Poema Passei para Deixar um Beijo

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A censura transforma o tribunal em um cartório de ecos e o magistrado em um coveiro de ideias.

A justiça que precisa da censura para se sustentar é frágil como um castelo de areia na maré alta.

Um tribunal que teme o debate livre não é a casa da justiça, mas o santuário do medo.

Nenhum direito fundamental nasceu de um gesto de benevolência: quase todos carregam a cicatriz de uma resistência.

Reivindicar um direito é exercício de cidadania; depender de favores é sinal de fragilidade institucional.

A punição pode encerrar um processo; raramente encerra aquilo que produziu o conflito.

A prudência é a arte de saber que possuir um direito não significa necessariamente ser sábio ao exercê-lo.

Ter um direito de propriedade não significa possuir licença para ignorar todos os direitos ao redor.

Quando eu era vivo as pessoas me achavam um idiota. Agora que estou morto, me acham um gênio.

Na era digital, controlar a informação pode significar controlar possibilidades antes mesmo que uma escolha seja feita.

Uma lei obscura oferece ao intérprete um poder que deveria pertencer ao legislador.

O acesso à Justiça começa antes do tribunal: começa quando o cidadão sabe que possui um direito.

“A greve não é ruptura da ordem jurídica, mas exercício de um direito que transforma a insatisfação coletiva em instrumento legítimo de reivindicação e equilíbrio nas relações de poder.”

A lei que não acompanha a transformação tecnológica corre o risco de regular um mundo que já desapareceu.

A seleção natural não é um modelo moral; transformar sobrevivência em justiça seria confundir descrição com prescrição.

A justiça humana será tanto mais justa quanto mais compreender que por trás do ato existe um ser em processo de evolução.

Conhecer as causas de um comportamento não significa necessariamente justificá-lo.

O servidor público exerce uma função que pertence à sociedade, não um poder que lhe pertence pessoalmente.

Uma Constituição é também um compromisso coletivo com aquilo que uma sociedade decidiu não permitir que o poder faça.

Quem ensina um homem a acreditar no absurdo pode, um dia, ensiná-lo a praticar o intolerável.