Poema de Mario Quintana o Espelho
Deve desculpá-la Majestade, ela tem boa intenção, mas não consegue deixar de dizer tolices, de modo geral.
Como é possível que vocês possam falar tão bem? Estive em muitos jardins antes, mas nenhuma flor podia falar.
Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã!
"Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar. Se quiser ir a alguma outra parte, tem de correr no mínimo duas vezes mais rápido!"
"Seja como for, parece encher minha cabeça de ideias... só que não sei exatamente que ideias são..."
Poderiam seguir caminhos diferentes. Mas não pôde deixar de pensar com seus botões: Que terríveis absurdos estamos dizendo!
São temperamentais, algumas... em particular os verbos, são os mais orgulhosos... com os adjetivos pode-se fazer qualquer coisa, mas não com os verbos... contudo, sei manobrar o bando todo! Impenetrabilidade! É o que eu digo!
Está ouvindo neve contra as vidraças? Soa tão agradável e suave! Como se alguém estivesse beijando a janela toda do lado de fora.
Então no fim das contas a coisa realmente aconteceu! E agora, quem sou eu? Vou me lembrar se puder! Estou decidida!
Pode olhar para a sua frente, e para os dois lados, se quiser, mas não pode olhar para tudo à sua volta... a menos que tenha olhos na nuca.
Nem sei o que estou fazendo nesta viagem de trem... agora mesmo estava num bosque... e gostaria de poder voltar para lá!
Então eu não estava sonhando, afinal de contas, a menos... a menos que sejamos todos parte do mesmo sonho. Só espero que o meu sonho seja meu, e não do Rei Vermelho! Não gosto de pertencer ao sonho de outra pessoa.
