Poemas de Amizade de Jorge Amado
"Enquanto um lótus surge na água em busca da luz do sol de Primavera, saibam, o homem prevalecerá e marchará até ao guardado refúgio do coração do mundo, até à luz espiritual na renovada Primavera da espécie."
"Quantos de nós precisamos de aprender com as árvores, poder lançar as raízes dentro da nossa história, dentro do nosso povo, para que não nos comovam os ares fugitivos que passam pelo mundo."
"Uma folha que cai ou a trajectória de uma estrela no céu são actos únicos que podem prender-se ou não na consciência. Em certo modo, toda a oportunidade é única."
"A Primavera que actualmente nos visita é o testemunho do amor de Deus, que jamais esquece e que com mão bondosa e forte resgata a mais ínfima criatura das sombras e transporta-a para a luz transmutada. A obscura semente transmuta-se na verdejante planta que levanta a sua cabeça de capulho outra vez, em busca da verticalidade que justifica a sua existência, mais além dos negros torrões que a aprisionaram durante o Inverno."
"Em geral, quando encontramos uma dificuldade costumamos combatê-la num tempo e se a dificuldade não cede, cedemos nós. As coisas da Natureza, as pedras, por exemplo, têm a tenacidade de estar mais além do tempo e de buscar sempre o seu destino final."
"As linhas dividiram o Universo em figuras e aparências, mas o ponto une-nos a todos e a ele conduzem todos os caminhos…"
Não existem dimensões paralelas, mas tangenciais. Da separação vem a união e desta provêm novas separações… e assim por diante. As folhas mortas servem para alimentar as raízes e com o sacrifício destas fazem-se folhas novas. É difícil conseguir no importante esse discernimento seguro que tem a bolha de ar presa no líquido de um nível. Ou o da água num recipiente que, embora a movamos, conserva sempre a equanimidade da sua superfície. Ou o do fogo que sabe onde está o céu mesmo quando o ramo aceso é invertido. O fogo e a água procuram a verticalidade, nas suas duas direcções. O ar e a terra procuram a sua perpendicularidade horizontal. Fogo sobre Ar; Água sobre Terra; estão aqui as duas cruzes geradoras sobre as quais nos falam os nossos velhos tratados de Alquimia. Quando o Fogo trespassa o Ar e quando a Água penetra na Terra, há geração, há revolução, há Tempo e há Ser, segundo o entendemos. Quando a Terra se verticaliza sobre a Água e quando o Ar ascende com o Fogo, entramos no gonzo tangencial de uma dimensão diferente."
"Existe um abismo entre as razões do Buda no seu menosprezo da mente e as da maior parte dos modernos «gurus». Aquele tinha-a superado; estes simplesmente negam-na porque não conseguiram desenvolvê-la ou desembocaram num caminho sem saída e não se atrevem a confessá-lo a si mesmos e muito menos aos demais. Existe uma grande distância entre o rei que se faz de mendigo e o mendigo que não pode deixar de o ser; um renuncia, o outro conforma-se. No primeiro acontece um acto de vontade, no segundo de derrota."
"Como junto às colunas caídas se constroem prédios novos que as substituem, ao morrer, uma religião é substituída por outra, após outra, sendo todas manifestações limitadas pela época e pela situação geográfica, embora sendo encarnações de uma mesma necessidade e emanações de uma idêntica fonte."
"A ciência não consiste somente em saber, por exemplo, qual é a valência do carbono, ou medir a distância entre a Terra e a Lua, ou saber porque corre o sangue no corpo. Buscamos uma ciência que para além de conhecer tudo isso possa também dizer-nos para quê o sangue corre no corpo, o que significa a distância entre a Terra e a Lua, que segredo nos move. Uma Ciência que não esteja à disposição do mais forte ou do que sabe mais, uma Ciência que não atemorize mas que sirva para ajudar a construir, uma Ciência que nos saiba proteger, uma Ciência Branca, uma Ciência Salutar."
"O enorme crescimento técnico não foi balanceado por um desenvolvimento humanístico equivalente: cada dia são descobertos novos elementos químicos, mas não se descobrem valores novos. Pelo contrário: os que já conhecíamos minimizam-se cada vez mais. O homem voa mais alto, mas não se eleva mais dentro de si mesmo; não se conhece nem se domina melhor."
"Arte é a concretização da Beleza; é a conjugação harmónica de diferentes partes. Não o podemos racionalizar: a arte é intuitiva. É mais sentida do que compreendida, o que não é belo não é Arte."
"A verdadeira Arte deve ter uma mensagem, uma mística, tem que poder comunicar sem explicações, mais além de todas as palavras, porque chega a todos, a cada qual na sua medida."
«“Arte” não é mais do que a taumaturgia de fazer aparecer diante dos sentidos aquilo que o Artista percebe com outros «sentidos» em dimensões harmónicas, belas e terríveis. O Génio pule as arestas, arredonda as coisas para torná-las adaptáveis aos olhos dos humanos de mãos frágeis, olhos pequenos e ouvidos limitados. Ele é «Ponte de Ouro» entre os Arquétipos da Beleza e as nossas misérias humanas, douradas subitamente pela luz das Musas.»
"O estado actual é um monstro deformado e decadente, sempre doente. Os seus órgãos revolveram-se e permitiram a sobrevivência no seu seio de formas cadavéricas e retardatárias que vampirizam as novas e travam a evolução do conjunto. Por outra parte permitiu-se que subestruturas demasiado jovens, quase em etapa infantil, tomassem o controlo do Estado sem maturidade nem seriedade, carentes de experiências e desenvolvimento interior, conduzem os povos de desastre em desastre, jogam e ameaçam com armas assustadoras, desafiam o Universo, mas retrocedem atónitas perante um círio aceso na escuridão de um grande recinto, temem a morte e a pobreza."
"Os governos passam, mas a ignorância, a fome, o frio, o desespero de não saber para que se vive, fica."
"Enquanto no mundo existir ignorância, sectarismo, fanatismo, racismo, postos de governo assalariados, haverá desgraças para os povos e opróbrios vergonhosos para os Governos."
"A autoridade não emana da opinião, mas do juízo. E o juízo é o recto colocar da consciência da Natureza. Deste modo, a autoridade emana da Natureza; o poder pertence a quem sabe."
