Poema Nao Ame sem Amar
Viaje, mas não para fugir
Sente-se sozinho, mas não para se esconder
Olhe, mas não para preencher
Veja, mas não para encontrar
reconheça, mas não para nomear
possua, mas não para reivindicar
Ame, mas não possua
maravilhe-se, mas não fique obcecado
Aspire, mas não alcance
ensina, mas não pregue
confie, mas não espere
desista, mas não desista
Pergunte, mas não para dar significado
observe, mas não julgue
conecte-se, mas não divida
pertença, mas não se encaixe
Deseje, mas não se satisfaça
individualize, mas não identifique
Paulo H Salah Din
Não sussurre no meu ouvido "só vivemos uma vez".
Nós não.
Vivemos infinitamente.
Eternamente,
Condenado a um "requintado para sempre".
Parece que o eu leva ao não-eu,
a mente aponta para a não-mente
e o sonho reflete de volta o sonhador.
No entanto, tudo acontece sem estrada, sem ponteiro,
e sem reflexo.
Quero dizer-te coisas,
mas tu e eu sabemos que
as palavras não passam de um fluxo de ar complicado.
Só o silêncio diz a verdade.
Ela deixa ir.
E talvez seja isso a coisa mais próxima de liberdade que existe: não confundir queda com morte. Não confundir mudança com derrota.
As folhas caem e ninguém pede desculpa.
O tronco continua.
E de algum jeito que ninguém explica direito, isso ainda é vida.
PARA QUE SERVE POESIA?
Dizem que poesia não enche a barriga.
E estão certos.
Também não troca o óleo do carro, não paga o aluguel atrasado nem impede que o mundo continue fabricando idiotas em série.
Mas experimente viver sem ela.
A vida vira uma fábrica. Um relógio. Uma fila. Você acorda, trabalha, sorri por obrigação, envelhece e morre sem nunca ter descoberto quem estava respirando dentro da sua própria pele.
A poesia é o que sobra quando todas as desculpas acabam.
Ela é o sujeito bêbado olhando a chuva pela janela e percebendo que ainda existe alguma coisa que dinheiro nenhum consegue comprar. É a mulher que ri no momento errado. É o velho cachorro esperando o dono voltar. É o silêncio entre dois amantes que já disseram tudo.
O mundo vive perguntando para que serve a poesia.
É a pergunta errada.
Ninguém pergunta para que serve um pôr do sol. Um beijo. Uma gargalhada. Um coração que insiste em bater depois de ter sido partido vinte vezes.
A poesia serve ao mesmo propósito de continuar vivo quando tudo ao redor parece empenhado em convencer você de que sobreviver já é suficiente.
E sobreviver...
Isso qualquer máquina faz.
Viver exige versos.
*DENTADA*
Te invadi.
Te ocupei.
Não foi guerra.
Foi convite.
A boca veio sem pedir licença
e assinou na pele o recibo:
estive aqui.
Com fome.
Não tem sangue, tem marca.
Roxo que vira amarelo,
depois some.
Efêmero como tudo que queima.
Ninguém bateu.
Ninguém prendeu.
Foi mordida de quem sabe
que a carne é fruta
e a noite é curta.
Não me venha com culpa.
Culpa é pra quem reza.
Aqui a gente devora.
Sem faca, sem garfo,
só dente e vontade.
A marca fica dois dias.
A lembrança fica dois anos.
A tensão não conta tempo.
Ela mora entre a pele e o lençol,
naquele lugar onde o arrepio
ainda não decidiu
se é medo ou se é mais.
Não foi castigo.
Foi assinatura.
Um carimbo de "estive viva"
num corpo que esquece rápido
mas que, por um segundo,
quis ser banquete.
E se amanhã não tiver nome,
pelo menos teve gosto.
E o gosto,
ninguém tira.
Continuar
Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.
A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.
O problema nunca foi morrer.
O problema sempre foi continuar.
Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.
É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.
Há quem chame isso de esperança.
Eu não.
Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.
Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.
Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.
No fim, a coragem raramente grita.
Ela apenas respira.
E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.
O pior tipo de gente não é a que sangra.
É a que transforma o próprio sangue em licença para fazer os outros sangrarem.
Toda tragédia merece memória. O Holocausto merece memória. Não para fabricar santos, mas para lembrar do que o homem é capaz quando decide que existe uma raça, uma religião ou um povo que vale menos que ele.
Mas a memória apodrece quando vira escudo.
Quando um crime de ontem passa a ser usado como salvo-conduto para justificar o sofrimento de hoje, a história deixa de ensinar e começa a servir de álibi.
Não existe povo imune à crueldade.
Quem sobreviveu ao horror não recebe, por isso, um certificado de inocência eterna. O poder corrói qualquer bandeira. Corrói qualquer governo. Corrói qualquer fé.
Se alguém grita pela morte de outro povo, pouco importa o idioma, a religião ou a bandeira que carrega. O ódio continua sendo o mesmo animal. Apenas muda de uniforme.
Os mortos não escolhem lados.
São os vivos que escolhem transformar cadáveres em propaganda.
E talvez essa seja a maior obscenidade de todas: usar os fantasmas de ontem para impedir que o mundo enxergue os cadáveres de hoje.
Penso em você como penso em Deus,
às vezes, porém um pouco.
Porque não quero atrapalhar Deus.
E você eu não quero pensar muito
pra não te puxar de volta,
porque quando a gente pensa muito em alguém
o pensamento chama,
encosta,
move as coisas de lugar.
Tem gente que volta pelo sentimento,
outras pela saudade.
Você eu acho que voltaria pelo pensamento.
Então eu evito.
Às vezes ocupo a cabeça com rua,
ônibus, fumaça, moedas estrangeiras,
vitrines acesas em esquina vazia,
gente passando sem saber meu nome,
celular no bolso vibrando sem importância,
barulho de cidade que não espera resposta,
noite que não pede explicação,
qualquer coisa que faça o meu pensamento
não aprender novamente o caminho até você
E é isso, vou parar por aqui,
vou até escrever sobre trajeto, fronteira,
ou qualquer outra coisa que não me remeta a você
pra não me contradizer de novo —
como quem risca o próprio mapa
pra não reconhecer a estrada.
Vamos manter essa fronteira invisível,
ainda que estejamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo —
como duas margens do mesmo silêncio
que nunca se encostam, mas se reconhecem de longe.
Você em cima no céu,
eu embaixo no inferno,
(um inferno que não é de Dante,
só de quem aprendeu a nomear distância como lugar)
“O passado não morreu. Ele apenas mudou de lugar: agora mora dentro de nós.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Eu desconfio das almas que nunca conheceram a própria escuridão; talvez elas ainda não tenham descoberto a profundidade da própria luz.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Há noites em que o coração conversa com a lua porque já não encontra linguagem entre os homens.”
— Juliana Hoffmann Liska
“A poesia não nasce quando encontramos palavras bonitas; nasce quando encontramos coragem para dizer aquilo que escondíamos de nós mesmos.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Às vezes, crescer é descobrir que algumas despedidas não foram perdas, mas libertações que doeram.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Não somos apenas aquilo que vivemos; somos também aquilo que conseguimos fazer com o que vivemos.”
— Juliana Hoffmann Liska
O Destino de Quem Não Desiste
A colheita da vida nunca falha para quem semeia com constância e fé. O caminho da superação exige paciência, pois as grandes edificações da alma e da matéria não acontecem do dia para a noite. Se a jornada de hoje parecer lenta ou cansativa, lembre-se de que a gota d'água perfura a rocha não pela força, mas pela persistência. Continue firme nos seus propósitos, agindo no bem e trabalhando com afinco. O futuro reserva alegrias imensas para aqueles que se recusam a estacionar no desânimo. A sua vitória já está sendo construída a cada pequeno esforço de hoje.
É tarde e preciso ir embora
Não chores nem perca a razão
Ciúmes o amor devora
Envenena a alma e o coração.
Relembre os momentos tão lindos
Em que te amei de verdade
Quero ver teus lábios sorrindo
Sem sofrimentos ou saudade.
Mantenha a chama aquecida
Do nosso amor tão brilhante
Levante os olhos, querida
Veja a linha do horizonte.
Não esqueças que desde o primeiro instante
Que te vi na noite silenciosa e fria,
Disse-lhe que tinha uma amante
E que jamais faltaria a um encontro
Com minha amada poesia.
