Poema sobre Erro
O amor é o único erro de cálculo que vale a pena cometer num universo indiferente; é a única forma de cuspir na cara do nada e dizer: "Hoje não, hoje eu escolhi a alucinação de ser importante para alguém".
Eu sou o primeiro a ter desenhado a estrutura, por ter sido o primeiro a identificar o erro de predição como a raiz do ser.
Silenciar o erro alheio pela força da censura é atestar a incompetência da própria verdade jurídica.
A verdadeira justiça não procura apenas castigar o culpado, mas impedir que o erro continue produzindo sofrimento.
A pessoa não deve ser reduzida ao processo que responde, ao crime que cometeu ou ao erro que praticou.
O Direito não existe para eliminar o erro da escolha, mas para impedir que alguém fabrique clandestinamente as condições do erro alheio.
A reputação é uma memória social; quando essa memória se torna permanente, o erro humano corre o risco de adquirir eternidade tecnológica.
A ciência não promete certeza absoluta; oferece métodos para reduzir o erro. O agnosticismo acrescenta uma advertência: ainda podemos estar errados sobre aquilo que julgamos saber.
No Brasil, transformar pseudociência em política pública não é apenas um erro intelectual; pode produzir consequências concretas sobre direitos, recursos e vidas.
Errar é uma condição humana; transformar o erro em identidade é uma escolha. A verdadeira correção começa quando a consciência deixa de proteger o próprio equívoco.
Corrigir um erro não diminui a autoridade de quem o cometeu; demonstra que a consciência ainda possui autoridade sobre o próprio orgulho.
O erro não nasce apenas da ignorância, mas também da vontade que transforma uma compreensão incompleta em uma certeza definitiva.
