Poema para uma Amiga que se Mudou
Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.
A dor não chegou de uma vez, ela foi construída, em camadas tão sutis que quase passaram despercebidas, até que um dia percebi que já não era mais o mesmo, mas também não era alguém completamente perdido.
Eu me tornei um observador da própria dor, como se houvesse uma distância entre quem sente e quem entende, e talvez seja isso que me mantém funcional, porque sentir tudo diretamente seria insuportável.
Eu não sou forte, eu sou persistente, e existe uma diferença tênue entre os dois, porque a força se esgota, mas a persistência se arrasta, e, mesmo aos pedaços, eu continuo.
A dor me ensinou a falar uma língua que não se aprende em livros, uma língua feita de silêncio, de lágrimas contidas e de gritos que nunca encontraram eco e ainda assim, eu me tornei fluente nela.
A fé não é uma luz constante que ilumina o caminho, mas uma chama frágil que você protege com as mãos enquanto o mundo inteiro sopra contra você.
Eu sobrevivi a mim mesmo nos meus dias mais sombrios, e isso é uma vitória invisível que nenhum aplauso seria capaz de traduzir.
A esperança é uma teimosia quase sagrada que insiste em existir mesmo quando tudo dentro de você já desistiu.
A vida não ficou mais leve, eu que aprendi a carregar o peso com uma dignidade que nasceu do sofrimento.
O sofrimento me atravessou como uma lâmina, mas não encontrou em mim um lugar definitivo para morar.
Minha mente é uma máquina incansável de interrogações. Um santuário em ruínas onde o pensamento devora a lembrança, e onde nem o que foi guardado a sete chaves está seguro contra a erosão da própria dúvida.
Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.
Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.
Existe uma lucidez perigosa em quem já esteve no fundo e percebeu que ainda assim continuou existindo.
A depressão não é apenas uma tristeza profunda, é o luto de uma versão de nós mesmos que ainda não morreu, mas que se recusa a seguir em frente, nos obrigando a carregar o corpo de quem fomos como se fosse uma bagagem pesada e necessária para atravessar o deserto.
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
O recomeço não é uma porta que se abre para um campo florido, mas um degrau quebrado que você decide subir mesmo sabendo que pode cair novamente, pois a estagnação no andar de baixo é um tipo de morte muito mais dolorosa do que qualquer queda acidental.
A melancolia é uma visita que chega sem avisar e senta-se à mesa para tomar um café frio conosco, o segredo não é tentar expulsá-la aos chutes, mas ouvi-la com atenção, pois ela sempre traz notícias de partes de nós que esquecemos de cuidar no meio da correria.
O sentido da vida não é algo que se encontra escondido atrás de uma montanha mágica, mas algo que se inventa todos os dias entre o escovar dos dentes e o apagar das luzes, na insistência teimosa de acreditar que o amanhã ainda tem algo a nos oferecer.
Existe uma sacralidade no cansaço de quem deu o seu melhor e falhou, pois o fracasso honesto é mil vezes mais digno do que o sucesso construído sobre a areia movediça da falsidade e da negação da própria essência humana que nos torna falíveis e reais.
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