Poemas de Cruz e Sousa
E porque, segundo o meu costume, não hei de vos falar mais livremente? Dizei-me, por favor: serão, talvez, a cabeça, a cara, o peito, as mãos, as orelhas, como partes do corpo reputadas honestas, que geram os deuses e os homens? Ora, meus senhores, eu acho que não: o instrumento propagador do gênero humano é aquela parte, tão deselegante e ridícula que não se lhe pode dizer o nome sem provocar o riso. Aquela, sim, é justamente aquela a fonte sagrada de onde provêm os deuses e os mortais.
Quem poderá pintar-me com mais fidelidade do que eu mesma? Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu mesma não reconheço?
Quero que a liberdade de escolha te aponte para mim, mas não forço... Deixando a vida seguir seu curso e que se tiver de ser, que eu possa cada vez mais ser chamada para figurar nos seus dias...
É então é isso, eu aqui e ele em qualquer outro lugar, sem certezas de nada, com a inconstância permanente da vida e de nós, talvez o destino dê uma forcinha e a sorte olhe para nós.
Que possamos ter a capacidade de cuidar do nosso jardim da vida, com a certeza de que só depende de nos e assim dar-nos por contente por poder cuidar do que é de nossa responsabilidade.
Que possamos nos vencer todos os dias, para que comecemos a aceitar as pessoas como elas são e dessa forma ama-las da forma mais próxima da verdadeira essência do amor.
Na verdade datas comemorativas pra mim é só mais um motivo ou mais uma desculpa para estar perto de quem amamos e poder dizer o quanto sentimos e nos importamos...
Que a felicidade não se aprisione nas raízes do tempo, no âmago das circunstâncias, nos paradisíacos momentos, no recordar de pequenas lembranças, no despertar de esperanças, sinônimo de renovação, que regenere a vida e o coração.
A chuva na janela traz pingos de saudade, uma paisagem pode render lágrimas em nossos olhos, saudade é vontade de reencontro, minúcias convidam a recordar que a felicidade é justamente o que na vida não pode faltar, isso me faz imaginar porque será que demoramos tanto, para valorizar as pessoas ao nosso lado, me parece burrice reservar o amanha quando podemos ser feliz hoje, é tolice achar que a felicidade vai esperar a conclusão das frustrações de uma vida inteira, é incompreensível a interrupção do certo pelo duvidoso, é inaceitável conformar-se com coisas piores a ponto de não enxergar coisas melhores, chega a ser desumano desperdiçar o tempo, não aproveitar os dias, esperar que as coisas boas aterrissem do céu, infelizmente a surpresa virá em pingos variantes de chuva, o tempo aos poucos dirá que o importante é se importar com a presença dos que estão ao nosso lado, e não dos que gostaríamos que estivessem.
Das mínimas coisas que aprendemos sobre a vida, ser feliz é primário, por mais que custemos a entende que amar é secundário.
É preciso travar árduas batalhas para consecução de imprescindíveis objetivos, não basta apenas querer, é preciso lutar e o que tiver de ser, assim será.
As alegrias não são pré-constituídas ao passo que não são eternas, são mero status transitório da vida humana.
Generalizar apenas o generalizável e evitar aparentes enganos constitui um dos significativos desafios da vida.
Maturidade é algo para poucos, algumas coisas não tem preço, mas tem retorno, fale dos outros e falará de si.
