Poemas de amor com rimas que encantam e revelam carinho
FELICIDADE...
" Felicidade é dar liberdade ao pássaro e se sentir feliz com isso,
felicidade é sentir a brisa que balança as folhas do oumeiro e sorrir quando ela passa pelo corpo balsamizando das fibras corporais, até as mais simples feridas deste,
é olhar o céu em plena noite escura e ao invés de sentir medo,sente-se a vontade de contar as estrelas e começando a fazer isso, não se pára mais...
felicidade?Felicidade é não dizer adeus, mas um até breve mesmo sabendo que a pessoa não irá voltar mais.
É deitar-se sobre o amor e dele registrar o ser amado,
é estar fortemente imantado no mesmo sentimento,pousar a cabeça neste amor e um ouvir as batidas dos corações dos dois até a última...
Então a felicidade é sorrir, quando na verdade se tem a vontade de chorar, mas também é a mesma,quando chorando acaba-se sorrindo.
A felicidade é muito até quando é pouca,
mas esta é mesmo a portadora da alegria até quando à damos as costas.
Nos sentidos finais das últimas respirações que se evolam nos derradeiros
suspiros de um intenso desejo de amar cada vez mais...
felicidade?
Ah... felicidade...
Deve ser a coisa mais importante a ser conquistada!
Marcelo Caetano Monteiro.
🥂❤🥂
A significância do que estamos vivendo não permite que vejamos a velocidade que o tempo estar passando, porque cada dia aprendemos um pouco mais sobre o que é o amor recheado de felicidade
Te amo!😍
Nas águas turbulentas, não tema, meu amigo,
Eu o resgatei, você é meu abrigo.
Jacó e Israel, nomes que lhe dei,
Em meus braços seguros, você encontrará a paz que anseia.
Atravesse rios, sem medo de se afogar,
Minha mão o guiará, meu amor não cessará.
E mesmo no fogo, as chamas não o tocarão,
Pois sou seu Deus, seu Salvador, com amor sem limitação.
Egito, Etiópia, e Sebá, dou em seu lugar,
Você é precioso demais, meu filho a amar.
Troco nações e reinos, por sua vida, entenda,
Para proteger você, estendo minha mão sem agenda.
Em meus olhos, você brilha como a estrela mais bela,
Minha promessa é eterna, como uma aquarela.
Nunca esqueça, meu querido, a verdadeira razão,
Você é meu amado, para toda a eternidade, com devoção.
"Não Aceite Menos do Que Você Merece: Valor Próprio em Relacionamentos":
Na complexa dança da vida, os relacionamentos desempenham um papel central. São os fios invisíveis que conectam nossas histórias, nossos corações, nossas almas. E, em meio a essa trama intricada, uma lição fundamental emerge: não aceite menos do que você merece.
Nos caminhos sinuosos do amor, é fácil se perder, permitir que a carência supere a autoestima, cedendo à tentação de uma conexão superficial em detrimento de um relacionamento que nutre a alma. Mas aqui está o segredo: o amor verdadeiro não é ceder à solidão, mas sim encontrar alguém que admire a beleza intrínseca que você carrega. É reconhecer que você merece alguém que celebre sua singularidade, que o aceite, com todas as suas imperfeições, e o ame incondicionalmente.
Esse princípio não se limita ao romantismo; ele ecoa em cada interação. No trabalho, não aceitar menos do que você merece significa acreditar no seu potencial, buscar oportunidades que valorizem suas habilidades e contribuições. Em amizades, significa estabelecer limites e se cercar de pessoas que genuinamente se importam com o seu bem-estar. Na família, significa manter relações baseadas no respeito mútuo, onde o amor é incondicional e o apoio é inabalável.
Não aceitar menos do que você merece é um lembrete para proteger seu coração e sua dignidade, para abraçar a sua própria voz e valorizar sua própria história. É uma jornada de autoconhecimento e autoaceitação, onde você se torna o guardião do seu próprio valor. É uma promessa a si mesmo de que você merece o melhor que a vida e os relacionamentos podem oferecer, e não se contentará com menos. E, assim, na teia da existência, você encontra aqueles que valorizam e respeitam a joia preciosa que é você.
Entre Multidões e Vínculos: A Única Conexão
Tu não és para mim apenas uma face,
Entre cem mil, numa multidão que abraça.
Não há carência, não há dependência,
A individualidade é nossa essência.
Se cativas meu ser, vínculo se tece,
Necessidade surge, laço que enaltece.
Único no mundo, em teus olhos me vejo,
Numa conexão única, onde o amor é desejo.
E se me cativas, único em teu olhar,
Na vastidão do mundo, a nos revelar.
Eu serei para ti, singular e profundo,
A única no mundo, no amor que nos inunda.
O sol do meu caminho
Entre os suspiros que o tempo carrega,
Ecoa a melodia dos dias passados,
Nas rimas do destino que se desenha,
Em versos de amor, eternos e cantados.
O sol, radiante, pinta o céu de ouro,
Enquanto a lua, serena, brilha no horizonte,
Num dançar de estrelas, num manto sonoro,
A poesia da vida se faz presente.
Ah, como é doce o beijo da aurora,
Que desperta a esperança no coração,
E embala sonhos na noite que chora.
Assim, entre a luz e a escuridão,
Segue a jornada, feita de glória e agora,
Em cada verso, a eterna inspiração.
Mãe, uma palavra que evoca um mundo de significado e emoção. É um título que transcende o simples vínculo biológico, é uma expressão de amor, cuidado e dedicação incondicionais.
Uma mãe é a essência da ternura e da compaixão. Seus braços são o porto seguro onde encontramos abrigo nas tempestades da vida. Seu sorriso é o sol que ilumina nossos dias mais sombrios, e sua voz é a melodia suave que acalma nossos medos e ansiedades.
Uma mãe é uma guerreira, uma lutadora incansável que enfrenta desafios e sacrifícios em nome do bem-estar de seus filhos. Ela é capaz de enfrentar qualquer obstáculo, de superar qualquer adversidade, simplesmente porque seu amor é inabalável e inquebrantável.
Mas acima de tudo, uma mãe é um exemplo de amor incondicional. Seu amor é como um oceano sem fim, profundo e vasto, capaz de envolver e sustentar seus filhos em todos os momentos da vida. Não importa o que aconteça, uma mãe estará sempre lá, pronta para oferecer seu apoio, seu conselho e seu amor inabalável.
Portanto, em cada mãe, encontramos um verdadeiro tesouro, uma fonte inesgotável de amor e inspiração. Elas são as heroínas silenciosas que moldam nossas vidas com sua graça e bondade, e devemos sempre honrar e valorizar o presente precioso que é uma mãe.
Desistir para Recomeçar
Desistir de amar. Um ato que ecoa uma decisão solene, mas tão pesarosa quanto libertadora. Sim, é um caminho que trilho agora, pois já não vislumbro em meu horizonte a presença de alguém que me acolha verdadeiramente, que me ame com a plenitude que almejo. As cicatrizes de tantas desilusões, os ecos das trocas tão abruptas, como se minha essência fosse mero artigo descartável, ainda ressoam em meu ser.
Foram várias as vezes em que me vi abandonado à própria sorte, como se minha entrega, minha devoção, fossem apenas efêmeras peças em um jogo de sentimentos voláteis. É certo que posso ter cometido equívocos, talvez tenha falhado em perceber nuances sutis, em atender expectativas que desconhecia. Mas em nenhum momento, em nenhuma circunstância, cogitei desfazer-me do próximo como já fizeram comigo, como ainda fazem.
Assim, tomei a decisão de trilhar este caminho sozinho, sem almejar as efêmeras promessas dos contos de fada, sem desejar um romance que se desvaneça com a menor brisa de descontentamento. Optei por voltar meu olhar para o mais íntimo de mim mesmo, para os recantos onde repousam minhas verdades mais profundas.
Talvez, em meio a essa jornada solitária, a vida perceba que mereço algo à altura de meus sonhos, algo que vá além das expectativas mundanas, algo que me eleve e me complete verdadeiramente. Pois, no fim das contas, é na solidão que encontramos a mais pura essência de nossa alma, é na ausência de outros que aprendemos a nos bastar, a nos amar em toda a nossa plenitude.
Desistir de amar não é um ato de fraqueza, mas sim de coragem. É reconhecer nossos limites, nossas dores, e escolher o caminho da autodescoberta, da autoaceitação. É saber que, mesmo sozinho, ainda somos inteiros, ainda somos dignos de todo o amor que o universo tem a oferecer. E quem sabe, um dia, quando menos esperarmos, o amor nos encontre novamente, desta vez em sua forma mais pura e verdadeira.
Nos encontramos de forma inesperada, quase como se o destino estivesse brincando com nossas vidas. Tudo aconteceu tão rápido, tão intenso, que mal pude acreditar. De repente, você estava ali, preenchendo cada vazio que eu nem sabia que existia dentro de mim. É curioso como, sem aviso, você trouxe luz para os cantos mais sombrios da minha vida. Com você, a solidão que me acompanhava se dissipou, e no lugar dela, surgiu uma alegria que eu nem sabia ser possível.
Cada momento ao seu lado é uma descoberta, uma nova forma de perceber o quanto estou apaixonado por você. Você é a peça que faltava no quebra-cabeça da minha existência, a melodia que faltava na minha canção. Não consigo expressar completamente o que sinto, porque o amor que tenho por você é grande demais para ser contido em palavras. Mas sei que quero você em minha vida para sempre, de todas as formas possíveis.
É como se o mundo inteiro agora girasse ao seu redor, e tudo o que faço, penso e desejo, é sobre você. Quero gritar para o mundo que encontrei em você o amor perfeito, aquele que parecia existir apenas nos sonhos. Você é meu farol, meu guia, o porto seguro em meio ao mar de sentimentos que transborda dentro de mim. E por mais que eu tente, nunca conseguirei expressar o quanto sou grato por ter você em minha vida. Você é, e sempre será, meu amor eterno, Habibi.
Tenho medo do abandono,
da sombra fria que se avizinha,
do vazio que preenche as lacunas
onde antes habitava o afeto.
Tenho medo do silêncio que ecoa,
nas paredes do peito, tão só,
onde outrora as vozes dançavam,
agora apenas o eco de um nó.
Tenho medo de ser esquecido,
como um livro fechado na estante,
as páginas amarelas de histórias,
que ninguém mais se lembra ou sente.
Mas também tenho a esperança,
de que no fundo desse temor,
encontro forças para aceitar,
que o abandono não apaga o amor.
E assim, entre o medo e a coragem,
vou costurando as feridas do ser,
pois mesmo que o medo me assombre,
aprendo a viver, a crescer.
Há momentos em que a vida se torna um fardo tão pesado que o coração transborda em silêncio, e o outro, ao nosso lado, clama por algo além das palavras: clama por escuta, por acolhimento. Quando nos deparamos com a dor alheia, é um convite não para a solução imediata, não para o julgamento rápido, mas para a presença. Muitas vezes, o maior ato de amor que podemos oferecer é simplesmente estar ali, ouvir sem pressa, abraçar sem questionar, permitir que o outro sinta plenamente, sem interromper com opiniões ou conselhos impensados. A dor do outro é única, e, por mais que pensemos entender, jamais seremos capazes de medi-la com precisão.
Nosso erro, muitas vezes, está em julgar aquilo que não vivemos, em acreditar que somos senhores da razão, e que nossas soluções são universais. Esquecemos que cada alma é um mundo, e o que para nós parece pequeno, para o outro pode ser um abismo. Respeitar o sofrimento do próximo é, antes de tudo, um ato de humildade. Não cabe a nós decidir o peso do que o outro carrega, mas sim oferecer um ombro firme, um abraço acolhedor, e a paciência necessária para que o outro se sinta ouvido. Mesmo quando as palavras se tornam amargas, mesmo quando o desespero transborda em queixas contra a própria vida, devemos lembrar que o acolhimento não está nas respostas que damos, mas na escuta que oferecemos.
Assim como Jó, que enfrentou sua própria dor, seu luto e seu questionamento diante da vida e do Criador, todos nós, em algum momento, nos tornamos aquela pessoa à beira do abismo, buscando sentido no caos. E assim como os amigos de Jó, que o acompanharam em seu silêncio, há momentos em que nossas palavras se tornam desnecessárias. O que resta é a presença. A escuta atenta e compassiva, sem julgamentos. Pois a dor, como a vida, segue seus próprios caminhos, e o que o outro mais precisa, em seus momentos de vulnerabilidade, não é a certeza da razão, mas a certeza de que não está só.
Desculpa o Auê
Ela invadiu minha vida como um furacão, sem aviso, sem pedir licença. Era do tipo que falava alto, gesticulava demais e ria com a força de quem carregava o mundo no peito, mas preferia gargalhar a chorar. Eu, acostumado ao meu canto ordenado e silencioso, fui pego de surpresa pela tempestade que ela trazia.
“Desculpa o auê”, ela dizia, toda vez que derrubava um copo, esquecia uma blusa jogada no sofá ou começava uma discussão no meio do nada. Mas não era de verdade uma desculpa. No fundo, ela sabia que o caos dela tinha se tornado meu combustível.
Era nos tropeços dela que eu encontrava graça, e nos excessos que eu descobria o sabor da vida. Ela me tirava do meu eixo, me fazia perder a paciência e, ainda assim, eu ansiava pelo próximo “auê” que ela provocaria.
“Desculpa o auê”, ela repetiu, sorrindo de canto, quando esbarrou na minha prateleira de livros e derrubou tudo no chão. E ali, enquanto recolhíamos páginas espalhadas, percebi que aquele tumulto dela tinha organizado algo em mim: meu coração, antes tão metódico, agora pulsava fora de ritmo, mas mais vivo do que nunca.
“Não precisa pedir desculpas”, eu disse. “O auê já é parte de mim.”
Ritmo e silêncio
Eles eram como o dia e a noite, tão distintos que parecia impossível coexistirem. Ela carregava o caos das manhãs ensolaradas, cheia de energia e risos que explodiam sem aviso, como o canto de pássaros numa floresta desperta. Ele, por outro lado, era o silêncio do crepúsculo, contemplativo, com olhos que pareciam guardar segredos das estrelas.
Enquanto ela dançava pela casa, improvisando passos ao som de músicas que nem sempre ele entendia, ele a observava do sofá, com um sorriso leve, como quem encontra beleza naquilo que não se pode controlar. Quando ele lia seus livros densos, mergulhando em pensamentos profundos, ela se aproximava com uma xícara de café e o interrompia com histórias do dia que, para ela, tinham mais cor do que qualquer romance.
Eram opostos que se completavam sem esforço, como o céu que precisa do azul e das nuvens. Discutiam, é claro, pois ele amava a ordem e ela adorava o improviso. Mas mesmo nas discordâncias havia uma harmonia: ele aprendeu a apreciar o caos das risadas dela, e ela encontrou beleza no silêncio dele.
Assim, seguiam juntos, um equilíbrio improvável entre diferenças que, em vez de separá-los, os uniam. Pois, no fundo, o amor não é sobre sermos iguais, mas sobre aprender a dançar no ritmo um do outro, mesmo que a música pareça, à primeira vista, totalmente diferente.
NA INTIMIDADE DA SOMBRA QUE RESTA.
"A rejeição se tornou amiga da solidão."
E assim, sem anúncio, sem ruptura visível, duas presenças tornaram-se desiguais dentro do mesmo abismo. Um ama como quem se entrega à lâmina. O outro permanece como quem apenas toca a superfície da ferida sem jamais habitá-la.
"Arrasto da amada a sua veste que se despe em tom sem prisma e em mortalha, sepultando em cova rasa a razão que preste, mas num toque suave beija o pulso, e para dentro do abismo dá-se impulso, no mesmo lábio que dá seu ósculo ao fio da navalha."
Há, nesse gesto, uma contradição que dilacera. Amar mais é cair primeiro. É sentir antes. É permanecer depois. Enquanto o outro, talvez sem culpa consciente, apenas transita. Não se fixa. Não se perde. Não se entrega ao ponto de dissolver-se.
Na escuridão íntima, tudo conduz à mesma presença ausente. Cada memória não consola, apenas reafirma. Cada silêncio não apazigua, apenas amplia. Tudo traz. Tudo leva. Como se o próprio sentir fosse uma corrente invisível que ora devolve o rosto amado, ora o arranca com violência inaudita.
E aquele que ama mais não possui refúgio. Porque mesmo quando tenta afastar-se, leva consigo o que deseja esquecer. E mesmo quando deseja esquecer, recorda com uma precisão cruel.
A rejeição, então, não fere apenas pelo afastamento. Ela fere porque revela a medida desigual do sentir. Um abismo entre dois. Um que cai. Outro que observa.
E no fundo desse abismo, não há encontro. Apenas a permanência de quem caiu primeiro e nunca mais encontrou o chão.
A ROSA ESCURA DA DOR.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão. Ano, 2025.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Todos temos dores que não pedem cura, apenas permanência.
Elas florescem no interior como uma rosa que se alimenta do próprio sangue do sentir.
Não gritam. Não suplicam. Apenas se abrem, pétala por pétala, no silêncio mais denso da consciência.
A dor que aqui habita não deseja redenção.
Ela existe como rito, como escolha íntima de quem compreendeu que certos sofrimentos não são falhas, mas revelações.
Há uma voluptuosidade secreta no padecer que se reconhece, uma dignidade austera em suportar a própria sombra sem implorar por luz.
O espírito inclina-se diante de si mesmo, não em derrota, mas em reverência.
Cada pensamento torna-se um espinho necessário, cada memória um perfume escuro que embriaga e ensina.
A alma aprende que nem toda ferida quer ser fechada, algumas precisam permanecer abertas para que a verdade respire.
Há uma doçura austera no ato de suportar-se.
Uma forma de amor que não consola, mas sustenta.
A consciência, exausta de fugir, ajoelha-se diante da própria dor e a reconhece como mestra silenciosa.
Assim floresce a rosa escura.
Não para ser admirada, mas para ser compreendida.
Não para enfeitar a vida, mas para dar-lhe gravidade.
Pois somente quem aceita sangrar em silêncio conhece a profundidade do que é existir.
PENSAR ANTES DE AGIR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
“Pensar antes de agir é o primeiro ato da razão soberana. Reagir antes de pensar é a abdicação silenciosa da consciência.”
LEITURA DO CREPÚSCULO INTERIOR.
Nas horas em que o peito se torna caverna,
e a esperança aprende a falar baixo,
há um cântico antigo que retorna,
feito bruma sobre a memória.
Não chama pelo nome,
não exige resposta,
apenas envolve,
como quem conhece a fadiga de existir.
A dor, então, se refina,
abandona o grito e escolhe o sussurro,
e o sofrimento deixa de ser castigo
para tornar-se linguagem.
Quem suporta esse instante,
sem pressa de escapar,
descobre que o abismo
também é um lugar de revelação.
E compreende que resistir
é uma forma elevada de oração,
na qual o espírito se ergue silencioso
e permanece inteiro diante da noite.
CATEDRAL DA CISÃO INTERIOR.
Há dias em que sou lâmina
há noites em que sou abismo
Em mim a razão constrói altares
logo depois o delírio os incendeia
Penso com rigor antigo
sinto com fúria primitiva
sou ordem que se ajoelha
sou caos que aprende a rezar
A lucidez ergue-se como torre
a vertigem responde como mar
uma promete sentido
a outra exige verdade
Carrego duas coroas invisíveis
uma de espinhos silenciosos
outra de luz que cega
Quando amo sou excesso
quando penso sou ruína
e no centro desse império partido
governo-me sem trono
Ainda assim caminho
pois mesmo dilacerada
a consciência avança
como dor ferida que se recusa a cair.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.
O SONHO QUE NÃO SE ENCERRA.
“Sonho realizado é somente aquele que se continua sonhando”.
Há sonhos que se quebram ao tocar o chão da conquista.
Outros morrem no instante em que recebem nome e forma.
Mas há um terceiro tipo mais antigo mais raro mais verdadeiro.
Aquele que não se satisfaz com o cumprimento.
Aquele que continua.
O sonho autêntico não busca conclusão.
Ele aceita o cumprimento apenas como passagem.
Realizar não é fechar.
É aprofundar.
Não é possuir.
É permanecer fiel.
Quando o sonho continua sonhando ele se torna caminho.
Já não depende de aplauso nem de resultado.
Ele respira no espírito como vocação silenciosa.
E transforma o viver em obra em vez de troféu.
Psicologicamente esse sonho amadurecido recusa o vazio da chegada.
Ele compreende que o sentido não está no fim mas na constância.
E que só permanece vivo aquilo que se renova no desejo consciente.
Sonhar assim exige coragem antiga.
A coragem de não declarar vitória.
De não encerrar o mistério.
De seguir adiante mesmo depois da realização.
Porque somente quem continua sonhando honra o sonho.
E faz da própria existência um gesto contínuo de fidelidade ao que chama por dentro.
E jamais se cala.
