Poemas de Deuses do Amor
VERBO SER
Eu sou ou vou ser?
Questão. Qual conjugação?
É ter, crescer, florecer?
Então, onde o sim e o não?
Se para ser, tem de ter!
Dói? Corrói? É bom? É triste?
Faz parte de escolher.
Ser, ter, crescer, na vida existe...
Não se pode esquecer.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
19 de março de 2018
Cerrado goiano
Sísifo
Vai e volta, vinda e partida, recomeço
Aí é o tal preço, nesse caminho duro
Da vida, afinal se não for com apreço
A angústia, o medo, inundam o futuro
Recomeça, se desejares, sem pressa
No passo o compasso do passo dado
Na liberdade doada, que a razão meça
Os alcances, pois, o desejado é alado
E enquanto, ainda, tu não alcances
Não descanses na ilusão da metade
Se saciares com os poucos lances
A sorte não lhe será uma realidade
Sonho tem sempre parte de loucura
Onde a lucidez reconhece cada azar
E nesta queda livre que é a aventura
Não esqueças jamais do vetor amar
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Mês de maio, 2017
Cerrado goiano
Paixão
Abrase-me, paixão, no seu poente
que o meu fado seja tal que me flama
integralmente... de coração ardente
E o infinito amor há quem ama...
...e aos amantes, afeto, eternamente!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, março, 06'30"
Cerrado goiano
ENTRE SOMBRAS (soneto)
Ao pé de mim vem o entardecer sentar
No cerrado, a noite desce, sombreando
Vem ter comigo hora pensativa, infando
Em uma visão das saudades a lamentar
Pousa tua mão áspera em mim, causando
Nostalgias no coração dolorido a chorar
São suspiros vaporosos ecoados pelo ar
Tão tristes, ermos, do vazio multiplicando
Na noite há um silêncio profundo a orar
Exalando a secura da dor impactando
No peito, que põe os olhos a lacrimejar
Eu a escuto imóvel, apático, sem mando
No vago da solidão, e me ponho a urrar
Às estrelas, que no céu voam em bando
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, maio
Cerrado goiano
Sou Caipira
Sou pé na terra
poeta na estrada
mineiro da serra
e sua esplanada...
Eu vim do cheiro do cerrado
fogão de lenha, teto esfumaçado
lamparina, sem forro o telhado
chão batido, manhãs com mugido do gado.
Cresci no curral, junto de peão
viola, causos, anedota e mentira
nutrindo a inocente imaginação
sem que o tempo a aluíra
Sou araguarino, menino, alma cuíra... Caipira!
— Tem uma pessoa. Ela sempre ficou em casa por mim. Mas não tão rápido. Primeiro, eu devo ficar.
— Para lutar?
— E amar e chorar. Quando eu era um Irmão do Silêncio, meus amores e minhas perdas emudeceram lentamente, como a música ouvida à distância, uma harmonia genuína, porém abafada. Agora... agora tudo desceu sobre mim de uma vez só. Estou curvado debaixo de tudo. Tenho que estar mais forte antes de vê-la — o sorriso dele era melancólico. — Você já sentiu seu coração preenchido por tanta coisa a ponto de se romper?
— Eles já desistiram. Não viu o que Tessa escreveu? — respondeu Zacarias. — Uma cura nem sempre pode ser encontrada, não a tempo. Eu sei, digo, aprendi, que não se pode contar com isso. Não pode ser nossa única esperança. Temos que sofrer pelos Crepusculares como se já estivessem mortos, e confiar no que somos: Caçadores de Sombras, guerreiros. Temos que fazer o que fomos moldados para fazer. Lutar.
— Mas como nos defendemos de Sebastian? Já estava ruim o bastante quando era só com os Crepusculares; agora temos que combater o Povo das Fadas também! — retrucou Tomas. — E você é só um menino...
— Tenho 146 anos — rebateu Zacarias. — E esta não é a minha primeira guerra invencível. Acredito que podemos transformar a traição das fadas em uma vantagem. Para isso precisaremos da ajuda do Labirinto Espiral, mas se me escutarem, direi como fazer.
MÁSCARA (soneto)
Bem sei das lágrimas na existência
Das dores ferinas no frágil coração
Onde o sangue se põe em ebulição
E a tristura traja de aflitiva aparecia
É onde borbulha em febre a emoção
Os devaneios são conflitiva essência
O peito atormentado quer clemência
E a vida chora ao se achar no chão
Nesta taça de amarga providência
O olhar no olhar, a doce compaixão
Pra ter esperança, tendo paciência
Então, da ventura fugaz, a ligação
Do amor com o amor, é sapiência
Sem máscara, pra existir a razão
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
PODER DA MULHER QUE CHORA
Lágrima que flui... Deste olhar em aflição,
Um biquinho nos lábios, revelando coração
Triste, em agonia, desamparo...
Seja filha, mãe, esposa,
Que poder tem a mulher que chora...
O gigante esmorece... Bravo fica impotente
Assumindo a humanidade:
Mas que lágrima valente!
Molhando um rosto tão belo.
Que poder que tem a mulher que chora...
Do homem tira o sossego, o impossível promete
Com o choro em desalento, em silêncio e tão sonora,
Tudo ele faz, tudo é capaz...
As estrelas ele alcança... O sol ele faz parar
Comove-se igual criança... Á guerra decreta paz.
O pranto tornar-se riso... A bela feliz se achar.
Ele diz; tudo é preciso... Para que não volte a chorar.
TEU OLHAR!!!!!!!!!!!
Sandra Ribeiro
Distancio-me de tudo... Esta menina,
Para encontra-me em teu olhar.
Porto Seguro... Desfruto da tranqüilidade
Deste momento sem vacilar.
Com minha imagem refletida em tua retina
E a tua imagem marcada em minhálma
Acalenta desejos incontidos...
Que só o olhar de quem ama pode decifrar.
Ah, teu olhar! Teu olhar! Teu Olhar!
Reflete o que meu coração sente.
Quando fitas tão profundo, ai ai...
Chegando onde ninguém consegue chegar.
A timidez que me falta em segundos
Torna-se presente com teu olhar...
Falta o chão, o ar, o fôlego...
Fico a sonhar... Fascinada... Encantada...
Ah teu olhar! Teu olhar! Teu Olhar!
Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece
Talvez nunca tenhas a oportunidade de ler essas pequenas linhas,
Então vamos lá!
Primeiramente gostaria de parabenizar por mais um ano do meu amor;
Embora, não saibas, mas hoje completamos mais um ano juntos;
Se soubesse disso, hoje lhe daria as mais belas rosas desse mundo;
Se tivesse ciência o quanto a amo, saberia a hora que lhe visitei em sonhos essa noite;
Diariamente lhe sirvo com o melhor café da manhã e adoro isso;
Por quantas vezes te vi acordando todas as vezes que eu fechei os olhos;
Sempre me apaixonei novamente toda vez que via o brilho do teu sorriso;
Nem o mais belo jardim guarda esse seu perfume;
Sei lá, adoro a forma que eu cuido de você, por mais que não saibas!
Fico com medo que um dia descubra o quanto a amo, tenho receio de perdê-la!
Acho bom ver você todas as vezes que olho para o céu em noites estreladas;
Chego até sentir o seu toque no meu rosto através da breve brisa;
Sabe somente essa semana eu lhe pedi em casamento umas dúzias de vezes;
E em todas às vezes sempre aceitou, dizendo: Obrigado por me amar tanto!
Eu nunca me vi amando menos, te amar é como respirar, parece tão normal;
Por isso não me importo se um dia saberás ou não desse amor!
Acho tão perfeito a forma que amo você!
Nesse dia dos namorados gostaria de renovar os votos de amor por você;
Não há um dia que não sonhe com você; tudo tão perfeito!
Desejo que não acabe tão cedo esse amor, que dure por duas eternidades;
Afinal, amar é amar, nada mais, mesmo que não me ames! Eu amo!
O quarto em desordem.
Na curva perigosa dos cinquenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor
que não se sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar
a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo,
verdade tão final, sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama.
Se noutro corpo tua alma se traspassa,
não, como quis Pitágoras, na morte
mas como manda Amor na vida escassa;
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
ENTRE O SER E AS COISAS
Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.
Às almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago brando
o que é de natureza corrosiva.
Nágua e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.
E nem os elementos encantados
sabem do amor que punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.
Só peço a Deus que a trama das palavras desperte nossas falas e nos ajude a escrever poemas que despertem resposta em quem não sabe responder. Só peço a Deus que o drama dos altares rebrilhe nos olhares e venha em nós se eternizar e faça gerar sonhos naqueles que não sabem mais sonhar...
"...Não declamou poemas dessa vez, mas desatou em mim um monte deles, como sempre. E fui dormir mesmo sem sono, porque somente nos meus sonhos a nossa história acaba bem."
Eu bailo em poemas, multicolorido! Palhaço! Mago! Louco! Juiz! Criancinha! Sou dançarino brasileiro!
RETICÊNCIAS
Somos todos poemas em construção, seres em reticências…
Inteiros mas nunca completos…
Reticências é évolução e aprendizado…
saltar pela janela quando uma porta se fechar…
é por vezes observar o cenário da vida mudar e ter em vez de jardins
montanhas e desertos áridos a atravessar…
Confiar que no cimo da montanha alguma paisagem magnifica nos espera
e que também podemos descobrir maravilhas enterradas na areia…
Reticências é sempre caminhar mesmo quando cansados nos apetece parar…
Reticências é semear, colher, cuidar, amar e deixar ir o que não floresceu por alguma razão…
E mesmo quando a bateria do corpo acabar e o relógio deixar de funcionar, com dor no coração pensar que é um ponto final não é não…
Porque reticências é VIDA em continuação,é movimento,é existência em renovação….
JoRut " Tranchas de vida"
