Poema Nao Ame sem Amar
Paixão Oceânica
O azul mais belo,
Mistério a desbravar,
Como um grande pirata, no mar,
Minha liberdade, vou encontrar.
Vento na proa,
Azimute definido,
Indo até a popa,
Contra as ondas, destemido.
"O mar levou toda a tristeza,
Todo sentimento ruim,
Isso que me deixa"
Navegar os sete mares
E é o que me deixa feliz,
Yo ho ho hou!
O que faz eu enfrentar,
Até gigantes, sem cair,
Yo ho ho hou!
A liberdade dessa jornada,
O sal das ondas no casco,
O balanço do nosso barco,
De bonbordo a estebordo é a minha casa.
O maior tesouro viver,
Viver e sentir o fogo arder,
Arder e não doer,
Simplesmente apenas viver...
" EXISTÊNCIA "
Me vi deitado à margem da existência,
confuso, meio que desnorteado,
com tudo o que é suspeita agasalhado
e pronto pra aceitar a penitência!
Atropelou-me o ego, em mim, centrado
e não lhe opus barreira ou resistência
acreditando ter toda vivência
pra superar sequelas neste estado.
E divaguei delírios da poesia
expondo todo o sonho e fantasia
que me sangrava à hora derradeira…
À margem da existência, ali caído,
senti-me o herói do conto, já perdido,
que o amor abandonou por brincadeira!
" ESCONDES "
Te escondes como quem teme a paixão
por pura insegurança e timidez,
qual se ela fosse a tua primeira vez
no jogo do querer e sedução!...
Mas, na verdade, tens por lucidez,
sabendo, assim, cuidar do coração
e não lhe alimentar dessa ilusão
por compreender que amar é insensatez.
No entanto, o amor persegue os passos teus
querendo não te dar do seu adeus
qual fosses sua presa favorita…
Tal se temesse o amor nessa armadilha
te pões distante, assim, de sua forquilha
sem dar paixão qualquer à sua escrita.
" A TRIBUTOS "
Assim já é demais! Apelação!
É querer pôr na lona o oponente
sequer sem dar-lhe chance, frente a frente,
de preparar-se pra recepção!...
É golpe baixo, sem ter quem aguente
o impacto de tamanha dimensão
se exposto à área inteira da explosão
quando, a conquista plena, a fera intente.
Devia haver censura a tal artigo,
limitações, barreira e, até, castigo
tamanho o risco todo que isso causa…
Apelação! Eu digo que é demais!
Evoca-nos as pretensões carnais,
abate, suga, geme e não faz pausa!
" FIEIS "
Tu me darás, dos versos teus, a rima
no enredo que te faz poesia plena
conforme, a declamar, teu corpo encena
o que te torna, enfim, uma obra prima!
Assim me exposta, frágil, tão pequena,
poesia da mais alta, minha, estima
te deitarei canção posta por cima
a te exaltar no amor que nos condena.
Daremos, nós, inveja aos menestreis,
nas noites de luar, loucas, crueis,
entorpecidas das almas errantes…
Tu me darás a rima dos teus versos;
eu te darei meus textos controversos
e o tempo nos fará fieis amantes!
" BRINQUEDO "
Eis que a lembrança, ainda, te visita
no teu jardim da alma, em certo instante,
e a emoção que é, disto, resultante
ficar por tempo mais, em ti, cogita!
Te inquietas do momento, relutante,
consciente que o amor real te habita
e, embora exista manchas nesta escrita,
saudades tens de quem te foi amante.
És responsável por quem tu cativas
e é este amor que faz com que revivas
o essencial oculto neste enredo…
Sim! Te visita, ainda, uma lembrança
que, todo o sentimento teu alcança
fazendo, da saudade, o teu brinquedo!
" ANDARÁ "
Hão de ficar lembranças na memória,
imagens, fotos e a recordação
dos tempos juntos, presa ao coração,
marcando o que se fez por nossa história!
Por mais que haja mudanças e a intenção
de se deixar pra lá, fraca, ilusória,
tentando um rumo novo à trajetória
terás, ainda assim, saudade, então.
Que os fatos não te impeçam de ir adiante
mantendo o passo firme, são, constante,
em busca de um futuro aventurado…
Mas, saiba que presente e verdadeiro,
qual se sentisses dele, ainda, o cheiro,
o amor sempre andará, junto, ao teu lado!
" ANDANTE "
Disse, o destino: Siga! É mais à frente…
Julguei ser insensato ouvir-lhe a voz
e me mantive em meu sofrer atroz
qual fosse, eu, só um mendigo, um indigente!
Prossiga! Ele insistiu. Fez-se feroz
e me agitou por dentro, ardentemente,
de forma que tocou-me o consciente
e andar me pus… Um passo, um outro após.
Tão logo, a estrada fez-se por bonita
e me chegou consolo à alma aflita
mostrando-me horizonte promissor…
É mais à frente! Disse-me o destino
e, assim, me fiz de andante, um peregrino
que irá, bem logo mais, achar o amor!
" EMBIRROU "
Ela embirrou igual mula teimosa
e se fechou negando-me conversa
em meio à tempestade lhe adversa,
fazendo-se difícil, má, manhosa…
A sua mudez se fez razão reversa
e não lhe deixa mais doar-me prosa!
Nem mesmo na poesia ela se entrosa
ficando, para assuntos meus, dispersa.
Pra quê tal pessimismo e mau humor
pra com quem lhe estendeu a mão do amor
e lhe acolheu nas raias da paixão?!
Que desembirre logo, mula brava,
pois, birra, a vida encurta, cessa, trava
e só traz mais sofrer ao coração!
" IMORAL "
Porquê mudastes tanto, ó Mocidade,
e deste um novo rumo ao teu destino
buscando o diferente, em desatino,
em louca busca pela novidade?!...
Não mais és inocente e o libertino
tomou lugar da tua castidade…
O belo deu acento à obesidade
do romantismo, o luxo, o caro, o fino…
Abristes mão de sonhos, da alegria,
pra aqui viver só da tecnologia
ao se isolar nas redes, no virtual…
Mudastes tanto, ó Mocidade! É pena
que a tua escolha agora te condena
por semear nos campos do imoral!
" LUXO "
Ah! Quanto luxo numa curta vida…
Qual se jamais chegasse-lhe de lado
a causa de quem é o necessitado,
o pobre, a mão carente lhe estendida…
Um mundo à parte dá, por entronado,
esse egoísmo teu, alma perdida!
Não vês, em tua soberba, qual saída
daria-te o amor que tem faltado.
Te amoldas a essa insana e vil conduta
que só condenação, não mais, te imputa
e lança-te a cruel e triste inferno…
Efêmero esse luxo sem razão
que, tristemente enfim, teu coração
insiste por querer fazê-lo eterno!
" OUTONO "
Outono… Céu azul, tardes amenas,
bucólicas saudades vindo ao peito
e o dia envelhecendo do seu jeito
querendo descansar ao sol, apenas!
Já deita-se, esse ciclo, no seu leito
cansado dos embates nas arenas,
das lutas, dos combates a centenas;
também, do que na história, se fez feito.
Os meses vão crepusculando o enredo
guardando, só pra si, como segredo,
quaisquer paixão, por eles, concedida…
Bem-vindo, Outono, aos braços desta terra,
ao tempo de labuta que se encerra,
tal qual o outono desta minha vida!
" DELÍRIO "
Tomei a flor do amor entre meus dedos
e lhe senti o perfume me doado!
Rendido, o coração me foi tomado
seguindo, da paixão, vozes e enredos!...
Que faz, um pobre ser, se apaixonado?
Se perde pela noite em seus segredos
e assim fui eu, por entre o val dos medos,
depois do amor, enfim, me ter tocado.
Bailei com as estrelas e o luar
sentindo todo o corpo flutuar
qual se não mais houvesse a gravidade…
Cheirei a flor do amor, pra meu delírio,
e a cruz tomei por sina e por martírio
sem mais pureza casta e ingenuidade!
A vida é um hospital
Onde quase tudo falta.
Por isso ninguém se cura
E morrer é que é ter alta.
" NOVA "
Que quer, enfim, a nova mocidade
perdida como está nessa jornada?
Por vezes me parece querer nada
pra só viver, aqui, sua liberdade!
Talvez só busque e quer estar focada
em se fazer presente de verdade
pra ter aceitação dos de sua idade
que têm o pé na mesma caminhada.
Quiçá seu sonho? Amor vindo em paixão?
Deixar que o tempo corra em direção
de um amanhã que seja mais feliz…
A nova mocidade busca agora
o que talvez jamais partiu embora:
o mesmo que, a de outrora, sempre quis!
" ATRAÇÃO "
Em tudo o que tu pões teu coração,
ali, o tesouro teu, terás guardado!
Escolhas, pois, aonde, com cuidado,
pra que não te destrua uma ilusão!
Nem tudo o que te for apresentado
por mais que com ternura, com paixão,
irá te conduzir para a ascenção,
de tu’alma, ao que for justo e equilibrado.
Há tentações, há covas e armadilhas
das quais, certas paixões cruéis, são filhas…
Atente onde colocas teu amor!...
Ali terás guardado o teu tesouro
bem mais valioso do que prata ou ouro…
Não prove, da atração, qualquer licor!
Rótulo da embalagem
Meu nome é Ille, sim, apenas Ille
Poderia citar os pronomes que gosto de ser chamado
ele/dele, ela/dela, elo/delo…
mas isso não é relevante
Poderia falar meu genero, sexo e sexualidade
homem/mulher, homosexual/heterosexual, cis/trans…
mas isso seria interessante?
Poderia claro explanar sobre meu laudos mentais
TDAH, autismo, bipolar, depressivo, ansioso…
mas, me diga…
tudo isso é importante?
Produto rotulado que não passa do que está escrito?
É para isso que estou vivo?
Limito a minha existência a essa simplória definição…
qual a razão?
Buscamos nisso um lugar para chamar de nosso
Um grupo para que parte possamos fazer
Isso até parece bom negócio
Mas cega o que se vê
Cega o que somos, seres únicos e parecidos
Precisamos de união, porém a que custou então?
Será possível igualar todos os depressivos?
Mentes iguais de diferentes ideias e passados
Todos tentamos falar do mesmo algo
Porém
Esse algo, mesmo diferente, nos convém?
Ou iludimo-nos para nós sentir algo maior
Ignorando o fato que sim! Somos menor
Aqui não falo de pior ou melhor
Sermos humanos é o que nos une
Não essa forma de julgamento que nos pune
Atualmente taxamos tudo, produto, empresa, pessoas
Compreender é o novo obstáculo
Para seres que estão fartos, de tantas formas de mercado
Aqui encerro meu protesto
Não, não quis ser modesto
E agora enfim lhe peço
Ouça antes de ver, reflita ao conhecer e salve…
Ao invés de deixar morrer
Sensação
Tantas são as sensações
parece um turbilhão
como sentimento e emoções
que um dia aqui estavam
emocionado é aquele que se permite sentir
é o iludido que sempre vai se iludir
vive sem medo do julgamento
não se importa se está andando lento
Em que momento?
Foi dito ser ruim o sentimento?
alegria, felicidade, carinho e fraternidade
tristeza, melancolia, depressão e agonia
tudo isso é inato de nós
mesmo assim calamos nossa voz
negando a necessidade humana
de expressar nossa gana
por algo em vós
pena a dor do sonhador
tenta passar sua mensagem com tanto amor
mesmo assim isento de louvor
vem a ti propor
permite-se sim, sentir até o fim
o coração grita lampejos de mais belo desejo
compartilhe o que sente, não esconda na mente
ou quando menos esperar
o que tanto escondeu
virá te atormentar
Viver
curioso essa ação é
ao viver, podemos escolher
permitido alegrar-se
possível decepcionar-se
de nós cobramos o incompreendido
a gana da perfeição no infinito
o eterno é como um terno
belo sim ao olhar
mas o que dentro há
apenas outra pessoa
igual a mim e você
a qualquer um que isso lê
finge que não vê?
prefere o que crê?
belo esse pensar
utópico na sua raiz
simples de te amassar
cômico a gana humana
fingimos sermos o que não somos
frutos de anjos e demônios
inocência inata
percorre a alma
por isso pedimos calma
que vida engraçada
tudo e nada
o mesmo significado tem
isso se refere a todos (e a ninguém)
assumimos nossas diferenças
(o preconceito vem de crenças)
mesmo assim…
SOMOS IGUAIS?!
todos criaturas voraz
que pena dessa ilusão
aflige nosso coração
então
brincadeira boba não?
estranho sobreviver
supondo viver
roda-roda de roda torta
onde o destino…
pouco importa!
