Poema Passei para Deixar um Beijo

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Eu vivia na minha estúpida decepção.
A poesia era um leigo monólogo que amarelecia na estante.
As nuvens passavam e levavam consigo o brilho dos meus olhos.
Toda canção de amor fazia de mim um estraçalhar de sonhos...

Meu inquebrantável subterfúgio era a tristeza.

Até que um dia viestes ver-me.
Ao longe percebi teu reflexo no vidro – “Altivo!”.
E então, com um só toque, mudaste todo o crepúsculo!
Com estas tuas mãos macias,
Com teu olhar de quem se perde no canto dos pássaros,
Com este teu perfume de madrugada
E teus cabelos que dançavam ao vento...

Fizeste acordar meu coração latente!

E agora sou toda as pétalas das flores,
Respiro o inócuo aroma da vida que rejuvenesce...

Sou eu novamente...
Eu, com esta visão além e aquém do horizonte,
Que aspira quase às mesmas quimeras irreais
– só que agora teu nome está em todas elas!
Agora sou eu... e sou você.

Filosofia de Vida


Havia um garotinho que tinha mau gênio. Seu pai lhe deu um saco cheio de
pregos e lhe disse que cada vez que perdesse a paciência que batesse um
prego na cerca dos fundos da casa. No primeiro dia o garoto havia pregado
37 pregos na cerca. Porém, gradativamente o número foi decrescendo. O
garotinho descobriu que era mais fácil controlar seu gênio do que pregar
pregos na cerca. Finalmente chegou o dia, no qual o garoto não perdeu mais
o controle sobre o seu gênio. Ele contou isto a seu pai, que lhe sugeriu que
tirasse um prego da cerca por cada dia que ele fosse capaz de controlar seu
gênio. Os dias foram passando ate que finalmente o garoto pode contar a seu
pai que não haviam mais pregos a serem retirados. O pai pegou o garoto pela
mão e o levou ate a cerca. Ele disse :

- Você fez bem garoto, mas de uma olhada na cerca. A cerca nunca mais será
a mesma. Quando você diz coisas irado, elas deixam uma cicatriz como esta.
Você pode esfaquear um homem e retirar a faca em seguida, e não importando
quantas vezes você diga que sente muito, a ferida continuara ali. Uma ferida
verbal é tão má quanto uma física. Amigos são uma jóia rara realmente. Eles
te fazem sorrir e o encorajam a ter sucesso. Eles sempre te ouvem, tem uma
palavra de apoio e sempre querem abrir seu coração para você. Mantenha
isto em mente antes de se irar contra alguém

Revelação

Eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí.
É um segredo que eu guardo, é uma revelação
Que eu não posso sair dizendo por aí.
É que eu tenho medo de que as pessoas se desequilibrem delas mesmas.
Que elas caiam quando eu disser.
É que eu descobri que a palavra não sabe o que diz.
A palavra delira. A palavra diz qualquer coisa.
A verdade é que a palavra, ela mesma, em si própria, não diz nada.
Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve.
Quando existe acordo existe comunicação,
Mas quando esse acordo se quebra ninguém diz mais nada, Mesmo usando as mesmas palavras.

E se um não é tão duro
para quem o ouve,
creio que não é menor
a sua dureza para quem o diz.

Quem sou eu?

Eu sou um pouco de tudo!

Um pouco de força e de fraqueza...

de coragem e covardia...

Um pouco de alegria e de tristeza...

de relaxo e de mania!

Um pouco de simplicidade e de orgulho...

de clareza e escuridão...

Um pouco de silêncio e de barulho...

de pequeno e imensidão!

Um pouco de realidade e de ilusão...

de voar alto e pé no chão...

Um pouco de sossego e de ambição...

de comprimido e explosão!

Um pouco de samba e de sertanejo...

de rock e de reggae...

Um pouco de inibição e de molejo...

de me larga e de me pegue!

Um pouco de exibição e timidez...

de esperança e falta de fé...

Um pouco de loucura e lucidez...

de quem eu quero e de quem quiser!

Um pouco de amor e de ódio...

de dor e de prazer...

Um pouco de vida e de óbito...

do que eu sou e quero ser!

Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno.
Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
– Não passas de um rústico… não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada da bainha, berrou:
– Eu poderia te matar por tua impertinência.
– Isso – respondeu calmamente o monge – é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.
– E isso – disse o monge – é o céu.

Daniel Goleman
Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

Certo dia, no parque, um amigo veio ao meu encontro desabafar.
- Eu quero sumir. - Ele disse, enquanto eu jogava comida para os patos.
- Fugir da rotina, quebrar as regras, ver as belezas do mundo, ficar sozinho.
- E o que te impede? - Perguntei voltando meu olhar a ele.
- Eu.

- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!

Um coração vazio e sem alma;
Uma mente confusa e aborrecida;
Os dias nublados do inverno;
A chuva penetrante;
A rua deserta;
Não me escutam quando eu chamo;
Me faço de desentendido quando falam comigo;
Sinto a tristeza me abraçar como um cobertor pesado carregado de frustrações;
As lágrimas que corriam de meus olhos na infância, hoje congelam no meu rosto de profunda solidão;
Não sei se estou feliz;
Não tenho certeza se estou triste ou apenas passando por uma fase difícil;
Parece que tudo vai desmoronar e ao mesmo tempo vai tudo continuar igual;
O mundo é ruim, a vida é uma ilusão de felicidade, e os sentimentos são coisas da nossa mente;
Nada é real a não ser a dor;

Poderosa igual Gaia
Tão bela quanto Afrodite
Ideal pra um sayajin
Tipo Goku e a Chi chi

RECOMEÇO

E aquela ausência me doeu por um bom tempo.
Até eu descobrir que embora
as pessoas sejam insubstituíveis,
os sentimentos não.
Viver é saber que tudo
pode ter um recomeço.
É aproveitar cada oportunidade
que a vida nos permite,
de conhecer novos caminhos,
novos sentimentos.

Era só um sentimento adormecido,
Que despertou outra vez,
E causou formigamento na alma.

Cidade

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

José Carlos Ary dos Santos

Nota: Letra de Ary dos Santos, música de Zeca Afonso

'Quando eu era jovem
Eu disse à minha mãe
Eu digo que um dia eu vou fazer você se sentir orgulhoso

Agora que estou mais velho
Soa muito mais difícil
Para dizer essas palavras em voz alta

The Vampire Diaries

Nota: Trecho da música, de Liz Lawrence, de The Vampire Diaries

A indiferença de um celular


Que criatura cruel é um celular.
Permanece calado nos momentos
Em que mais preciso que fale.
Fala quando não deve.
Grita outro numero
Quando desejo que seja o seu.
Dorme nas minhas noites de insônia.
E berra, interrompendo meu sonho com você.

E nas horas de agonia,
Quando desejo ouvir tua voz...
Me oferece a voz metálica da caixa postal.
Click...
Fecho o flip.

Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos?

Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar para trás
Sem se aprender alguma coisa para o futuro

Corri para o esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

Não precisa vir
Se não for pra ficar
Pelo menos uma noite
E três semanas

Nada é fácil
Nada é certo
Não façamos do amor
Algo desonesto

Quero ser prudente
E sempre ser correto
Quero ser constante
E sempre tentar ser sincero

E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber

Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor

E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar

Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais

Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade

Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender

Pobre coração, o dos apaixonados
Que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor
Arriscando tudo por uma miragem
Pois sabem que há uma fonte oculta nas areias
Bem-aventurados os que dela bebem
Porque para sempre serão consolados

Pequenas coisas

Um dia de sol,
Ir à praia no verão
Sair pra dançar
Deitar no sofá
Assistir um bom filme
Ver crianças brincando
Passear no jardim
Sentir o perfume das flores
Pisar na areia
Ver a natureza
Admirar a lua e o céu estrelado
Sorrir do nada
Contar uma piada
Rever um grande amor
Amar sempre alguém
Olhar uma paisagem e dizer
“Como Deus é grande.”

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela.

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

esta história
não é um conto de fadas bruxas.
não há
bruxas.
não há
caça às bruxas.
não há
caras que ateiam fogo.
não há
fogueiras.
não há
uma revolução ardente.
esta é uma história
simples
na qual as mulheres
lutam contra
a estrutura
criada pelos homens,
que permaneceu
muito mais tempo
do que queríamos.