Poema de Apaixonado e Amantes

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A ignorância que se conhece, se julga e se condena não é uma ignorância completa: para que o seja, é preciso que se ignore a si mesma.

Deus, arquitecto do universo, proibiu o homem de provar os frutos da árvore da ciência, como se a ciência fosse um veneno para a felicidade.

Um homem que ensina torna-se facilmente teimoso, pois exerce a profissão de um homem que nunca erra.

Cuide de vossa graça, pois aqueles ali não são gigantes, mas moinhos de vento, e aquilo que pensais serem braços são as pás que, girando o vento, movem a mó.

A devoção encontra, para praticar uma má ação, razões que um simples homem jamais encontraria.

Quem não sabe nada, seja ele senhor ou príncipe, deve ser incluído no número das pessoas vulgares.

O poder é uma ação, e o princípio eletivo é o da discussão. Não há política possível com uma discussão permanente.

O que é uma grande vida senão um pensamento da juventude realizado pela idade madura?

Deve-se julgar da opinião e caráter dos povos pelo dos seus eleitos e prediletos.

Querendo prevenir males de ordinário contingente, o homem prudente vive sempre em tortura, gozando menos do presente do que sofre no futuro.

A intolerância irracional de muitos escusa ou justifica a hipocrisia ou dissimulação de alguns.

Os bons conselhos desagradam aos apaixonados como os remédios aos que estão doentes.

A modéstia é para o mérito o que as sombras são para um quadro. Dão-lhe forma e relevo.

A beleza é uma letra que se vence à vista, a sabedoria tem o seu vencimento a prazos.

A inveja, que abrevia ou suprime os elogios, é sempre minuciosa e prolixa na sua crítica e censura.

Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.