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Poemas de Amizade de Jorge Amado

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Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.

As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.

A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.

Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.

Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.

Saber viver com os homens é uma arte de tanta dificuldade que muita gente morre sem a ter compreendido.

É preciso rirmos antes de sermos felizes, sob pena de morrermos antes de ter rido.

Todos os homens são bestas; os príncipes são bestas que não estão atreladas.

Agrada-nos o homem sincero, porque nos poupa o trabalho de o estudarmos para o conhecermos.

O rosto de uma mulher, seja qual for a sua discrição ou a importância daquilo em que se ocupa, é sempre um obstáculo ou uma razão na história da sua vida.

Os homens de pouca inteligência não sabem encarecer a própria capacidade sem rebaixar a dos outros.

Faço dizer aos outros aquilo que não posso dizer tão bem, quer por debilidade da minha linguagem, quer por fraqueza dos meus sentidos.

A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.

A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.

O nosso amor-próprio exalta-se mais na solidão: a sociedade reprime-o pelas contradições que lhe opõe.

Apenas um homem de gênio ou um intriguista se atrevem a dizer: «Fiz mal». O interesse e o talento são os únicos conselheiros conscienciosos e lúcidos.

O amor-próprio dos tolos desculpa o das pessoas inteligentes, mas não o justifica.

Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.

Um leitor inteligente descobre frequentemente nos escritos alheios perfeições outras que as que neles foram postas e percebidas pelo autor, e empresta-lhes sentidos e aspectos mais ricos.