Poema de Mario Quintana Par Perfeito
ah! Se tu viesse me encontrar agorinha,
nessa hora, a tardinha, onde o sol se põe
e a noite estrelada de lua se avizinha
seria um sonho, que contrapõe, os sentimentos
ah! quando lembro do fogo dos teus beijos
da tua boca com desejos das noites quentes
do teu toque suava, saliente
fico inerte a contemplar da tua pele os lampejos
ah! se tu viesse despida, e solta
e num ato de amor, dar-me um beijo
fazendo meu mundo sorrir
e como o sol, eu tocaria a tua boca
enquanto em teu céu corre desejos
os meu braços querem ti...
Mario de Almeida
o poeta castanhalense
Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca.
A tarde é uma tartaruga com o casco pardacento de poeira, a arrastar-se interminavelmente. Os ponteiros estão esperando por ela. Eu só queria saber quem foi que disse que a vida é curta...
Mas se a vida é tão curta como dizes
por que é que me estás lendo até agora?
As religiões cresceram entre os humildes porque aqueles que estavam por cima já se julgavam no paraíso.
Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os rapazes sem respeito nenhum.
Há dois sinais de envelhecimento. O primeiro é desprezar os jovens. O outro é quando a gente começa a adulá-los.
Deve ser o fio de vida que vai unindo, pedaço a pedaço, essa colcha de retalhos que é a história do mundo.
Só o poeta é que tem de lidar com a ingrata linguagem alheia...
A impura linguagem dos homens!
O mais espantoso nos velhos é a sua falta de pressa, como se eles dispusessem de todo o tempo que teriam os moços se não tivessem tanta pressa.
O que eles chamam de nossos defeitos é o que nós temos de diferente deles. Cultivemo-los pois, com o maior carinho – esses nossos benditos defeitos.
Para mim o poeta não é essa espécie saltitante que chamam de Relações Públicas. O poeta é Relações íntimas. Dele com o leitor.
Os verdadeiros poetas não leem os outros poetas. Os verdadeiros poetas leem os pequenos anúncios dos jornais.
E eis que, tendo Deus descansado no sétimo dia, os poetas continuaram a obra da Criação.
O poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
Tudo já está nas enciclopédias e todas dizem as mesmas coisas. Nenhuma delas nos pode dar uma visão inédita do mundo. Por isso é que leio os poetas. Só com os poetas se pode aprender algo novo.
A magia das palavras num poeta deve ser tão sutil que a gente esqueça que ele está usando palavras.
Eles ergueram a Torre de Babel para escalar o Céu. Mas Deus não estava lá! Estava ali mesmo, entre eles, ajudando a construir a torre.
