Poema com Soneto sobre o meio Ambiente

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Deite-se embaixo de um céu estrelado.
Encare o seu passado
como encara as estrelas:

algumas já se foram,
a luz antiga
insiste em chegar.

Tudo o que você fez até aqui
tem seu brilho próprio.
E ainda assim,
há sempre uma chance de recomeçar.

Não se permita cair
na escuridão dos arrependimentos.

Há astros mais intensos.
Há outros sóis.

Seremos todos eles.

os olhos mantêm a alma esperançosa
estes fazem-na enxergar motivos na Terra
para se contentar
e não querer fugir do plano físico

muito mais que ser apenas um sopro vagante pelo mundo,
é melhor ter um corpo
para tocar, sentir e ser

⁠Café amigo-
Um café pra escrever,
escrever pra esquecer,
esquecer essas angústias
que pesam no peito
como chuva em telhado velho.


Por isso tomo café pra despertar,
despertar essa tal de alegria
que todo mundo fala,
mas que às vezes me esquece.


Mas que alegria?
Se sou só um poeta
que não aprendeu a amar,
que tropeça nas lembranças
e se esconde nas palavras.


Escrevo e esqueço,
o café só acompanha,
feito amigo calado
numa madrugada qualquer.


Escrevo pra me manter de pé,
pra dar sentido à dor
que o mundo finge que não vê.
E o café, esse velho cúmplice,
me aquece o vazio
que ficou de você.

"A voz da saudade
e tão suave e tranquila,
que só amor a amizade,
possuí ouvidos para ouvi-la."

Canta de um estudante de Direito


"Prezada, vossa excelência que me tirou o juízo,
peço-te a máxima atenção para esta humilde petição inicial.


A saber:
quando poderemos arrolar nosso processo?


Requeiro vista da minha confessa ignorância
para saber se devo ipetrar a ti um
abscorpos ou absdata,


que nos assegure o acórdão de tal data,
sem litígios, sem recursos
e, se possível, com sentença favorável
ao coração." (CH²)

O nada e um algo

Eu não tenho nada
Pois o nada posso ter
Se o vazio me inunda
Com a ausência do seu ser


O meu peito vira um muro
Que afasta o teu olhar
E no eco desse escuro
Não consigo te tocar


Guardo a farsa na memória
Com o medo de perder
O final da nossa história
Se a verdade amanhecer

O Chão Oculto

O vazio não tem pressa,
muda de forma no escuro.
Caminho por uma promessa,
pisando em vidro inseguro.


Olho nos olhos que amo,
com o peito em sobressalto.
Sinto o peso do que chamo
de silêncio que grita alto.


A verdade é uma sombra
que ameaça me tocar.
O vazio me assombra,
pois o chão pode quebrar.

O Farol Deserto


Sou o mar que bate na rocha,
Insistindo em te moldar.
Você é a chama que apaga a tocha,
Se recusando a me queimar.


Rego a planta de plástico frio,
Esperando a flor brotar.
Sou o leito de um grande rio,
Que o teu deserto quer secar.


Grito forte em sala vazia,
Onde o eco é o meu rival.
Sua presença é moldura fria,
De um quadro sem final.

O Brilho de Longe


​Nunca te toquei, nem tenho o teu amor,
Habito esse vazio, num sonho platônico;
Mas ver tua alegria estanca a minha dor,
Num laço invisível, suave e harmônico.
​Teu sorriso genuíno é meu guia,
Tua voz doce acalma o meu caminhar,
E a doçura que em teu olhar meigo fia,
É o único porto onde eu ouso ancorar.

Minha mente nunca esteve vazia.
Nem por isso, deixou de ser a
OFICINA DO DIABO.

Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.

Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.

A semântica é um
território de disputa;
quem nomeia, organiza o mundo
e, em certa medida,
administra a realidade.

A sintaxe dispõe as palavras,
mas também disciplina
o fluxo do pensamento
e distribui o lugar de cada sentido.

A eloquência encanta;
a precisão sustenta.
Uma seduz a superfície,
a outra responde pela espessura.

A concisão
é uma forma
superior de autoridade:

cortar exige critério,
e critério pressupõe visão.

A cadência governa
o tempo do dizer;
quem controla o ritmo,
orienta a escuta e conduz a adesão.

A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;

tudo depende
da ética de quem a maneja.

A estilística
é a pele intelectual do sujeito,
o modo singular como uma consciência aprende a habitar
a linguagem.

A hegemonia
atinge seu auge quando
o dominado internaliza o desejo de repetir a lógica que o limita.