Poemas da Juventude de Paulo Coelho
A cada novo artigo, as palavras não são escritas, mas desenhadas. Não são digitadas, mas dedilhadas. Porque contêm carinho.
Para praticar a solidariedade não necessitamos esperar a chegada do Natal para nos preocuparmos com a questão da fome. Não precisamos aguardar o advento do inverno para nos sensibilizarmos com o problema do frio.
Ao combatermos a hesitação, corremos mais riscos, podemos experimentar mais insucessos, mas jamais ficaremos fadados à síndrome do “quase”, do benefício indelével da dúvida do que poderia ter sido “se” a decisão tomada fosse outra.
Há um abismo entre o que as escolas entregam e o que as empresas demandam. A academia está distante e desalinhada do mundo corporativo.
A única diferenciação efetivamente sustentável é aquela baseada em pessoas. No brilho do olhar, na maciez da voz e no calor do toque, aspectos que máquina ou virtualidade alguma será capaz de reproduzir ou substituir.
Olhe para o céu, agora! Se é dia, o sol brilha e aquece. Se é noite, a lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a vida.
A corrupção é fruto de nossa própria sociedade, consequência de nossas próprias leis, reflexo de nossas próprias escolhas.
Vivemos em um mundo governado pela ditadura da imagem. O triunfo da estética sobre a moral. Você é tão belo quanto seus trajes e seu último corte de cabelo possam sinalizar. Tão bom quanto a procedência dos diplomas e a fluência em idiomas possam indicar. Tão valorizado quanto a competência ratificada e os resultados apresentados possam parecer.
Balanços fraudados, currículos forjados, amores burlados. Vidas vividas na ilusão, imaginadas como devaneios à luz de uma quimera.
Rotina. Assim vivemos e morremos, dia após dia, percorrendo os mesmos caminhos, tornando nossas carreiras desestimulantes, nossos relacionamentos insípidos. Desencanto, alienação e desespero. O prazer e a alegria são raros. E voláteis. Somos completamente infelizes em nossa infelicidade e brevemente felizes em nossa felicidade. Estamos sempre aguardando o dia seguinte, quando tudo o que era para ter sido e que não foi supostamente acontecerá.
Estamos produzindo pessoas comoditizadas que não pensam, não refletem, não elaboram, não opinam. Pessoas enquadradas, presas a um plano bidimensional. A clonagem chegou ao cérebro antes do corpo físico.
Mulheres sabem como dosar a ponderação. Talvez os nove meses de gestação as tenham ensinado a virtude da paciência. Talvez as dores do parto as tenham ensinado o poder da resignação. Talvez a responsabilidade da amamentação na calada da noite as tenha ensinado o significado da tolerância.
Quando aprendemos a gostar do que fazemos a remuneração passa a ser uma consequência. O quanto você trabalha passa a ser irrelevante.
Cultivamos um hábito pernicioso, ainda que inconscientemente. Costumamos nos apegar a objetos, pessoas e eventos. Damos a eles uma dimensão irreal, passando a viver em função – e por causa deles. Perdemos a capacidade de nos adaptar, de mudar e de crescer. Assim, morremos lentamente...
Persistir no erro não é exemplo de perseverança, mas de sua face nefasta representada pela teimosia.
Minhas alegrias ou desalentos, realizações ou frustrações, companheiros ou adversários, enfim, os frutos que tenho colhido, sejam saborosos ou insípidos, foram cultivados por mim mesmo, ora em terreno fértil, de onde viceja a prosperidade, ora em terreno arenoso, de onde grassa a inutilidade.
Para o político que ganha uma eleição, o atleta que se consagra na competição, o profissional que se completa na realização, o amor que se revigora na paixão, o fim depende do início.
Olhos marejados são formados por lágrimas que se retraem como quem diz: “Ainda não é hora” ou, então: “Ainda não posso me desnudar”. Assim, fazem os olhos brilharem, refletindo a transparência da alma.
Toda virada de ano é especial porque industrializa a esperança, diria Drummond. Há uma magia no ar que nos torna grandes planejadores. Aprendemos que metas se constroem com papel, lápis e imaginação. É um período tão intenso que penso que deveríamos criar o calendário de seis meses, abolindo o gregoriano. Assim teríamos duas chances para recomeçar.
