Poema sobre Pessoas Folgadas
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
Há pessoas que carregam oceanos dentro do peito e, ainda assim, passam pela vida fingindo ser apenas pequenas poças de silêncio.
Algumas pessoas carregam tanta dor dentro do peito que acabam desenvolvendo uma delicadeza quase sobrenatural ao tratar o sofrimento alheio.
Carrego dentro de mim um excesso de permanências. Pessoas, dores e memórias que partiram do mundo, mas continuam habitando meus pensamentos como catedrais abandonadas.
Há pessoas que partem da nossa vida, outras permanecem para sempre, mesmo depois de irem embora, assombrando os cômodos vazios da memória.
Há pessoas que morrem apenas uma vez. Outras precisam sobreviver ao próprio funeral todos os dias, sem que ninguém perceba.
O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.
Envelhecer talvez seja assistir, em silêncio, ao desaparecimento gradual de todas as pessoas que um dia fizeram do mundo um lugar reconhecível.
Algumas pessoas entram na nossa história para permanecer, outras entram apenas para nos ensinar que permanecer nunca foi a missão delas.
Há pessoas que colecionam conquistas; outras colecionam cicatrizes. As primeiras aprendem a vencer. As últimas aprendem que a vida jamais revela seus abismos a quem nunca precisou sangrar para continuar existindo.
Eu lúdico, eu livre, eu vivo, eu ser humano me sentindo um primata, a qual as pessoas tem pelo e andando com as mãos.
Ninguém cresce sozinho: pessoas precisam de pessoas. O valor de um ser humano não é definido pelo seu nível, mas pela sua essência. Todos são essenciais.
Muitas das vezes, as pessoas vão ficar contigo não porque te amam, mas sim porque a pessoa que elas tanto amavam as deixou, e você acabou sendo apenas a segunda opção.
Confiar cegamente em certas pessoas é como mergulhar papel na água: a destruição não é um acidente, é uma consequência inevitável da nossa própria escolha. Quem carrega a culpa final não é apenas o meio que dissolve, mas nós mesmos, que insistimos em expor o que sabíamos ser frágil a correntes onde nada de bom resiste inteiro.
Graças a essa educação deseducadora e alienadora as pessoas aceitam o inaceitável, toleram o intolerável, suportam o insuportável e até mesmo defendem o indefensável.
“A maior parte das pessoas passa a vida respondendo perguntas que nunca escolheu fazer e defendendo respostas que nunca parou para examinar.”
As pessoas costumam admirar a inteligência quando ela já se transformou em história. Enquanto está viva e questionando nossas certezas, ela pode causar desconforto. Não porque a verdade seja necessariamente ofensiva, mas porque poucas coisas são tão desafiadoras quanto perceber que nossos castelos mais sólidos talvez tenham sido construídos sobre areia.
Não quero discípulos. Quero pessoas capazes de pensar sem depender de mim. A liberdade não nasce quando alguém adota minhas ideias; nasce quando alguém aprende a questionar as próprias. Não pense como eu penso. Pense no porquê você pensa como pensa. É aí que começa o discernimento.
