Poema para uma Amiga que se Mudou
Que a sua semana contenha:
Uma segunda chance de fazer diferente;
Uma terça nota que componha um belo dia;
Uma quarta palavra de carinho e atenção;
Uma quinta parte de amizades e descontração;
Uma sexta de alegrias e momentos especiais;
Um sábado de descanso e contemplação;
Um domingo de aleluia e celebração!
Remanescente
Eu sou uma sombra no silêncio tenebroso,
que vaga sem sentido num colapso arruinado;
Eu sou um sussurro que ecoa nos destroços,
que se dissipa sob gritos afogados;
Eu sou um entre muitos loucos,
vivendo num mundo de sanidade obscura;
Eu sou um remanescente, vivendo entre os poucos, esperando todo dia, a chegada do repouso!
(14/02/24)
Falar ameno
Suave peso da caneta.
Suave como a brisa de uma tarde calma,
suave como os lábios da amada do trovador.
Seria por ventura uma mensagem divina?
Daquelas que invadem a alma
como sabe bem o sofredor,
adentrando aos ouvidos abertos ao falar do vento
contando-lhe uma verdade de um antigo amor.
Seria o falar de Deus ao coração calejado do pensador?
Trilhas do Despertar
Na alvorada, meu caminho se ergue,
Cada aurora uma página, um verbo que aflora.
Não persigas os trilhos que escolhi,
Meu destino vagueia, sem rumo definido.
Não gravarei meus passos na terra,
Sou a brisa que dança, a chuva que não molha.
Em cada partida, sou o desconhecido,
Entre sombras e luz, sou o eco perdido.
Meu caminho é uma melodia sem partitura,
Uma dança sem coreografia, uma aventura.
Não busques razões onde só há mistério,
Sou o verso que flui, o sonho sincero.
Na aurora de cada dia, eu renasço,
Um viajante do tempo, um eterno laço.
Não me prendas ao chão, pois sou o voo,
Em direção ao infinito, sou o próprio eu.
Uma jornada de amor
No pó dos dias, além dos beijos e abraços,
Nas entrelinhas das brincadeiras e brigas,
Sob a vastidão da distância que nos separa,
Descobri um amor que transcende o tempo.
Entre risos e lágrimas, entre idas e vindas,
Cresceu silencioso, como um broto no deserto,
Um sentimento tão puro, tão profundo,
Que me consome e me enlaça em teu mundo.
Foi depois das noites insones e dos dias vazios,
Depois de perder-me em labirintos de saudade,
Que entendi o quanto és essencial em minha vida,
E como tua presença preenche cada parte de mim.
Assim, nesta jornada de descobertas e redenção,
Amar-te tornou-se minha mais doce obsessão,
E a cada instante, a cada batida do coração,
Sinto-me mais próximo de ti, em completa comunhão.
Que sejamos então dois viajantes do destino,
Caminhando juntos nesta estrada de amor sem fim,
Onde cada curva, cada desafio, nos fortalece,
E onde o nosso amor, eterno, jamais perece.
Na cidade pequenininha, havia uma casinha
Na casinha tinha uma pequena arvorezinha.
A arvorezinha deixou de ser pequenina
E virou um pé de bananinha.
Uma ferida não fecha assim tão rápido. E, se não for tratada corretamente, pode infeccionar e contaminar o resto do corpo. Pode ser tarde até que se note a infecção.
Eu perdoo o passado na maioria dos dias. Em alguns, não. Cada pequena ocorrência ativa minha memória, e os meus sentimentos logo assumem o controle.
Ainda estou me curando.
Persistir é uma tarefa árdua porque você não sabe até quando vai ter que aguentar. Não somos invencíveis. Não damos conta de tudo. Parece que nada está mudando realmente.
Estou cicatrizando, eu acredito.
"Siga em frente." Deixe a ferida se fechar e não fique cutucando, não vai mudar o que aconteceu. Pegue todo aquele amor e cuidado que você tem e aplique em si próprio. É hora de desacelerar, olhar para si e passar a se enxergar. Esse processo é só seu.
Na superfície dura e fria do espelho, o reflexo embaçado de um rosto me encara de volta.
É uma visão turva de uma expressão duramente composta, criada com o propósito de aparentar uma natureza distante daquela que atormenta o meu íntimo.
Uma caricatura do eu, imagem vendida por mim e aceita pelos outros.
Mandíbula cerrada, sorriso composto, postura altiva e determinada. É o suficiente. Embalagem perfeita para a vitrine da vida, mais uma na prateleira de objetos inanimados esperando receber qualquer estímulo externo, ou ganhar vida.
Meu amor queima como uma pequena chama reluzente: permeando a eternidade e afora, vivo e resistente.
Eu o seguro aqui, protegido e intocável. Afinal, não são muitas as quebras que um coração pode suportar.
Entre términos e renovações ele permanece como um farol em meio a escuridão, a pequena e singular luz entre as trevas.
Não o guardo a sete chaves, porém, ele é livre e independente. Agora eu busco ensiná-lo a ser mais prudente.
É hora de assumir a responsabilidade e cuidar daquele que sempre será meu companheiro e amigo mais próximo, a parte de mim que me faz única e resiliente: o meu coração apaixonado.
É como uma chama flamejante eternamente ondulando dentro de minha mente, com seus tentáculos que hora tocam, ora agarram firmemente o meu ser.
Sufoca, inspira. Necessita de ação.
Agonia é como viver só por estar vivo, sem sonhos ou desejos para realizar.
É um sentimento rápido para conseguir, difícil para deixar partir. É uma sensação turva e arraigada; sinônimo de desespero.
Agonia é a perca da paz e o ganho da urgência.
Semanas evidentes.
Hoje, sem forças me encontro
Na esperança de uma aliança.
Ainda que meu erro, minha sentença,
Seja feita de meu ser.
Nessa luta, nesse desespero,
Embora nessa linha, nesse espelho,
Esteja o meu erro,
A ausência do conforto do meu eu.
Na busca de me encontrar, me perco
Na luta de te esquecer, lhe encontro
É como se eu soubesse a resposta de tudo
Mas de nada me servisse a própria.
Como de nada, antes, me ocorresse
Algo que sei que jamais cogitaria
Tudo como um fruto de minha mente
Que fantasiada se ascendia.
Entre olhares que guardamos na memória,
E palavras que guardamos no silêncio,
Onde foi que nos perdemos?
E, nessa angústia, me derramo.
Procuro no mar às lágrimas
Um pouco de que me caiu do resto, a alma.
Já o tempo, esse estranho cúmplice,
Me leva as mágoas, e embeleza as dores
Mas nunca devolve o que já foi,
Pois não há como voltar em algo que nunca de fato existiu.
E amanhã, acordo-me
E recordo-me
Nesse erro, essa luta,
Como sempre, pois aos mares não há como se apressar
Como nunca, pois de fato apenas tenho a lidar, não sonhar.
Saudade é uma magrela
Com uma fome sem limite.
Sedenta, com apetite
Fita quem serve a ela.
No centro da mesa dela,
Vê-se a bandeja vazia:
Sequer escapou a vela.
Como nada mais servia,
O garçom, em agonia,
Foi devorado por ela.
PREMONIÇÃO
.
.
Em um dia de meio dia,
meus olhos, somente os olhos,
tiveram uma visão.
.
Lembro-me que a luz me doía
como uma ponta de sabre
no corpo do coração.
.
Lembro-me, sem muito assombro,
que tudo quedava incompleto,
como se as luzes buscassem em vão
o preenchimento das coisas.
.
Na sintonia das imagens
dissecavam-se as paisagens
sem mistificação:
.
Não obstante o colorido,
ficavam os homens repartidos
como se feitos de pão.
A uns: o ouro e a prata;
a outros: a fome e a crença;
a esses: a esperança;
para aqueles: quitutes em lata.
.
Tanto sol doía
nos ombros da nação
(talvez não houvesse justiça
em sua distribuição).
.
E talvez por ser evidente,
ficavam doídas e claras
as sombras dos coqueiros.
Ali, onde outrora era verde
espreitam crianças no desamparo.
.
Desamparadas, porém livres,
querem construir a nação
– mas faltam-lhe os instrumentos:
os braços, e as mãos...
.
.
Igualmente iluminados,
os andarilhos nas estradas:
pés descalços, chapéus de palha,
– ou capacetes e mãos de graxa –.
Todos, embora cansados,
querendo correr o chão.
.
Mas falta-lhes segmento:
as pernas da multidão.
.
Arre!
Tanto sol
arde como uma tarde
de Verão...
.
.
BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Insurgências, 2024]
NO CÔNCAVO DA MÃO MORTA
.
.
No côncavo da mão morta
havia uma chave...
não sei para que castelos.
.
Para qual porta, oh Deus Entranhas,
tal chave – tão triste chave –
em certo dia foi forjada?
.
Havia aquela chave
não como uma pedra
no meio do bom caminho,
mas no côncavo da mão morta.
.
E essa mão,
tão inerte e já bem morta,
cujo corpo era seu mero apêndice,
ao mesmo tempo oferecia
e segurava a chave.
.
O gesto, embora pálido,
tinha a cor dos desesperos!
Parecia dizer, nos entrededos:
.
Pega esta chave,
se tu és digno dela,
e cuida do seu metal
como se fosse cristal
precioso, de tão frágil.
.
Antes de tudo o mais,
colhe-a como uma fruta
já por mais do que madura.
A ela recebe – tão suculenta –
entre teus próprios cinco dedos.
.
A chave, no côncavo da mão morta,
parecia a mim implorar-assim:
“Leva-me... a meu destino,
que para isso nasci”.
.
E a mão côncava
acrescentava:
“Leva-a, que somente por isso
insisto em me entreabrir”
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Ipotesi, 2021]
Dor que retorna
Ferir sem querer é lançar mão
de uma lâmina sem ver o fio,
e, no ato de se proteger,
cravamos cortes que escorrem silêncio.
Há uma tristeza que é faca cega,
um espinho oculto sob a pele.
E é só depois, ao sentir o eco
do que fizemos, que a dor se revela.
Nosso coração sabe o que é errado,
mas às vezes se debate, erra os olhos,
e atinge quem mais amamos,
num reflexo triste de autoproteção.
E então, o peso nos volta —
o corte que causamos abre-se em nós.
É a dor que revira, rasga por dentro,
e ninguém vê, mas em nós lateja.
Quis apenas me defender,
mas na pressa fui flecha cega.
E, agora, o arrependimento sussurra,
ferindo-me na ferida que deixei.
milímetro de mágoa
foi uma dor cruel
pior que corte feito por papel
pequena, constante
e até revoltante
não era para acontecer.
e a gente vê
que o detalhe pode ser, então
imensidão.
Como viver um amor infinito em um mundo onde esse amor nada mais é que um sonho?
Uma saudade do ausente e uma visão do que não se pode ter?
Na contradição da vida, será a canção reflexo de um poema e um poema reflexo de um amor?
Com o passar do tempo, amadureci..
Coisas boas me aconteceram, mas coisas tristes também. Estou diferente...
E todas essas emoções são traduzidas em forma de versos nas canções que transbordam a partir da minha alma
E nessa constante dialética entre o saber e o viver..
Entre o infinito e o finito que se revela, redescobri o fascínio da poesia que sempre esteve dentro de mim, mas que a seriedade do mundo por tempos ofuscou.
E, tentando entender a complexidade dos sentimentos, busquei uma síntese..
Algo que não pode ser encontrado nas palavras, nas páginas dos livros ou nos versos das mais belas canções
Mas somente no vento impetuoso do Espírito
Aonde o mais belo poema se tornou a mais bela canção já entoada em toda a Terra
Aonde o Verbo se tornou carne
E o Amor dividiu a história se tornando a própria história do nosso ser.
Há um ar de tristeza quando chove
Frio, saudade e muta solidão
É uma melancolia que nos absorve
Nessa úmida desolação
Rosas
me encanto com um sorriso em um retrato
com a curiosidade de ouvir uma voz
me apaixono por um par de olhos brilhantes
por vários instantes contemplo um rosto que só imagino
como é o movimento dos lábios
como é o movimento dos cabelos
imagino um corpo que eu nunca vi
só sonho
me encanto com letras que formam palavras
com rimas que se tornam versos
com versos que se tornam imagens e imaginação
procuro ver uma nova imagem a cada dia
com o mesmo rosto
o mesmo sorriso
não tenho ciúmes e sim inveja
inveja de quem toca aquela pele
de quem ouve aquela voz
de quem se mistura aquele corpo e sente aquela boca
inveja boa
como invejo todas as rosas que cabem no colo dos seus braços
com cada lençol que abraça aquele corpo
com o vento que passa por entre os cabelos e entre as suas roupas
com o espelho que vê ao natural o que deve ser insaciável
me encanto com esses meus dias mastigando o que imagino.
A flor é a superfície, os espinhos são o interior e o talo da flor é o que ligar os dois.
Uma analogia sobre como nós somos
- Relacionados
- Mensagens de luto para amiga com palavras de conforto
- Frases para conquistar uma mulher e impressioná-la
- Mensagem para uma pessoa especial
- Mensagem para uma amiga especial
- Uma mensagem para alguém especial
- 57 mensagens de falecimento para confortar uma perda
- 27 poemas de bom dia para celebrar uma nova manhã
