Poema Nao Ame sem Amar
Você jejua, mas não perdoa.
Canta, mas odeia.
Sabe citar versículo, mas vive de vingança.
Satanás não teme teu culto, teme tua mudança.
Deus não escuta tua voz, se tua alma grita podre.
E talvez o silêncio Dele seja a resposta mais alta.
Você não caiu hoje.
Você foi cedendo um pouco todo dia.
Chamou vaidade de autoestima, cobiça de oração.
Cobriu adultério com a palavra “fragilidade”.
E agora quer que o céu restaure o que o ego destruiu.
Mas o céu só reconstrói o que o orgulho deixa morrer.
Deus te quebrou não pra te matar,
mas pra te provar que o orgulho é um ídolo disfarçado.
Quem não aprende com o deserto,
reclama quando a chuva vira enchente.
O céu não é lugar de ego inflamado —
é só pra quem aprendeu a calar sem deixar de crer.
Nem toda lágrima é fraqueza,
às vezes é o batismo do guerreiro.
Quem anda com Deus não exige explicação,
carrega cruz calado e ora no escuro.
Porque o forte não grita, jejua.
E quem jejua, rasga o inferno em silêncio.
A fé não é almofada, é rocha.
E quem dorme em rocha acorda com cicatriz.
Cristo não te prometeu conforto —
te prometeu cruz, renúncia e glória.
O fraco foge da fornalha,
o escolhido dança dentro dela.
Não te enganes com a paz dos covardes.
Ela fede a desistência mascarada de sabedoria.
O Evangelho é faca que opera sem anestesia,
cura a alma, mas mata o velho homem.
O céu não se herda com discursos suaves,
mas com vida crucificada.
Senhor, não me poupe da guerra — me fortaleça dentro dela.
Não afaste os desertos — endureça meus pés até que caminhem neles como reis.
Alarga minha alma até que ela não caiba mais no medo.
Não me livre da dor — me faça maior do que ela.
Que tua mão pese sobre mim — não para me esmagar, mas para me forjar.
Tira os falsos amigos, mas nunca tua presença.
Arranca de mim o conforto que me enfraquece.
Dá-me a coragem que os anjos invejam.
E se o mundo me esquecer, que o céu ainda me veja de pé.
Não me esconda da guerra — me acenda dentro dela.
Alarga meu espírito até que o medo se afogue em mim.
Não tire os espinhos — caleja minha alma.
Faz do meu nome um eco que o inferno respeite.
Tua mão, não me proteja — me molde.
Leva embora o que enfraquece. Deixa o que endurece.
Se o mundo me negar, que o céu me reconheça.
Purificação
Ó Leão de Judá, não me tire do deserto — me faça espada dentro dele.
Amplia meu território no meio dos gritos, não no conforto.
Arranca os inimigos que sorriem, mas me apunhalam por dentro.
Se for pra sofrer, que eu sofra de pé, mas cheio da Tua unção.
Livra-me do mal que ora em línguas, mas fere em silêncio.
Não me dê descanso — me dê resistência.
Me faz guerra santa, não paz covarde.
Que o inferno trema quando eu dobrar os joelhos.
E que o céu se incline quando eu gritar: me sustenta!
Não permitas que minha dor vire silêncio — que ela vire espada.
Tira o véu dos meus olhos, mas não tira a minha fúria santa.
Se eu for cair, que seja sobre Teu altar — e de lá me levanta.
Purificação
Coisa linda, não posso te esquecer.
Teu sorriso acende meu peito, viraste saudade antes de ser lembrança,
morando em mim como uma doce canção que toca no silêncio do meu coração. Teu olhar mora em mim...
— Fram Lima —
Eu sinto na pele: quando a gente quer de verdade, não tem obstáculo que segure.
A vontade que pulsa aqui dentro é maior que o medo.
E enquanto eu souber o que busco — nada vai me parar.
O Amor Simples
Não é templo de mármore,
Nem soneto entalhado em ouro.
É a água clara no copo,
Quando a sede te corta o coração.
É a semente que não discute a terra,
Apenas abre mão de ser semente.
É a raiz que se faz escura e forte,
Para que o galho alcance o sol.
Não te pede versos, nem suspiros,
Nem joias de palavras raras.
Pedir-te-á as mãos vazias,
E o silêncio que sabe escutar o vento.
Será às vezes macio como a lã
Que envolve o frio dos teus ossos.
Outras vezes, áspero como a raiz
Que desfaz a pedra no caminho.
Não se mede em promessas altas,
Mas no pão repartido ao meio,
Na lenha recolhida no outono
Para o lume do inverno teu.
Quando vier, não trará coroas,
Nem vestes bordadas de desejo.
Virá descalço, como a chuva no chão seco,
E dirá apenas: "Eis-me aqui.
Sou a sombra que te segue,
E o vento que te chama para além."
A dor não vem sempre para ferir. Às vezes, feridas sangrentas só mostram onde nunca mais tocar...
Não é ódio, é silêncio depois do caos, é distância vestida de autoproteção.
Algumas presenças a gente não rejeita por desprezo. Rejeita por instinto de sobrevivência.
— Fram Lima —
A Morte, Inimiga Cruel
A morte é uma inimiga cruel.
Não pede licença, não dá aviso. Ela chega sem compaixão, levando com ela não apenas uma vida, mas também os sonhos, os sorrisos, os segredos e as lembranças que aquela pessoa carregava.
Ela destrói não só quem se vai.
Ela devasta o que fica: famílias, lares, amizades, histórias.
Ela silencia vozes que amávamos ouvir.
E com elas, se vão também os planos, os abraços futuros, os caminhos que nunca serão trilhados juntos.
A dor da ausência pesa.
É um vazio que não se preenche com palavras, mas com lembranças.
E mesmo essas, por mais bonitas que sejam, às vezes doem como punhais — porque nos lembram do que não teremos mais.
Mas mesmo diante dessa perda brutal, seguimos.
Porque amar alguém é também carregar sua memória, sua essência.
E mesmo que a morte leve o corpo, ela jamais apaga a presença de quem foi verdadeiramente amado.
Esperança Calculada
Não é semente lançada ao vento cego,
Nem flor que busca o sol em terra árida.
É algo mais profundo, um movimento interno,
Uma aposta fria, quase absurda.
Surge quando o eco de um olhar perdido
Ressoa nas paredes do já vivido,
Quando o toque, um dia, foi porto e não viagem,
E deixou cicatriz de doce passagem.
É a sombra de um porto que se crê verdadeiro
Num oceano vasto de talvez e talvez não.
É sustentar, com mãos trêmulas, o castelo
De um "sempre" que o tempo pode desmanchar.
É a memória viva de um instante
Que se recusa a ser só lembrança.
É o fio invisível que persiste em costurar
Os rasgões que o desencontro veio a fazer.
É crer que aquele abraço, denso e raro,
Não foi acidente no caminho vazio,
Mas um ponto fixo, um norte descoberto
Numa cartografia de afeto puro.
É a chama que se alimenta não de lenha,
Mas do próprio ardor que a sustenta,
Sabendo que o combustível é finito,
E ainda assim, arder com gosto infinito.
É apostar no humano, frágil e complexo,
No amor que é escolha, dia após dia,
Mesmo quando a lógica fria desmonta
A arquitetura frágil dessa ponte.
É a coragem nua, despojada,
De crer no fundo que o encontro foi real,
E que, apesar do risco e da incerteza,
Vale a pena manter a chama acesa.
É a esperança que não espera milagres,
Mas tece, no silêncio, sua própria teia:
A de que o amor mais puro, quando chega,
Não se dissolve, mesmo quando parte.
Pois sua essência fica, marca indelével,
Um cálice vazio que ainda guarda o mel.
"Ah, os detalhes..."
Queria que quem amo
visse os detalhes —
não só os traços do meu rosto,
mas os silêncios do meu coração.
Ah, os detalhes...
o jeito como olho com esperança,
mesmo depois de tanta dor.
O modo como espero ser ouvida
sem precisar gritar,
ser olhada
sem ter que chamar.
Desejada, elogiada,
amada sem avisos,
cuidada sem pedidos,
acolhida nos dias nublados
e celebrada nos dias de sol.
O essencial é invisível,
mas em mim
tudo transborda.
Sou intensa,
sou presença,
sou mulher que sente demais.
Quero carinho sem implorar,
abraço sem precisar explicar
por que hoje doeu mais.
Quero que alguém veja —
não só o que mostro,
mas tudo o que calo.
Quando descobri que mais da metade das pessoas não são extremamente, o que elas dizem!?
Eu parei de me preocupar com as mentiras que me falam;
Porque antes de mentirem pra mim, elas estão enganando a si mesmas...
Sorte tem aquele que vive bem — não por dinheiro, mas por saúde.
Sorte tem quem não precisa de aparelhos para respirar, muletas para andar, ou pessoas para cuidar de si.
Sorte tem aquele que não vive com um prazo para morrer, nem precisa encarar cada dia como se fosse o último.
Sorte tem aquele que veio ao mundo sem nenhuma anomalia ou deficiência.
Sorte tem aquele que, simplesmente, ganhou mais um dia.
Não quero te perder, amor
Mas não posso mais jogar esse jogo
Achei que isso me mataria
Mas esta noite eu salvei minha vida quando te mostrei a porta da frente
Mas essas mãozinhas
Elas não se importam de onde eu venho nem onde eu estive
Eu nunca me amei até o dia em que segurei
Essas mãozinhas
