Poema Arnaldo Jabor - Deus e Satanas
Deus não tem a promessa de anular o obstáculo, mas de fortalecer a articulação que se dobra em busca de socorro.
O Silêncio de Deus é a resposta sutil de que o Mestre está, nos bastidores do impossível, movendo peças que não cabem à nossa visão.
O descanso em Deus é o ato subversivo mais potente que um espírito à beira do colapso pode declarar contra a tirania da ansiedade.
Deus honra mais a humildade crua da sua dor do que a engenharia hipócrita da sua felicidade encenada.
Deus é um paradoxo silencioso, que insisto em crer, mesmo sem compreender, mesmo sem ter palavras para explicar.
No terrível espinho do pecado eu pisei, mas a verdade que nunca quis ver Deus me revelou. Onde fui temporal, agora sou oceano, onde fui fonte seca, hoje transbordo.
Deus não elimina as tempestades, mas garante que sua âncora interna seja mais forte que a fúria do mar.
A fé me ensinou a esperar, mesmo quando tudo parece tardio, o tempo de Deus não falha, e quando chega, chega perfeito.
É um milagre sutil e constante saber que Deus nos segura justamente pelas rachaduras, pois é nesse lugar de quebra, dor e fragilidade máxima que o processo de reconstrução mais sublime se inicia. Em momentos de silêncio absoluto, onde desmoronamos e sentimos que ninguém percebe a nossa luta interna, a visão Dele permanece clara e atenta, sendo Ele a única força a nos levantar quando as nossas próprias reservas se esgotam. Fomos treinados na marra da vida, aprendendo na dor, crescendo na queda e amadurecendo no caos, e é essa experiência que hoje nos torna firmes e inabaláveis. Mesmo que por vezes falhemos com a fé, a graça Dele nos mantém e nos constrange para o crescimento, provando que a fé não falha, mas é a única corrente capaz de nos libertar das nossas prisões internas e devolver-nos ao eixo. Por isso, a cada renascimento e a cada cicatriz profunda, agradecemos, pois sabemos que a vida tirou o supérfluo para nos entregar o essencial, resiliência, coragem e a fé que ressuscita, fazendo-nos renascer onde outros desabam.
Existe um Deus que faz morada nas cinzas e tem o poder de ressuscitar o que estava morto, transformando o luto em dança e a tristeza em uma nova melodia de vida. Ele é o Mestre que não risca nada do papel quando os nossos planos falham, pois Seus projetos são mais altos e Seus sonhos para nós são maiores do que os nossos mais ousados rascunhos. A história de vida que parecia ter chegado ao fim é apenas o prelúdio de um novo tempo de graça, onde o que foi perdido será restaurado e o que parecia impossível será a prova viva do Seu poder.
O amor de Deus é o único que não se intimida com a minha escuridão. Ele entra onde ninguém mais ousa tocar, ilumina onde nem eu quero olhar. Seu silêncio não é ausência, é cuidado que respira devagar. E nesse respiro encontro a força que não sabia possuir.
O povo se curvou e orou fervorosamente ao deus de néon que eles criaram, ignorando a verdadeira visão da escuridão.
Às vezes, sento-me diante de Deus e não digo nada. O silêncio é a única oração que minha exaustão consegue formular.
Deus deve ter um carinho especial pelos que choram escondidos no banheiro, abafando os soluços com a toalha para não interromper a janta dos outros. É nesse silêncio úmido que a santidade se manifesta, longe dos altares e perto das misérias que nos tornam humanos.
Quem conhece Jesus come pão com água e dá glória a Deus, mas quem não o conhece, até comendo picanha, murmura.
Haverá dias em que Deus levará você por caminhos tão estreitos que nem mesmo uma pequena lamparina poderá acompanhá-lo, mas também chegará o dia em que Ele o colocará diante de um ambiente tão largo e escuro que só mesmo através da união de várias lâmpadas seria capaz de iluminá-lo.
Deus criou a mulher para se expressar e o homem para escutá-la; a mulher para opinar e o homem para entendê-la; a mulher para ser amada e o homem para zelar por esse amor.
Eu já vi Deus tirar homens do fundo do poço, e também já vi Deus saciar a sede de quem estava na beira do poço.
