo,
Eu sou dona da minha vida!
Não se faz ninguém perder tempo...
Não me venha com intenções:
Primeiras, segundas e terceiras...
Eu busco muito mais que o teu querer:
Busco o verdadeiro amor
Talvez na dimensão que você viva,
Jamais irá entender, não queira me prender!
Não é justo fazer-me de objeto,
Sou dama de fogo e ferro,
Deixe-me no meu caminho certo.
Não é legítimo e nem legal,
Arrancar a poesia lirial,
Tirar a honra do meu andor,
De andar orgulhosa
Por cultivar o jardim celeste
Que florescerá com o meu sonho de amor!
"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
(João 8:36)
Libertação não é conceito, é encontro com o Verbo que vive e age em nós
A Dança do Barreado
que eu prefiro é
a que faço com ele no meu prato,
O Barreado é filho
do Entrudo e o quê
ele me deu e ainda
me dá quando é preparado
mantém o meu coração completamente apaixonado,
Não vai demorar muito
tempo para servir um bem
saboroso para colocar
no meu e no seu prato.
Não que eu seja
da prepotência
mais uma filha,
Cada linha escrita
na existência
não necessita
de terceiros
para serem arautos,
(Tem gente que
olvida que o seguro
morreu de velho).
Não que eu seja
orgulhosa,
Cada linha escrita
apenas necessita
das pausas estranhas
da minha cidade,
Porque a minha
poética tem vida própria,
(Ela mesmo só
precisa dos olhos
e dos teus sonhos).
Não que eu seja
ostracista,
Cada linha escrita
nasceu do convívio
como noiva eterna
do Pablo Neruda,
e que hoje conta
com os beijos da Lua,
(Que não se permite
fazer parte nunca
de antologia nenhuma).
Cada Araguaney florescido
é filho do Sol que nasce
sempre no Esequibo,
e não há como ser esquecido.
Nesta Pátria Grande a poesia
vive a relembrar o destino
que já foi escrito e uns
teimam querer inventar.
Onde as harpa canta os llanos,
é da Venezuela que vivo o tempo
todo falando para o seu despertar.
Não há outro jeito onde eu veja
as estrelas mais visíveis,
É nos teus olhos que vou encontrar.
Meus passos de Maracatu
são filhos de Cambinda,
Assim como o meu amor
que nasceu do teu olhar
me seguindo com folia,
Não preciso aos Santos
consultar e nem fazer magia.
