Poemas de Beleza
Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.
Continuo. Não porque seja fácil, mas porque a vida, em toda sua dor e beleza, ainda merece a minha presença.
Minha trajetória não é estética, é ética. Há uma beleza ferida na honestidade de assumir que nem tudo está bem.
Existe uma beleza aterrorizante em ser um náufrago no próprio quarto, vendo as paredes se transformarem em maré enquanto as memórias flutuam como destroços. Não peço por terra firme, peço apenas que a água não apague a tinta com que descrevo o abismo.
O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
Existe uma beleza profundamente triste em quem continua sendo sensível depois de ter conhecido a brutalidade humana de perto.
Nem toda reconstrução produz beleza imediata. Algumas acontecem no escuro, entre lágrimas silenciosas e pequenos atos invisíveis de resistência.
Talvez a forma mais insidiosa do sofrimento seja continuar acreditando na beleza, mesmo depois de testemunhar, repetidas vezes, a crueldade do mundo.
Não há beleza na loucura, ainda que nela floresçam pomares e uma flora exuberante. O mais importante é esperar o fim do outono no reino da sanidade.
Quem tem a maldade enraizada na alma nunca vai conseguir compreender a beleza de uma ideia mirabolante, porque para eles o mundo precisa continuar cinza, previsível e habitado apenas por pessoas tão vazias quanto eles próprios.
Quem aceita ser ensinado a amar descobre a beleza de mudar de atitude, trocando o erro pela prática constante da justiça e da paz.
Quem escolhe parar de ofender descobre a beleza de viver em harmonia, pois o Criador se alegra com corações que praticam o bem.
O amor puro é livre de vaidade e de cobrança; ele existe pela simples beleza de desejar que o outro viva plenamente bem.
