Poema da Beleza

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Há flores que só florescem no concreto da dor e a beleza delas é a prova de que a vida sempre encontra um caminho.

A beleza autêntica não é a luz projetada, mas a luminescência residual da alma que se aceitou na escuridão mais funda, o brilho não vem da aclamação do palco, mas da fornalha interna do autoconhecimento.

A beleza é sempre a marca da ousadia, a prova clara de que você saiu da zona de conforto. O que é seguro, fácil e sempre igual é, por natureza, o lugar vazio que a memória nunca vai se interessar em guardar ou visitar.

Eu vivo. Isso é o bastante para um poeta cujo ofício é transformar a dor em beleza.

Há uma beleza discreta nas despedidas sem motivo. Elas são como portais que não explicam viagem. Saímos de algo e carregamos somente um pedaço. Esse pedaço nos protege do vento intenso. E com ele seguimos, aprendendo a ser pequeno e inteiro.

Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.

Continuo. Não porque seja fácil, mas porque a vida, em toda sua dor e beleza, ainda merece a minha presença.

Minha trajetória não é estética, é ética. Há uma beleza ferida na honestidade de assumir que nem tudo está bem.

Existe uma beleza aterrorizante em ser um náufrago no próprio quarto, vendo as paredes se transformarem em maré enquanto as memórias flutuam como destroços. Não peço por terra firme, peço apenas que a água não apague a tinta com que descrevo o abismo.

O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.

Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.

Existe uma beleza profundamente triste em quem continua sendo sensível depois de ter conhecido a brutalidade humana de perto.

Nem toda reconstrução produz beleza imediata. Algumas acontecem no escuro, entre lágrimas silenciosas e pequenos atos invisíveis de resistência.

Talvez a forma mais insidiosa do sofrimento seja continuar acreditando na beleza, mesmo depois de testemunhar, repetidas vezes, a crueldade do mundo.

A grande jornada da vida se faz com a esperança da caminhada e não pela beleza dos azulejos.

Talvez a beleza da vida esteja justamente em sua crueldade: tudo é passageiro, e ainda assim encontramos razões para amar.

"Encontrei na sua alma o rosto da beleza que a filosofia nunca soube descrever."

Quando acabar a beleza, vai sobrar quem você é, e é nesse quem você é que a beleza continua ou acaba...

A tragédia do tempo é descobrir que a beleza de um instante comum só se revela quando ele já se tornou o último.

Desfrute o amor enquanto pode, porque a juventude parte sem avisar, a beleza aprende a envelhecer, o dinheiro muda de mãos, amizades tomam outros caminhos, a admiração é volátil, a alegria conhece dias de ausência, a saúde pode se despedir em silêncio e as pessoas, cedo ou tarde, seguem seus próprios destinos; no fim, quando tudo o que parecia permanente tiver ido embora, talvez a única coisa capaz de permanecer dentro de você seja o amor que viveu e o amor que foi capaz de oferecer.