Poemas de Amizade Oscar Wilde

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*Fora de Época*

Não te ofereço flores por ser primavera,
te ofereço flores por te querer bem.
Não é o mês, não é o costume,
é a vontade que floresce em mim.

Se fosse inverno, eu acharia jeito
de te esquentar com pétala e cor.
Se fosse outono, eu juntaria as folhas
só pra te lembrar que cair também é uma estação.

Te quero bem sem motivo marcado,
sem feriado pra justificar.
Meu calendário tem teu nome
e todo dia nele é dia de te lembrar.
(Saul Beleza)

Fardo Leve.



Aprendi a dobrar a dor
até caber no bolso da calça.
Ela vira moeda trocada:
pago cafés, sorrio de volta,
ninguém desconfia do peso.


Carrego tempestade em copo d’água
e digo que é só sede.
Os nós na garganta viram
gravatas bonitas, bem amarradas.
Elegância é meu disfarce favorito.


De noite, tiro o fardo do varal.
Ele seca leve, quase pluma.
Mas se o vento muda,
lembro que chumbo também voa
quando a gente sopra forte.


No fundo, todo mundo nota:
tranquilidade demais
faz barulho de silêncio.
E o meu fardo, mesmo leve,
deixa pegada no chão.


(Saul Beleza)

*Apenas em sonhos*


Se te sonho, a culpa é toda tua
Que fez casa no meu pensamento
E agora odeio a manhã que assalta
E me arranca de ti, violento


O dia chega devagar só pra castigar
Quem queria ficar mais um pouco lá
Onde você ainda me pertence
Nem que seja só no sonhar.
(Saul Beleza)

*Olhos que Merece*

Não vou te olhar com ódio e nem com ternura
Vou te olhar com os olhos que merece
Olhos de quem entendeu a lição
De quem aprendeu a se escolher na mesa

Não é vingança, não é carinho
É limite, é nome, é ponto final
É fechar a porta sem bater
E seguir em paz, sem fazer mal

Porque quem ama de verdade não machuca
E quem machuca nunca soube amar
Então te devolvo pro teu destino
Com os olhos que você me ensinou a usar.
(Saul Beleza)

*Pela Fresta*

Teu disfarce e o meu não querer
Vai trazendo a curiosidade de te espiar
Mesmo que de soslaio

A porta range baixa, eu seguro o fôlego
o teu passo de gato ecoa no corredor
E eu juro que não espiei.
Mas guardei tua sombra na memória

Meu caminhar suave, não vai despertar o que dorme dentro de ti
Quem sabe o estrondo do silêncio desperta teu sorriso

E desperta. Um canto de boca, rápido
Tipo segredo que a fresta não segura
Aí a gente volta a fingir,
Enquanto o poema escreve a gente

Mesmo te espiando, finjo não te ver me espiando.
(Saul Beleza)

Não precisamos machucar a alma, não precisamos entender muita coisa. Mas seria bom sentir um carinho, um abraço, ver um sorriso, sentir o acelerar do coração. Pensamentos vão além. Aí um amor começa, e por
um descuido nos apaixonamos.
(Saul Beleza)

*Corte seco*
Amor próprio é trincheira, não ponte
Se aproxima, mas não me toma a fonte
Dou pele, dou riso, dou noite e tormenta
Mas minha alma... essa ninguém assenta.

Me guardo inteira mesmo te querendo
Porque quem se perde amando, termina sofrendo.
(Saul Beleza)

*Grandes Anões*
A vida nos faz ser grandes anões
Cabeça cheia de planos, peito cheio de sermões
Sonhamos castelos, acordamos em vão
E o futuro nos cobra em forma de chão

Choramos o tamanho que não alcançamos
As lágrimas medem o que imaginamos
Mas mesmo pequeno, mesmo em ruína
O sonho insiste, teima, ilumina

Porque anão que sonha ainda é gigante
Num mundo que esquece quem vai adiante.
(Saul Beleza)

*Atraso Bendito*

Sempre nos atrasamos por alguma razão ou por alguém,
O ônibus que não veio, a chuva na janela,
O copo de café que caiu sem querer.

Eu reclamava do tempo perdido,
Das horas que escorriam entre os dedos,
Sem saber que o relógio conspirava a meu favor.

Foi num atraso desses, sem pressa e sem mapa,
Que meu caminho tropeçou no teu.
E no meio da correria que eu não tive,
Encontrei o que a vida inteira almejei:
(Saul Beleza)

*Teu sorriso.*

Aquele que desmonta a pressa,
Que explica todos os semáforos fechados,
Que justifica cada porta que não abriu antes.

Porque se eu tivesse chegado cedo,
Talvez não te visse.
Se eu não tivesse me perdido,
Talvez não te achasse.

Então que venham os atrasos,
Se no fim deles me espera o teu riso.
Porque nenhum relógio pesa mais
Do que o tempo que ganhei em você.
(Saul Beleza)

*Quando a Noite Dura Demais*

Não tenho mais sonhos e nem planos,
Disse o peito cansado.
Tenho só a triste realidade
Que me consome dia a dia.

Mas a terra também parece morta no inverno,
E ainda assim guarda semente.
E o poeta, mesmo sem verso,
Ainda guarda gente.

Porque esperança não grita.
Ela insiste.
É o fio que sobra quando tudo arrebenta,
É o “ainda” depois do “nunca mais”.

Um dia, sem aviso,
A realidade cansa de consumir.
E quem foi consumido,
Aprende a florescer no escombro.

Então guarda isso aqui:
Sem sonhos hoje, tudo bem.
Sem planos hoje, tudo bem.
Mas sem você, o poema acaba.
E o mundo ainda precisa do teu próximo verso.

Você ainda está aqui. Isso já é esperança começando
(Saul Beleza)

O abandono também faz florescer.
Assim é a natureza.
Tira a água, tira o sol,
e mesmo assim a raiz insiste.
A dor vira caule.
A saudade vira pétala.
E de repente você entende:
não era fim. Era primavera.
(Saul Beleza)

Minha saudade calada me faz gritar.
A companhia da solidão fere minha alma.
E o meu silêncio...
o meu silêncio grita
bem alto dentro dos meus pensamentos.
Onde ninguém escuta. Somente eu.
(Saul Beleza)

A quem amei tanto
hoje chamo de esquecimento.
Mas quando a lembrança me visitar
eu sorrio por dentro,
porque lembro o tamanho do amor que te dei.
É tristeza alegre.
É amor que ainda existe,
é distância que insiste em ficar.
(Saul Beleza)

*Cavalo de Aço*

Eu sou um cavalo de aço
chamado liberdade.
Relincho contra o vento
e galopo na imensidade.

Minhas crinas são fumaça,
meus cascos batem no céu.
Voou acima das ondas
sem medo de cair no véu.

Lá de cima eu vejo o mar
morrer mansinho na areia,
deixar espuma na praia
como quem despede a cheia.

E eu sigo, livre e selvagem,
sem rédea, sem arreio, sem jaula...
Porque ser livre é isso:
ser aço que não se amarra.
(Saul Beleza)

Vamos curtir o momento.
Amanhã é promessa, hoje é certeza.
Nossa estadia aqui desse lado da vida
é curta demais pra mágoa e pressa.

Amanhã o vento leva o que não vivemos.
Hoje o sol ainda nos alcança.
Então dança, come, ama, erra...
Porque passar passa. Mas valeu a dança e o souvenir.
(Saul Beleza)

– Não faz mal, eu vou matar ele.
– Que é isso menino, matares teu pai?
– Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.

José Mauro de Vasconcelos
O meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 2004.

⁠Vi muitas celas na vida
Cárceres bons
Lugares que poderiam
ser minhas prisões eternas
e perfeitas!
Mas jamais permiti
que me prendessem...
Nunca!
Sempre me liberto
Antes dos grilhões se fecharem!
Sempre desejei a Liberdade!
Sempre clamei por respirar!
E hoje
eu faço poesia que liberta!!!
Jamais me vendi por bagatelas
Jamais me venci por bagatelas
Em tudo me perdi
Em nada me entreguei...
Porque rimas baratas
não sustentam o meu Verso
E ó Deus
por favor eu te peço
Me deixe cantar...!

⁠O Poeta na Cama...

Quero
despertar feras
no teu corpo!

Enquanto chove lá fora...
Esta noite eu quero
Riscar
fósforos
na tua pele!

Nutrir
o teu mais louco desejo
Ser -permanecer-ficar-cantar-viver-feliz
teu alimento!

Te dar de beber
na boca...
chocolate quente
Pra espantar o frio
indecente!

⁠⁠⁠Sambedo em Dia de Chuva

Eu te dei o meu amor
mas não te culpo
Que você não saiba carregar
oooi....
Quando a gente ama
a gente espera
que o outro saiba aceitar
oooiii...
Mas é tolice é ilusão
É vaidade a pretensão
de querer que outro deixe
a gente lhe amar...
Então vamos seguindo
a vida sempre expandindo
e a gente a encontrar
tanta gente que podia
ser dona da alegria
que a gente mesmo podia se dar
Pense bem meu irmão
minha amiga
Pense nesta solução:
O amor só vale a pena nessa vida
se ele não tiver dono não!
Laiá laiá (bem triste)
Laiá laiá (agora sorrindo)
Laiá laiá ( Reza!)
O Amor tem dono não!!!